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Fundos do Iprev-DF têm R$ 6,3 bilhões aplicados; rendimento é usado para pagamentos

O instituto tem uma espécie de “caixa” dos aposentados. No ano passado, a CLDF autorizou uso dos rendimentos para cobrir déficit


RAIMUNDO SAMPAIO/ESP. METRÓPOLES

Apesar da dificuldade do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) em fechar a folha de pagamento dos aposentados e pensionistas, o órgão tem dois fundos – uma espécie de caixa dos aposentados – acumulam patrimônio de R$ 6,3 bilhões, segundo relatório da carteira de investimentos do mês de novembro de 2025.

No total, R$ 4,2 bilhões estão no Fundo Solidário Garantidor (FSG) e mais R$ 2,1 bilhões pertencem ao Fundo Capitalizado (FC).

Esse dinheiro está aplicado em diferentes investimentos de renda fixa e renda variável. Em setembro de 2025, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) autorizou o GDF a utilizar até 100% dos rendimentos mensais do FSG para cobrir o déficit no pagamento da folha dos aposentados e pensionistas da capital da República.

No ano passado, os rendimentos que somaram aproximadamente R$ 500 milhões foram repassados para a conta do Iprev-DF.

Como mostrou o Metrópoles nesta quinta-feira (22/1), a Diretoria de Administração e Finanças do Iprev-DF comunicou à presidência uma previsão de déficit de R$ 2 bilhões – o que significa que a arrecadação com as aposentadorias têm sido insuficiente para pagar as despesas.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que o déficit tem diferentes motivos e não ocorre somente na capital do país. “Estamos promovendo os ajustes necessários. O déficit tem vários componentes. Basta olhar o rombo da previdência em âmbito federal e nos demais estados. Uma reforma da previdência é essencial para o equilíbrio. Mas certamente isso só será tratado após as eleições”, disse Ibaneis.

Rombo agravado pela crise

As contas do Iprev não fecham há anos e tiveram o cenário agravado após movimento que começou em 2015. Naquele ano, o instituto teve de abrir mão de quase R$ 2 bilhões após Rodrigo Rollemberg (PSB) sacar os valores para fechar as contas do governo. As reservas do Iprev, até então, eram superavitárias.

Para recompor parte do dinheiro retirado dos aposentados do DF, o então governador anunciou a transferência de ações do Banco de Brasília (BRB) ao Iprev, em 2017.

As ações do instituto sofreram desvalorização e caíram ainda mais após a tentativa do BRB de comprar o Banco Master. Os papéis, segundo avaliação feita à época pelo GDF, valiam R$ 531,4 milhões. Hoje, essas mesmas ações, impactadas pela depreciação sofrida com o caso do Banco Master, são avaliadas em cerca de R$ 406,5 milhões. Ou seja: em números brutos, o prejuízo gira em torno de R$ 124,8 milhões.

Mas quando se atualiza os R$ 531,4 milhões que o GDF repassou ao Iprev em ações do BRB, o rombo é assustador. Se o instituto tivesse feito aplicações em investimentos de renda fixa ao invés de lançar a sorte na renda variável, poderia ter lucrado mais de R$ 470 milhões.

Em estimativas conservadoras e levando-se em conta a taxa acumulada do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), hoje os R$ 531 milhões valeriam mais de R$ 1 bilhão, considerando-se 100% do CDI. A projeção é feita pelo Banco Central, na página da Calculadora do Cidadão.

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