Por Míriam Leitão
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O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — Foto: Fotos de Ana Paula Paiva/Valor e Brenno Carvalho/O Globo
A negativa do ministro Alexandre de Moraes de que tenha trocado mensagens com Daniel Vorcaro não é crível. Estão nas publicações feitas pelo blog de Malu Gaspar e pelo jornal O GLOBO os prints do diálogo entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Só ter havido um diálogo, qualquer um, já seria grave, pelo fato de existir um contrato de prestação de serviços de advocacia entre o banqueiro e o escritório da mulher e dos filhos do ministro.
Esse contrato nem deveria ter existido, mas em existindo, o ministro deveria ficar longe dos clientes do escritório da sua família.
O diálogo ser por um método para evitar a recuperação, ou seja, por prints de visualização única é ainda mais sério. E a parte recuperada no bloco de notas de Vorcaro indicam que toda a conversa tinha um propósito.
Por isso, o melhor que o ministro Alexandre de Moraes tem a fazer é dar uma explicação direta sobre o que foi aquele diálogo, por que escolheu o caminho da visualização única. A negativa não se sustenta porque o número do ministro foi checado pelo GLOBO. O país tem o direito de saber o que foi aquela conversa.
No caso do Senador Ciro Nogueira há um fato concreto. Ele apresentou um projeto dos sonhos de Daniel Vorcaro, capaz de aumentar muito a capacidade de captar liquidez no mercado, ao estender para o nível absurdo de R$ 1 milhão a cobertura do FGC. Seria, se tivesse sido aprovada, uma tábua de salvação para Daniel Vorcaro que afundava na época em uma grave crise de liquidez, ou seja, não conseguia mais vender CDBs. O senador tem dito que não era amigo de Vorcaro. Esse fato é irrelevante. O que precisa de explicação, como disse aqui ontem, é por que apresentou essa proposta.
