Advogado goiano afirma que solicitou adaptação no TAF, mas acabou eliminado após não alcançar índice exigido no salto horizontal
O advogado goiano Matheus Matos, de 25 anos, afirma ter sido vítima de discriminação durante o Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Segundo ele, a eliminação ocorreu após não atingir o índice mínimo exigido em uma das provas físicas, mesmo após ter solicitado previamente adaptações em razão de sua condição como pessoa com deficiência.
De acordo com Matheus, o sonho de ingressar na carreira policial surgiu ainda no início da graduação em Direito, em 2019. Durante o processo seletivo da PCMG, ele conseguiu avançar por várias etapas do concurso. O candidato foi aprovado na prova objetiva, na etapa discursiva e também na prova oral, realizada em outubro de 2025.
A situação que ele considera injusta teria ocorrido justamente na fase seguinte do certame: o teste físico. Segundo o advogado, ele solicitou à banca organizadora do concurso, a Fundação Getulio Vargas (FGV), adaptações no TAF devido à sua condição de nanismo, o que, em sua avaliação, garantiria igualdade de condições na disputa.
Matheus afirma, no entanto, que o pedido não foi atendido pela banca organizadora. Sem a adaptação solicitada, ele acabou realizando o teste nas mesmas condições exigidas dos demais candidatos.
A eliminação ocorreu na prova de impulsão horizontal, que exigia um salto mínimo de 1,65 metro. Segundo o candidato, a meta estabelecida seria incompatível com suas condições físicas. Para ele, a falta de adaptação do teste acabou comprometendo a igualdade entre os participantes.
O advogado também relata que outros candidatos inscritos na modalidade de pessoas com deficiência teriam enfrentado dificuldades semelhantes durante a etapa física do concurso.
Debate sobre inclusão em concursos
O caso levanta novamente discussões sobre a aplicação das regras de inclusão em concursos públicos, especialmente no que diz respeito à garantia de adaptações razoáveis para candidatos com deficiência, previstas na legislação brasileira.
Especialistas em direito administrativo apontam que bancas organizadoras devem avaliar pedidos de adaptação caso a caso, garantindo que os candidatos tenham igualdade de oportunidades sem comprometer os critérios técnicos exigidos para o cargo.
Até o momento, nem a Polícia Civil de Minas Gerais nem a Fundação Getulio Vargas se manifestaram publicamente sobre as alegações apresentadas pelo candidato. O advogado avalia agora quais medidas jurídicas poderá adotar para questionar o resultado da etapa do concurso.
Veja:
