Nomeação do novo administrador de Santa Maria desperta debate e desagrada parte lideranças

Uma queda-de-braço foi travada nas redes sociais em relação a nomeação de Renato Couto para administrar a cidade. Algumas lideranças questionam indicação e pedem reavaliação da decisão por parte de Ibaneis Rocha.


O que era para ser apenas mais uma medida de reformulação do quadro de servidores feitas pelo governador Ibaneis Rocha está prestes a se tornar uma dor de cabeça para o chefe do Executivo, tudo por causa da nomeação do advogado Renato Couto Mendonça, que para uma parte das lideranças locais não poderia ter sido empossado por não ter qualquer identidade com a cidade. “Lutamos uma vida inteira para que tivéssemos um administrador de casa e após conquistarmos esse direito o governador quebra a regra e traz uma pessoa de fora que não possui qualquer identidade com a cidade. Não merecemos isso”, disse em uma rede social o prefeito comunitário Alan de Brito.

Alan completa que não tem nada contra a pessoa do administrador, mas por não conhecer a cidade, seus problemas e suas características, será apenas uma pessoa que irá ocupar a cadeira.

Couto é advogado e pessoa ligada diretamente ao governador. De acordo com informações é morador de uma das regiões mais nobres de Brasília. Em seu primeiro dia de trabalho, conheceu a cidade a bordo de um veículo de luxo e quando descia, estava sempre cercado por dois “assessores” que ficaram a todo instante ao seu lado, o que segundo essas lideranças desagradou muita gente. Ele visitou a Feira Central e no local ouviu algumas demandas da população prometendo solucionar os problemas emergenciais.

Também inspecionou as obras da VC-371 e acompanhou os serviços de tapa-buraco e recuperação asfáltica. De acordo com o novo administrador, a intenção é intensificar o trabalho para melhorar o visual da cidade. “Queremos fortalecer esse trabalho e deixar Santa Maria ainda mais bonita”, destacou.

Já os assessores da Administração Regional, ainda ligados a deputada distrital e ex-madrinha da cidade, Jaqueline Silva, estão aguardando que o novo “chefe” seja apresentado a eles e que informe da sua maneira de trabalho. Enquanto isso nas redes sociais o clima é de guerra entre as lideranças que na sua maioria, não concordam com a escolha do governador e preferem “prata da casa”. “O Ibaneis teria que ouvir primeiro os moradores para depois tomar a decisão de indicar uma pessoa sua. A cidade tem pessoas capazes de assumir a administração e não há a necessidade de um ser de fora para fazer o trabalho que um morador sabe fazer muito bem”, disse o líder comunitário Nogueira.

Outro fator que está sendo questionado nas redes sociais é em relação as pessoas indicadas por Jaqueline Silva que ainda ocupam cargos estratégicos na Administração Regional. Segundo alguns deles, estão todos temerosos devido a deputada ter perdido o comando administrativo local. “É muito ruim trabalhar nesta situação, pois não sabemos como vai ficar nossos empregos e ainda termos o nosso planejamento todo alterado. Viemos para cá com um proposito e agora as coisas mudaram”, relatou um servidor comissionado do órgão.

Lideranças comentam que a situação política da cidade ainda não está definida e nos próximos dias haverá novidades. Pensando nisso, “grupos” políticos começam a se articularem na iminência de “venderem seus passes” e mostrarem para Ibaneis que merecem ocupar “um lugar ao sol”. Muitos desses “grupos” são conhecidos como eternos “candidatos a candidatos”, que sonham em um dia se dar bem. Todavia não possuem bases sólidas capazes de galgar o tão sonhado cargo de administrador regional. “Tem gente aqui que toda vez que acontece mudanças na Administração, já se mostram favoritos a vaga e sonham que apenas a sua presença já é o suficiente para convencer o governador que é capaz de ocupar a vaga, mas não exercem qualquer liderança a não ser sobre si. Já viraram figurinha carimbada na cidade, sendo alvos de chacotas”, relatou um morador.

Mesmo diante de tudo isso, demais lideranças, moradores, empresários e pessoas simples da cidade já começaram as discussões nas redes socias visando mostrar para o chefe do Executivo que em Santa Maria existem outras pessoas capazes de unir forças e participar da gestão local. “Temos várias pessoas que já mostraram ser capazes de ocupar aquela cadeira. Não precisa uma pessoa de fora que não conhece a cidade, seus moradores e sua rotina política-comunitária dizer que irá fazer a diferença. O que queremos é atitude imediata e para isso, a cidade não precisa de estagiários e sim de profissionais que possuem todos os predicados de experiencia político-administrativa e identidade com a sua gente”, disse Raimundo Rocha.

Rocha ainda afirma que apenas dois grupos políticos mostraram identidade com a cidade durante a sua existência, sendo que suas ações políticas sempre deram certo. “Foi somente nas eras de Roriz e Arruda que apesar das dificuldades a política fluía em Santa Maria. Foram tempos aonde a vontade de povo era respeitada, ou seja, não dava certo eles tiravam e primeiro ouvia o povo para depois tomarem a decisão”, afirmou.

Foi nessa época que, segundo Rocha, uma marca ficou cravada na história de Brasília. “Roriz criou uma marca que serve de aprendizado para muito político debutante, só não age assim quem não quer, mas as consequências são terríveis. Ele dizia que governar é primeiro ouvir o povo para depois tomar decisões. Se todos agissem assim as coisas seriam melhores”, lembrou.  

Para ele, o governador poderia pensar melhor em relação a nomeação de Couto. “Não questionado a capacidade do novo administrador que apesar de se mostrar profissional, vive outra realidade. Em Santa Maria as coisas são diferentes, pois a cidade necessita de uma pessoa que dê o sangue por ela e tenha disponibilidade integral para se dedicar as suas causas. Infelizmente não acredito que o novo administrador veio com esta disponibilidade, pois se veio terá que sair do gabinete, arregaçar as mangas, pisar na lama, em cocô de cachorro, gastar sola de sapato e ter paciência de Jô ao ouvir e ser questionado por diferentes pessoas, literalmente. Caso contrário não ficará muito tempo”, completou Rocha.

Para outra liderança, a decisão do governador não foi das melhores e sugere reflexão do ato. “O Ibaneis deveria repensar a sua decisão e não quebrar uma corrente conquistada com muita luta pelas lideranças. A escolha de um administrador que tem identidade com a cidade foi a maior conquista que tivemos e não poderia ser quebrada sem que antes a comunidade fosse ouvida”, frisou.

Ele completa pedindo ao chefe do Executivo retribuição ao carinho depositado pela cidade ao seu nome. “Santa Maria foi a cidade que fez a diferença nas eleições e depositou toda a confiança no então candidato Ibaneis Rocha, aonde vestimos a sua camisa. Assim pedimos que o senhor nos retribua a confiança e não deixe que uma das nossas maiores conquistas caia por terra. Nos conceda o direito de continuarmos sendo administrados por uma pessoa da nossa região e que tenha identidade com a nossa gente. É o que pedimos governador”, finalizou.

Em relação a perca apadrinhamento político da cidade por parte da deputada Jaqueline Silva, a maioria das lideranças são favoráveis a decisão de Ibaneis Rocha, pois segundo eles, apesar de se auto intitular representante da cidade, Silva “virou as costas para as lideranças da cidade”. “Ficou difícil o relacionamento com a deputada que a todo tempo dificultava proximidade com várias lideranças. Para piorar Jaqueline não soube escolher parte da sua assessoria que ao invés de assessorá-la, criavam intrigas com lideranças e pessoas que de alguma forma questionavam suas ações. Um dos únicos acertos de político de Jaqueline na cidade foi a indicação da ex-administradora Marileide Romão, mas que não teve tempo para desenvolver o seu trabalho”, disse uma importante liderança que preferiu não se identificar por medo de represálias.


Parte das indicações políticas de Jaqueline Silva na cidade também foram alvos de reprovação e questionamento por parte de lideranças. Muitos dos assessores eram pessoas estranhas a cidade, bem como não desenvolviam suas atividades de acordo com a obrigação, além dela importar várias pessoas de outras regiões alheias a realidade local. “Ela pecou ao indicar pessoas sem qualquer identidade com a cidade, bem como não tinham respeito no trato com a comunidade. Muitas dessas pessoas destratavam, agrediam e humilhavam lideranças e pessoas simples que de alguma forma procuravam atendimento. Outras esqueciam de suas obrigações e se disponibilizavam para puxar o saco da deputada e de seus pares”, completou.

Fonte - Agencia Satélite

Postar um comentário

0 Comentários