Por Celso Alonso

Justificativa para a exoneração de Gomes da Administração de Santa Maria foi o noticiado na imprensa, mas, outros motivos desencadearam a sua queda do comando administrativo local. 

Resultado de imagem para miro gomes

O caso que abalou politicamente Santa Maria no último mês foi a exoneração do então administrador Almir Gomes Nogueira após ser denunciado por uma funcionária por supostamente ter cometido crime de assédio sexual, fato esse, segundo a suposta vítima, ocorrido no início do ano e que causou uma verdadeira tempestade na cidade. Mas, outros motivos já denunciavam que a saída de Miro do comando administrativo local seria iminente e dificilmente deixaria de acontecer num período próximo. 

Entre os motivos, além do suposto assédio, as constantes trapalhadas administrativas e intervenções da madrinha política da cidade, deputada Jaqueline Silva na rotina da Administração Regional, deixando claro a sua autoridade dentro do órgão, foram fundamentais para a exoneração de Miro. 

O ex-administrador ostentava a antipatia por grande parte das lideranças locais, imprensa, dos moradores ao demonstrar autoritarismo e nem sempre promover o diálogo com a comunidade, visando solucionar os vários problemas existentes. Miro demostrou duas personalidades, antes e depois de assumir o comando local, sempre escorado à sombra de Jaqueline Silva que de fato, era quem ditava as suas ações. Para confirmar, Gomes sempre esteve ligado a atual deputada. Foi Conselheiro Tutelar eleito graças à intervenção dessa, que saiu de porta em porta pedindo voto para ele. Durante sua gestão no Conselho, esse não teve boa atuação e foi alvo de várias críticas. 

Uma das principais trapalhadas de Miro a frente da administração local e que deu início ao seu fatídico destino, aconteceu em junho quando discutiu e ofendeu uma idosa ao acompanhar o corte de arvores na QC 2 da cidade, após a mesma denunciar um caso envolvendo uma tentativa de estupro nas imediações devido a escuridão, solicitando que a Administração Regional instalasse mais postes de iluminação nas ruas próximas a sua residência. Acompanhado de uma equipe do órgão, Miro se deslocou para o local para o cortar as árvores da praça (Pau Brasil e Ipê), foi quando a senhora interveio e tentou impedir a ação. Em vídeo, Miro ao justificar o corte, rebate a idosa ao dizer que estava cortando as árvores a pedido da mesma, pois essa teria afirmado que foi estuprada duas vezes no local e diante da situação essas seriam cortadas, o que aconteceu. A discussão viralizou negativamente nas redes sociais, demonstrando o despreparo e destempero do então administrador. 

Após o fato, em conversa com um jornalista local, Miro afirmou que “isso não daria em nada” e começou a ostentar firmeza no cargo, deixando claro que a “sua queda jamais aconteceria”, tendo em vista a suposta força política de Jaqueline junto ao GDF. Continuando assim, segundo lideranças, a “postura ditatorial dentro da administração”. 

Segundo fontes, a regra na Administração de Santa Maria era “depreciar e denegrir” todos aqueles que discordasse de alguma forma das ações do executivo local, bem como da deputada madrinha da cidade. Assim, lideranças, imprensa e pessoas simples da comunidade começaram a ser difamadas nas redes sociais ao discordarem da forma administrativa imposta a pedido e Miro, por pessoas ligadas diretamente à Administração local e a própria deputada Jaqueline Silva, muitos desses servidores do próprio órgão. 

Em várias ocasiões a própria deputada chegou a ser alertada dos acontecimentos, mas, nada fez para mudar a situação e apesar das constantes intervenções, fossem elas amigáveis, extras ou judiciais, os ataques difamatórios continuavam cada vez mais incisivos, chegando ao ponto de expor pejorativamente muitos desses. Prova disso foi outro fato lamentável aonde, por ordem do administrador, duas instituições assistenciais que funcionam há décadas em espaços públicos foram notificadas a desocuparem os locais sobre o argumento de que estariam fazendo “politicagem” e não ação social, bem como do alto valor financeiro para a Administração Regional manter essas ações. O mais interessante é que a desocupação não teve qualquer aparo e parecer do judiciário para acontecer, ou seja, foi uma determinação unilateral do próprio órgão. O fato foi matéria nos principais meios de imprensa local e do DF. 

Miro se mostrava cada vez mais solidificado e protegido no cargo. Nada era capaz de atingi-lo. Isso até a servidora leva-lo à Polícia Civil. Ela apresentou prints de conversas e relatou situações recorrentes. Entre o fato concreto, segundo relato da servidora, por determinação de Amir Gomes Nogueira, essa passou a ser monitorada por supostamente atuar como “X9” dentro da Administração Regional, ou seja, vazar informações de obras a serem realizadas pelo órgão. “O que o órgão teria a esconder sobre as obras a serem realizadas na cidade. Será que havia algo de ilícito para que a comunidade não pudesse saber antecipadamente? ”, perguntou uma liderança. 

Ao invés de tentar resolver de forma pacífica a situação, o então administrador fez ao contrário, realizou uma reunião em seu gabinete e determinou que naquele momento todos os celulares particulares dos servidores seriam confiscados pelos seus aliados para que fossem vistoriados, afim de que pudessem “encontrar o tal X9”, sendo que na verdade, segundo a vítima, alvo era ela, ou seja, “Miro almejava desmoraliza-la na frente dos demais servidores”. Mas, a servidora além de outros se recusaram a entregar seus aparelhos telefônicos e o caso vazou para as redes sociais, o que agravou ainda mais a situação de Miro no comando do executivo local. 

Comenta-se entre as lideranças locais e principais blogueiros do DF que, mesmo diante da gravidade dos fatos, do desastre político que se avizinhava e sabendo da insustentabilidade de Miro no cargo, pois, já era certa a sua exoneração diretamente pelo governador, a deputada e madrinha de Santa Maria, teria encaminhado ao GDF solicitação de afastamento temporário por motivos de saúde e nomeação interina do atual Chefe de Gabinete, visando aguardar a normalização da situação (“abaixar da poeira”) para a volta de Miro ao comando da cidade. Prova disto é que tão logo o suposto escândalo sexual e coação veio à tona, Almir Gomes tirou licença médica e desde então, não foi mais visto na cidade. 

Mas, a tentativa de afastamento não deu certo e o Governador em exercício Pacco Brito, não teria aceitado o argumento de Jaqueline Silva e exonerou de forma definitiva o então administrador. Posteriormente e de forma natural, nomeou interinamente o Chefe de Gabinete Erivaldo Alves para comandar a administração local até a chegada de Ibaneis Rocha que estava em viagem fora do país. 

Pelo que tudo indica e diante da insatisfação de parte das lideranças locais pela atual situação política que se instalou em Santa Maria no último ano, a tendência e de que Ibaneis Rocha nomeie um corpo administrativo de sua confiança e não mais apadrinhado de político. 

Conhecendo a postura do governador, algumas lideranças apostam que se Jaqueline Silva quiser o comando administrativo de Santa Maria, terá que abdicar do cargo de deputada e assumir ela mesma a Administração Regional, o que muitos duvidam que possa acontecer. Mas, se tratando de política todas as possibilidades são consideradas e a cidade vive um clima de indefinição até o bater do martelo do GDF de forma quem sabe, definitiva. 

Fonte - Satélite Notícias