Mãe de Débora Isis Gouveia se negou a enterrar a filha após alegar que a menina estava em estado de catalepsia. Exame do IML descartou a hipótese e confirmou a morte.

Por G1 AL

Corpo da jovem que família alegava estar viva foi enterrado após laudo do IML confirmar óbito (Foto: Suely Melo/G1)
Após mais de 72 horas da constatação da morte foi enterrada sob forte comoção da família a jovem Débora Isis Gouveia,18, que teve o enterro prorrogado a pedido da família que acreditava que ela não estava morta, mas sim, em um estágio de catalepsia. O sepultamento aconteceu na manhã desta quarta-feira (15) no Cemitério São José, em Rio largo.

O caso da morte de Débora Isis Gouveia, que faleceu no domingo (12), segundo a primeira certidão de óbito emitida pelo hospital onde ela estava internada, ganhou repercussão porque ao acreditar que a filha estava viva a dona de casa Teresa Cristina Mendes se recusou a enterrar o corpo.

Por conta disso um novo exame de necropsia foi feito pelo Instituto de Medicina Legal (IML) na terça-feira (14) comprovando a morte da menina. A necropsia feita na jovem consistiu em um procedimento de observação técnica que não precisou abrir o corpo.


Mesmo com o exame que atestou a morte de Débora, a mãe, Teresa Cristina Mendes, 48, afirma que a filha ainda estava viva quando foi dada como morta por um hospital particular de Maceió.

"Débora não foi socorrida. Deu como morta domingo, mas ela estava viva dentro do caixão. Nós vimos ela mexendo com as mãos. Ela morreu ontem por negligência. Mas ela veio viva do hospital", disse.
A mãe ainda relatou que entrará com um processo na Justiça para provar que a filha foi dada como morta ainda viva.

A irmã Marta Regina, 21, também acha que a menina ainda estava viva quando saiu do hospital. "Ela morreu aqui em casa no caixão. Quando eu estava cuidando dela na segunda a vi mexendo os olhos. Ela morreu ontem por conta daqueles algodões que colocaram em todas as partes do corpo dela. Foi negligência", relatou.

Morte contestada

Débora deu entrada no Hospital Geral do Estado (HGE) no dia 6 de novembro com infecção urinária. O problema de saúde se agravou e ela teve uma infecção nos rins e precisou ser transferida.

No dia 8 de novembro, ela deu entrada em um hospital particular. No dia 12, às 14h10, a jovem foi dada como morta.

Sobre a suspeita de catalepsia, o médico legista Kleber Santana explicou ao G1 que o caso é raro, mas que a possibilidade de alguém neste estado ser declarado equivocadamente como morto é pequena.

Entenda o caso:

Mãe se nega a enterrar filha declarada morta por crer que ela ainda esteja viva

Certidão de óbito emitida no domingo (12) diz que Débora Isis Mendes de Gouveia, de 18 anos, morreu de infecção renal. Delegado de Rio Largo, em Alagoas, pediu nova avaliação médica.

Mãe (de vermelho) se nega a enterrar filha morta por acreditar que ela ainda está viva

Uma mãe se recusa a enterrar a filha dada como morta há dois dias na cidade de Rio Largo, Região Metropolitana de Maceió. Mesmo com o atestado de óbito e com a jovem dentro de um caixão, Teresa Cristina Mendes, de 48 anos, diz acreditar que a filha não morreu. A Polícia Civil foi acionada.

"Ela não está morta. Ela tem sinais de vida. Ela não está com a temperatura de morto. Acredito que minha filha está viva", diz.
O delegado Manuel Wanderley Cavalcante foi ao local e pediu uma nova avaliação médica para confirmar a morte de Débora. O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), em Maceió, que confirmou a morte da jovem no início da noite, após uma necropsia.


Débora Isis Mendes de Gouveia, 18 anos, deu entrada no Hospital Geral do Estado (HGE) no dia 6 de novembro com infecção urinária. O problema de saúde se agravou e ela teve uma infecção nos rins e precisou ser transferida.

No dia 8 de novembro, ela deu entrada no Hospital Vida, localizado na Jatiúca. No dia 12, às 14h10, a jovem foi dada como morta. Na certidão de óbito consta que ela morreu devido a infecção renal. Desde então, Débora Isis está dentro de um caixão, mas a família se nega a fazer o enterro.

"Antes de ir para o HGE, ela foi para o Hospital IB Gato Falcão. Lá eles aplicaram um soro sedativo e depois disso a menina começou a convulsionar e foi transferida para o HGE. Lá constataram infecção intestinal, urinária e generalizada. De lá, ela estava quase em coma quando foi transferida para o Hospital Vida, onde atestaram o óbito dela no domingo", disse o irmão Davi César Mendes, 15 anos, que também diz acreditar que a menina está viva.

Em entrevista ao G1, a mãe disse que a família tem histórico de catalepsia, um fenômeno que deixa a pessoa em um estado que pode ser confundido com a morte. Teresa afirmou que ela própria já passou por isso, quando tinha dois anos.

"Esse problema acontece na família. Quando deu um ataque em mim, eu tive uma dor muito forte na perna e eu fiquei assim, só retornei depois de quatro dias. Esse problema está se agravando e vem acontecendo na família", diz Teresa Cristina (veja no vídeo abaixo).


Mãe explica que família tem histórico de catalepsia, por isso crê que filha não morreu
Os moradores da região também dizem acreditar que a jovem está viva. "Eu acredito em um Deus vivo. É uma menina evangélica. A mãe dela não é louca. Ela não está fedendo. É capaz de ela se levantar dali para mostrar a muita gente que Deus existe", relata.

Ailton Gabriel dos Santos, 43 anos, esteve na casa de Débora e fez uma oração com a família nesta manhã. Ele afirma que viu a menina chorar.

"Quando a gente estava orando, a lágrima dela desceu. O irmão dela pegou na mão dela, e ela apertou. Colocaram algodão em todos os lugares, não era para terem colocado. Isso aí que está acontecendo é milagre de Deus. Eu creio no Deus do impossível", diz um vizinho da família.
Corpo de jovem foi preparado para sepultamento em Rio Largo, AL, mas mãe acredita que ela ainda está viva e se nega a enterrá-la (Foto: Suely Melo/G1)
"Vamos verificar se está em óbito. E se for comprovado que o hospital liberou este corpo sem óbito, vamos responsabilizar o hospital. Vou instaurar procedimento de investigação", disse o delegado.

O promotor de Justiça Magno Alexandre Moura, da 2° promotoria da cidade, esteve na casa de Débora Isis e disse para a imprensa que acredita que ela está morta.

"Nós vamos conversar com a mãe da falecida para saber das dúvidas dela, pois aqui já podemos ver que a menina está falecida. A menina passará pelo exame de catalepsia e por um parecer médico do IML. Mas, aparentemente, a pessoa está morta e precisa ser enterrada", disse.
Declaração de óbito da jovem tem data de 12 de novembro de 2017; mãe afirma que ela não está morta e pede novos exames (Foto: Suely Melo/G1)

Fonte - G1/Alagoas