Deputada Celina Leão deixará base do governo do DFCelina Leão deixa base de apoio ao governo do DF e pede mudanças

Os motivos que levaram a presidente da Câmara Legislativa a tomar essa decisão serão informados durante discurso no Plenário, nesta terça (2)



Ao declarar postura "independente" na Câmara, Celina reclamou da quantidade de servidores da gestão passada que permanecem no governo e atribuiu a isso sua decisão

"Eu não quero continuar em um projeto no qual não acredito". Foi com essa frase que a presidente da Câmara Legislativa do DF, Celina Leão (PDT), anunciou que não faz mais parte da base do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) na Casa. Um golpe para a atual gestão, que conta com a aprovação de um pacote de projetos para incrementar a arrecadação do Distrito Federal. "Eu quero ajudar, eu vou ajudar, mas eu quero ajudar com liberdade", disse, antes de pedir que o governador faça um “choque de gestão”.

Ao declarar postura “independente” na Câmara, Celina reclamou da quantidade de servidores da gestão passada que permanecem no governo e atribuiu a isso sua decisão. "É muito complicado estar à frente desta Casa e ainda tendo de conviver com os petistas que continuam neste governo. É inadmissível para mim isso", discursou.

Citou nomes de servidores lotados na Casa Civil, "centro de comando de decisões", que, segundo ela, foram indicados por Swedenberger Barbosa, chefe da pasta na gestão de Agnelo Queiroz. "Quero fazer um apelo ao governador do Distrito Federal, em quem eu confio e acredito, para que mude a gestão. Ele tem que fazer uma reforma", pediu.

Ela não descartou a volta para a base aliada, com a resolução dos problemas apontados, repetindo que ajudou a eleger o governo e que acredita nas boas intenções de Rollemberg. 

Exoneração de indicados

A presidente da Câmara disse que já pediu ao governador a exoneração do administrador de Sobradinho II, Estevão Reis, e de “40 servidores, mais ou menos” lotados na administração. Todos foram indicados por ela. 

Celina disse que “várias coisas” a levaram a tomar a decisão, embora entenda os riscos que envolvam sua saída da base aliada. “Minha vida pública pode terminar em 2018, mas eu vou sair daqui de cabeça erguida”, afirmou, declarando que apoiará os projetos encaminhados pelo governo “que forem bons para a população”.

Em seu pronunciamento na tribuna da Casa, Celina citou o “afastamento total do PDT” como uma das razões para sua saída da base. “Nossos senadores - Reguffe e Cristovam Buarque - nem sequer são consultados. Desde o governo de transição, isso foi colocado: que o nosso lugar era longe”, destacou, para criticar que o “governo de técnicos”, como sempre vem pregando a atual gestão, “não respeita a classe política, não respeita os deputados e não resolvem os problemas da cidade”.

Aumenta resistência a pacote do GDF

Causou surpresa aos deputados da base aliada a declaração de Celina Leão. O líder do governo na Casa, deputado Júlio César Ribeiro (PRB) destacou que a decisão deve dificultar a votação do pacote enviado recentemente pelo Executivo à Câmara Legislativa, com o objetivo de aumentar receitas.

“Quem perde com isso é Brasília”, citou o líder, para destacar que ontem deveria ser votado, em plenário, o projeto que trata da securitização da dívida ativa, além de outros créditos. A tendência, nas palavras dele, é de que a votação fique somente para terça-feira.

A “falta de clima” foi alegada pelos deputados para que não houvesse votação. Rodrigo Delmasso (PTN) e o bloco do PMDB chegou a anunciar que obstruiriam a pauta, até que o governo pague os atrasados das cooperativas de ônibus do transporte coletivo e de caminhoneiros, que lotaram a tribuna da Casa, ontem.

Os deputados aprovaram um requerimento solicitando ao governador providências para o pagamento imediato das dívidas. 

Boa vontade

Júlio Ribeiro disse confiar na boa vontade de Celina em “querer ver o bem da cidade” e dos demais distritais para conseguir aprovar o pacote do Executivo. “O GDF não tem dinheiro para pagar todos os compromissos herdados da gestão passada”, lembrou. 

Ribeiro acredita, no entanto, que, quando Celina se declara “independente”, ela pode voltar, “a qualquer momento” para a base. “Sem dúvida alguma, a presidente é muito importante para a base de governo”, disse, antes de explicar que deve conversar com ela, para “ver o que é possível atender” nas solicitações dela. 

A reivindicação da deputada de que os petistas devem sair do governo é considerada “justa” pelo líder, que arriscou dizer que “o governador deve tomar essa atitude”.

Versão oficial

Para o Governo do Distrito Federal, a presidente da Câmara Legislativa foi precipitada. “Celina tomou uma decisão que poderia aguardar um pouco mais. Cabia mais conversa”, afirmou o secretário de Relações Institucionais do DF, Marcos Dantas (foto). Ele lamentou o gesto, já que ela seria “uma figura importante nesse momento e poderia nos ajudar a enfrentar todos os problemas”. Foi uma surpresa, reconheceu Dantas, já que ela “sempre foi parceira”. Mas destacou que a posição dela será de independência. E não de oposição à atual gestão. 

Sobre o PDT, Marcos Dantas disse que, “com carinho”, discorda de Celina Leão, já que o governo teria uma excelente relação com o PDT. “Temos mantido diálogo permanente com os senadores, com a bancada do PDT. O PDT está no governo e não tenho dúvidas de que vá continuar, por entender o momento que esta cidade atravessa e por entender que ele pode contribuir muito com as soluções do problema”, minimizou. 

O secretário de Relações Institucionais disse que “há disposição” do governo em manter o diálogo e a boa relação com a presidente da Câmara. E repetindo que “as portas não se fecharam”, afirmou que, nos próximos dias, o governo deve sentar e conversar com Celina Leão. Dantas diz que não crê na exoneração dos indicados da deputada. “Vamos trabalhar para que isso não aconteça”, concluiu. 

Em viagem ao Barein, país do Golfo Pérsico, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) soube da decisão da presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão, de anunciar o rompimento com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ontem pela manhã, horas antes do pronunciamento da deputada no plenário. Um dos ícones do PDT e avalista da aliança entre o partido e o PSB na última eleição, Cristovam pediu que Celina aguardasse uma conversa cara a cara, com a participação do senador José Antônio Reguffe e do presidente regional da legenda, Georges Michel. A distrital, no entanto, já estava decidida. Do país árabe, por telefone, Cristovam disse ao Correio que considerou a medida uma descortesia e um equívoco. Ainda criticou a companheira de partido: “Se for para tirar alguém que não presta, Celina deveria pensar em mudar o gabinete dela”.

O senhor conversou com a presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão, do seu partido, sobre a decisão de romper com o governo Rollemberg?
Ela me ligou hoje mais cedo. Pedi que não tomasse uma posição isolada.

Na Câmara Legislativa, deputados disseram que Celina esteve com o senhor e Reguffe no fim de semana. É verdade?

Curioso, porque já me perguntaram isso. Não é verdade. Não me encontro com a Celina num fim de semana desde a campanha. Acho precipitação. Foi uma descortesia comigo, que pedi para esperar por uma conversa. Prova de que ela tem agido sozinha. Ela indicou vários cargos no governo Rollemberg e isso nunca passou por ninguém do partido. Foram escolhas pessoais dela que o governador acatou.

Então, o senhor não concorda com o rompimento?
Acho um equívoco romper agora, com 120 dias de governo. Mas depende dos interesses dela. Eu achei uma descortesia não só comigo, como também com o Reguffe e com o (Georges) Michel. O partido não foi consultado. Não estou contente com o governo, mas não vejo razão para declarar o rompimento. Foi Rollemberg quem quis Celina na presidência. Não foi escolha do PDT. O partido queria o Joe (Valle).

O que houve?
O Rodrigo impôs o nome da Celina. Tinha problemas com o Joe por causa de questões da época que ele era do PSB. 


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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