Buriti não garante reajuste, e policiais civis mantêm operação-padrão no DF

Categoria pede equiparação à PF; governo diz não ter verba para aumento. Operação começou no dia 4; atendimento restrito pode prejudicar Olimpíada.

Alexandre Bastos
Do G1 DF

Grupo de policiais carrega faixas da operação "PCDF Legal" na via N1, no Eixo Monumental, em Brasília, nesta quarta (27) (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Policiais civil do Distrito Federal fizeram um ato em frente ao Palácio do Buriti, em Brasília, nesta quarta-feira (27) para pedir a contratação de novos agentes e a equiparação do reajuste salarial da categoria com o da Polícia Federal. Sem acordo com o governo, a categoria pretende reforçar a "operação-padrão" iniciada no último dia 4.

O G1 questionou o sindicato sobre a remuneração atual dos policiais civis, a diferença em relação aos federais e os percentuais de reajuste solicitados para cada categoria, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

O presidente do Sinpol, Rodrigo Franco, afirma que cerca de 30 mil provas testemunhais deixaram de ser produzidas desde o dia 4, quando a "operação PCDF Legal" foi iniciada. As provas embasam pedidos de busca e apreensão e de prisão.

“Apenas 2 ou 3 mil provas foram produzidas durante a primeira etapa da operação. O governo só protela e impõe condições futuras. Se não tem condições de pagar a partir de janeiro de 2017, que [a negociação] ocorra de forma justa", declarou.

Em carta divulgada no fim da tarde, o governador Rodrigo Rollemberg diz que considera a equiparação salarial justa, mas a negociação salarial "deve levar em conta a situação de grave crise" do país (leia íntegra abaixo). O Palácio do Buriti convocou nova reunião para a próxima terça (2) com representantes do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol).
Apenas 2 ou 3 mil provas foram produzidas durante a primeira etapa da operação. O governo só protela e impõe condições futuras. Se não tem condições de pagar a partir de janeiro de 2017, que [a negociação] ocorra de forma justa"

Rodrigo Franco, presidente do Sinpol-DF

Segundo o sindicato, 2,5 mil policiais civis deram um "abraço coletivo" no Palácio do Buriti e pediram que Rollemberg assinasse o reajuste, durante assembleia realizada nesta quarta.

Equipes do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar interditaram duas das seis faixas do Eixo Monumental, no sentido Rainha da Paz, para garantir a segurança do ato.

Rodrigo Franco afirmou que a categoria pode fazer paralisações durante a Olimpíada – o DF receberá dez jogos de futebol no Mané Garrincha entre os dias 4 e 13 de agosto. Em áudio divulgado em junho, o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) propôs a PMs que faltassem ao trabalho no dias de jogos para pedir reajuste.

Na manifestação desta quarta, os policiais carregavam apitos e faixas pedindo o reajuste dos salários e a implementação da operação. Em alguns momentos, o trânsito na via precisou ser interrompido. Carros e motos dos policiais foram estacionados sobre o gramado central do Eixo Monumental, próximo ao Memorial dos Povos Indígenas.

Policiais civis reunidos em assembleia da categoria em frente ao Palácio do Buriti nesta quarta-feira (27) (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Confira a íntegra da carta divulgada pelo Palácio do Buriti:

“O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, vem a público reconhecer a excelência do trabalho prestado por todas as carreiras que integram a Polícia Civil do Distrito Federal. Nesse sentido, considera justo o pleito das categorias pelo direito à paridade historicamente existente entre a Polícia Civil do Distrito Federal e a Polícia Federal.

No entanto, como governador de toda a população do Distrito Federal, e com a necessária responsabilidade no trato dos recursos públicos, entende que qualquer compromisso de reajuste salarial deve levar em conta a situação de grave crise atravessada pela economia nacional, inédita na história recente do Brasil.

Essa crise gerou a queda de 3,8% do PIB brasileiro somente no ano de 2015, o que se refletiu, pela primeira vez, na diminuição dos valores repassados ao Fundo Constitucional do Distrito Federal no ano de 2016 em comparação com 2015, no montante de R$ 380.000.000,00 (trezentos e oitenta milhões de reais). Importante registrar que, em 2015, 50,5% dos recursos do Fundo foram destinados à Segurança Pública, percentual esse que evoluiu para 60% em 2016. O restante dos recursos do Fundo é aplicado na Saúde e na Educação no DF.

Aliado a isso, a definição do cenário político-institucional nacional, previsto para agosto, poderá emitir sinais importantes sobre o comportamento da economia nos próximos meses.

Pelo exposto, o governo necessita avaliar a viabilidade de uma proposta de reajuste salarial condizente com o comportamento da economia brasileira e local. Para isso, sugerimos a imediata criação de um comitê de negociação, com a primeira reunião na terça-feira (2/8/2016), às 10 horas.”

Delegacia do Guará com cartaz anunciando mobilização dos servidores contra suposto sucateamento, em foto do último dia 4 (Foto: Gabriel Luiz/G1)


Fonte - G1/Distrito Federal
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