Sindicato alerta para risco de desequilíbrio econômico e defende adesão voluntária das revendas ao programa
Rafaela Felicciano/Metrópoles

O programa federal Gás do Povo, criado para garantir acesso ao gás de cozinha a famílias em situação de vulnerabilidade, inicia nesta semana sua operação em novas capitais brasileiras, entre elas Brasília.
A medida também despertou apreensão ao Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás LP do Distrito Federal (Sindvargas), que aponta riscos de desequilíbrio econômico no modelo adotado.
A entidade afirma que experiências em outras cidades “já revelaram dificuldades financeiras e operacionais”, já que os preços praticados pelo programa continuam inferiores à média regional divulgada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), mesmo após ajustes previstos.
Outro ponto de tensão é o reajuste do ICMS sobre o GLP, em vigor desde 1º de janeiro. Segundo o sindicato, o aumento foi imediatamente absorvido pelas revendas, sem que houvesse atualização nos valores repassados pela Caixa, responsável pela operacionalização do programa.
Essa defasagem, segundo o sindicato, amplia o risco de inviabilidade para as empresas que aderirem.
“O setor apoia medidas voltadas às famílias em vulnerabilidade, mas é essencial que haja equilíbrio econômico para quem presta o serviço. Sem ajustes e diálogo, o programa pode não se sustentar”, afirma Sérgio Costa, presidente do sindicato.
Com a chegada da iniciativa ao Distrito Federal, o Sindvargas reforça que a participação das revendas deve ser voluntária e condicionada a critérios de precificação compatíveis com a realidade local.
Caso contrário, a adesão pode ser limitada, comprometendo tanto a sustentabilidade das empresas quanto a efetividade do programa Gás do Povo.
