Grupo queima pneus para tentar evitar derrubada em Vicente Pires, no DF

Agefis e Seops tentam demolir casas irregulares pela terceira vez no local. Fiscalização enfrentou protestos violentos em outras tentativas na rua 8.

Moradores de Vicente Pires protestam contra derrubada de casas na região (Foto: TV Globo/Reprodução)

Moradores de habitações irregulares em Vicente Pires queimaram pneus para tentar impedir a chegada da fiscalização na manhã desta terça-feira (4). De acordo com a Subsecretaria da Ordem Pública e Social (Seops) e a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), o objetivo é derrubar 25 casas construídas em terreno público na chácara 200 da rua 8 da região.

Essa é a terceira tentativa da Agefis de atuação no local. Nas outras idas a Vicente Pires, a fiscalização do GDF optou por não realizar demolições por haver protestos violentos. Sete casas conseguiram liminar na Justiça, informou o órgão.

Por volta das 8h30, duas casas haviam sido destruídas. Segundo o major Antônio Viegas, da Seops, a fiscalização já previa conflito no local. A operação para remover as habitações foi iniciada assim que o fogo foi apagado.

A derrubada foi interrompida por alguns minutos, após os pneus dos dois tratores utilizados na operação furarem. O Detran foi acionado para retirar cerca de cinco carros que estavam bloqueando a passagem das máquinas com uma empilhadeira.

De acordo com a Agefis, o terreno é destinado à construção de instalações públicas, como posto de saúde e escolas. Cerca de 25 casas ocuparam o território em fevereiro deste ano.

O presidente da associação de moradores criticou a ação. "Vicente Pires é uma área consolidada, em fase de regularização", afirmou Gilberto Camargo, que mora há 18 anos na região. "Existem edifícios ocupando área pública e não fazem nada. Mas este condomínio aqui estão derrubando."

Trator derruba uma das primeiras casas irregulares em Vicente Pires (Foto: Gabriel Luiz/G1)

De acordo com a Seops, os lotes do condomínio irregular eram vendidos entre R$ 250 mil e R$ 300 mil. A previsão é que 18 das 25 casas sejam derrubadas. "Este condomínio existe desde 2013 e está em uma área passível de regularização. Os moradores daqui pagam luz e água", disse a advogada Tany Mary, que conseguiu liminar na Justiça no final de julho para um morador.

"Era um sonho meu ter uma casa própria. Agora tenho que trabalhar tudo de novo", disse a empresária Adriana Videres. Ela relatou já ter gasto R$ 500 mil no lote, comprado no ano passado. "Eu esperava que fosse se regularizar."



Fonte - G1/DF

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