Golpista preso em hotel de luxo do DF prometia fabricar dinheiro com mágica

Acusado de golpes em várias partes do país, Evenilson da Silva levava vítimas a acreditar que ele poderia multiplicar quantias vultosas


Investigado em estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e apontado pelas autoridades como um dos golpistas mais habilidosos do país, Evenilson Pereira da Silva, 49 anos, foi preso em um hotel de luxo no centro de Brasília na última semana. Ele e o comparsa se tornaram alvos de uma operação da 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), após se passarem por investidores. A dupla usava documentos de pessoas mortas. As artimanhas de Evenilson para enganar as vítimas vão além. Em outras ocasiões, o estelionatário chegou a iludi-las ao afirmar que poderia “multiplicar dinheiro”.

Tanto Evenilson quanto o comparsa já ganharam as ruas. Foram soltos na quinta-feira (07/05), dois dias após a prisão, depois de passarem por audiência de custódia no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Investigadores da 5ª DP apuraram a participação do falsário em golpes milionários aplicados contra vítimas abastadas, como grande empresários e fazendeiros, na última década.

Criminosos usaram o nome de homem que morreu em 2015 - Arquivo

Evenilson Pereira da Silva, acusado de estelionato, preso em Brasília - Reprodução

O primeiro grande estelionato praticado por Evenilson ocorreu em novembro de 2011, contra dois irmãos pecuaristas, na cidade baiana de Vitória da Conquista. Na ocasião, o prejuízo foi de R$ 1 milhão – o golpista usou a história do “dólar negro”.

Por meio dessa estratégia, o criminoso convencia pessoas a adquirir volume de moeda estrangeira até 10 vezes superior ao aplicado em reais. Foi o que teria acontecido com os empresários baianos, que, atraídos pelos estelionatários, pensaram estar levando vantagem e entregaram a quantia de R$ 1 milhão em troca de pacotes com os supostos dólares.

Para tentar passar credibilidade ao “negócio”, os bandidos alegaram ter recebido o montante de fugitivos estrangeiros que, por não estarem legalizados no Brasil, não poderiam utilizar o dinheiro em território nacional.

Ostentando alguns pacotes, os fraudadores mostraram pequenas quantidades em dólar verdadeiro – nos demais embrulhos, que permaneceram lacrados, continham apenas papéis pintados em preto. Os irmãos só perceberam a dimensão do golpe quando os estelionatários já estavam na estrada, em direção a Vitória da Conquista, pela BR-116. Acionada, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) conseguiu interceptar o carro dos suspeitos. A mala com R$ 1 milhão em espécie estava no bagageiro do veículo e foi recuperada.

O caso mais notório praticado por Evenilson ocorreu em março de 2016, em Belém, no Pará. Ele conseguiu convencer uma pessoa a investir R$ 350 mil em um esquema inacreditável: o falsário garantia ser capaz de “multiplicar o dinheiro”. O crime é conhecido no Nordeste como “golpe da viola”. Na ocasião, o trapaceiro apelou diretamente à ganância das vítimas e se apresentou como servidor da Casa da Moeda.

O golpe consistia em levar o interessado a acreditar que qualquer quantia poderia ser duplicada por meio de processo químico. De acordo com as diligências policiais, Evenilson contava ao empresário enganado ter material para clonar R$ 350 mil. Ao final dessa etapa, o estelionatário devolveria o montante investido e mais 50%, sendo que os outros 50% clonados seriam a comissão dele. Para convencer a vítima a aplicar tanto dinheiro, bem como a fim de dar segurança de que as cédulas seriam réplicas perfeitas, o falsário começava a atuação: abria uma maleta, tirava algumas ferramentas e produtos químicos.

O material era colocado numa caixa de isopor e misturado. Depois, duas chapas de vidro com dinheiro de verdade eram levadas ao compartimento para efetuação do mecanismo de duplicação, que, segundo Evenilson, durava 20 horas. Após esse período, que a vítima nunca acompanhava, o golpista entregava muitas cédulas – supostamente clonadas – e pedia que o montante fosse testado no Banco Central.

O homem seguiu a recomendação e, como se tratava de dinheiro legítimo, pensou que a técnica daria certo. Foi quando a primeira vítima fez contato com a segunda, que concordou em entregar R$ 350 mil. A Polícia Civil foi acionada e fez a prisão do falsário.

Em 2017, Evenilson foi preso em Corumbaíba (GO), perto de Caldas Novas, um dos dos destinos turísticos mais procurados pelos brasilienses. Lá, o fraudador acusado de integrar uma organização criminosa responsável por golpes financeiros em vários estados também estava com uma mala com R$ 1 milhão e hospedado em um hotel às margens da GO-139. Ele ainda tentou subornar policiais militares.

Prisão no DF

Em mais uma investida, Evenilson e José Lúcio Antunes Costa foram surpreendidos pela polícia no Setor Hoteleiro Sul, na terça-feira (05/05), no momento em que tentavam aplicar um golpe em empresários de João Pessoa (PB). Após a prisão, os criminosos informaram aos advogados que estavam com sintomas do novo coronavírus, o que não foi confirmado.

Os estelionatários reservaram quartos em um hotel de luxo e pagaram em dinheiro — cerca de R$ 2 mil. O comportamento da dupla, porém, chamou a atenção dos funcionários, que acionaram a Polícia Civil. Os investigadores fizeram uma apuração preliminar e descobriram que um deles usava o nome de uma pessoa que faleceu em 2015. Ambos foram detidos e autuados em flagrante.

Diante da denúncia, as equipes da PCDF foram até o local. No saguão do hotel, os policiais abordaram José Lúcio Antunes Costa, que mostrou identidade falsa. Hospedado na suíte presidencial, Evenilson prontamente atendeu a porta e se apresentou como Francisco. O suspeito chegou a entregar um documento aos agentes.

Os investigadores, no entanto, questionaram Evenilson e, em seguida, afirmaram que eles eram falsários. Explicaram que o verdadeiro Francisco morreu há cinco anos. O fraudador, então, revelou a identidade.


Fonte - Metrópoles
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