Brasília, 24 de fevereiro de 2026 – Com a iminência do período chuvoso, o Distrito Federal reforça suas estratégias de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, zika, febre amarela e chikungunya. A Secretaria de Saúde (SES-DF), por meio da Vigilância Ambiental, intensifica as ações para conter a proliferação do mosquito, que encontra na água acumulada o ambiente ideal para sua reprodução. A sazonalidade da doença na região, que se manifesta com maior intensidade entre outubro e maio, exige atenção redobrada das autoridades e da população.
Recentemente, equipes da Vigilância Ambiental estiveram na quadra 508 de Samambaia Sul, realizando vistorias domiciliares e oferecendo orientações cruciais aos moradores. Essa iniciativa é fundamental para mapear os índices de infestação e direcionar as ações de combate de forma mais eficaz.
Sofia Quaresma, agente de vigilância ambiental (Ava), enfatiza a endemicidade da dengue no DF e como as chuvas potencializam o problema. “Muitas pessoas acreditam que suas casas estão limpas, mas um pequeno acúmulo de água em um balde, em um ralo pouco utilizado ou até mesmo no motor da geladeira é suficiente para a reprodução do mosquito. Nossas visitas servem para reforçar os cuidados e apontar locais que o morador nem sempre percebe”, explica Quaresma.
Durante uma dessas visitas, na residência de Conceição de Maria Araújo, de 64 anos, foram identificados recipientes com água da chuva acumulada, um deles contendo larvas que foram coletadas para análise. A moradora expressou sua gratidão: “É muito bom ter esses profissionais para nos orientar. Agora ficarei mais atenta”.
Giselle Melo, chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental de Samambaia, destaca a importância da colaboração popular. “Costumo dizer que 50% do resultado vem da orientação do agente e os outros 50% da prática do morador. Dedicar alguns minutos semanais para verificar o quintal, vedar caixas d’água e eliminar focos de água parada é decisivo para quebrar o ciclo do mosquito”, ressalta Melo.
Em 2025, a Vigilância Ambiental em Saúde mobilizou mais de 360 servidores, que visitaram cerca de 1,8 milhão de residências no Distrito Federal. Foram notificadas aproximadamente 25 mil ocorrências suspeitas de dengue, resultando em 12 mil casos prováveis. Este número representa uma significativa redução de 96% em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram registrados 278 mil casos prováveis na capital federal.
Até a Semana Epidemiológica 05 deste ano, foram registrados 1.132 casos suspeitos de dengue entre residentes do DF, com 616 casos prováveis e sete confirmados.
Os Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental em Saúde da SES-DF desempenham um papel crucial na prevenção e controle de fatores ambientais que afetam a saúde pública. Suas atividades incluem o monitoramento de riscos de zoonoses, o controle de vetores, a análise da qualidade da água e a implementação de ações educativas.
As ações de enfrentamento às arboviroses são contínuas e incorporam tecnologias avançadas. Entre as estratégias adotadas, destaca-se a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI), que cria uma barreira protetora nas paredes das residências. Em 2025, foram realizadas quase 60 aplicações da BRI.
Outra ferramenta eficaz são as estações disseminadoras de larvicidas (EDLs), que impedem o desenvolvimento do mosquito até a fase adulta. No ano passado, mais de 3,2 mil EDLs foram instaladas. As ovitrampas, armadilhas utilizadas para monitoramento da presença do mosquito, também tiveram um uso expressivo, com mais de 3,8 mil unidades instaladas em 2025.
A SES-DF também utiliza drones para mapear áreas críticas, realizando varreduras em 22 regiões administrativas, cobrindo mais de 2,1 mil hectares e identificando cerca de 3 mil potenciais criadouros.
Uma frente inovadora é a liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão dos vírus da dengue. O programa registrou a liberação de aproximadamente 13 milhões desses mosquitos no DF, representando um avanço promissor no controle da doença.
No próximo mês, os agentes de vigilância ambiental receberão 683 tablets, um passo importante para a digitalização do registro das atividades. Essa modernização agilizará o serviço e reduzirá o risco de perda de informações, otimizando o trabalho em campo.
Em relação à vacinação, quase 222 mil doses da vacina contra a dengue foram aplicadas em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos no Distrito Federal. O imunizante está disponível na rede pública. Considerando todos os públicos nas redes pública e privada, cerca de 312 mil doses foram aplicadas, reforçando a proteção da população contra a doença.
Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
