Insatisfação de policiais civis com atuação de parlamentares ligados à categoria reacende debate sobre representatividade e projeta novos nomes para a disputa eleitoral
O ambiente político dentro da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) tem sido marcado por um clima crescente de insatisfação entre parte dos servidores da corporação. Nos bastidores das delegacias e em conversas informais entre policiais, o debate sobre representatividade política voltou a ganhar força e começa a projetar novas lideranças para o cenário eleitoral do Distrito Federal.
Entre os nomes citados por integrantes da categoria está o de Tabanez, policial aposentado que construiu sua carreira operacional dentro da corporação e atuou na Divisão de Operações Especiais da PCDF (DOE). Para muitos agentes, sua trajetória é vista como um diferencial por estar diretamente ligada ao trabalho policial de campo, experiência que parte da base considera fundamental para representar os interesses da categoria.
A insatisfação também tem como alvo parlamentares que possuem histórico de ligação com a polícia civil e que atualmente ocupam cargos na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Entre os nomes citados nas críticas estão a deputada distrital Jane Klébia e o presidente da Casa, Wellington Luiz.
Segundo relatos colhidos entre policiais, existe a percepção de que parte da atuação política recente teria priorizado pautas institucionais do governo local, sediado no Palácio do Buriti, em detrimento de demandas diretas da categoria. Entre os pontos mencionados estão discussões envolvendo o sistema de crédito consignado e dificuldades financeiras enfrentadas por alguns servidores.
Ao buscar ouvir policiais que atuam diretamente nas delegacias e vivenciam a rotina da investigação e do atendimento à população, a reportagem encontrou um sentimento predominante de insatisfação entre parte da categoria. Nos relatos colhidos, o clima é de esgotamento e de cobrança por mudanças na forma como os interesses dos policiais civis têm sido representados. Entre conversas reservadas e desabafos nos corredores das unidades, muitos resumem o momento com uma palavra que tem se repetido com frequência: “chega”, um recado claro de que cresce entre esses profissionais a expectativa por uma representação mais alinhada às demandas da base da corporação.
Relato 1: O Delegado do “Sapatinho”
“Eu ocupo cargo de confiança, então meu apoio por enquanto é no silêncio do gabinete. Mas o sentimento é geral: fomos usados como escada. A Jane e o Wellington esqueceram de onde vieram assim que sentaram na cadeira estofada, e o Wellington não é de hoje. O Tabanez vem com um recall de 14 mil votos e, desta vez, a PCDF se for inteligente, vai em peso. Queremos alguém que tenha o DNA de CANA, que saiba o que é ser polícia de verdade, não quem faz acordo para se manter no poder.”
Relato 2: Agente Marinho, sem dizer o que se pensa, sem receio
“A gente cansou de ser moeda de troca. Ver representante nosso brigando por interesse de banco, de empresários, enquanto tem colega passando aperto é o fim da picada. O Tabanez é o cara que tem chances reais, sabe o que é trabalhar como um operacional raiz. Ele já mostrou que tem voto e que não está amarrado nesses acordos que só beneficiam a cúpula do GDF. Agora é ele, por uma questão de sobrevivência da categoria.”
Um delegado ouvido pela reportagem, que preferiu não se identificar por ocupar função de confiança, afirma que a categoria tem demonstrado frustração com a atuação política recente. Existe um sentimento de que a base da polícia precisa voltar a ter representantes que conheçam a realidade do dia a dia nas delegacias. Muitos colegas esperavam uma atuação mais firme em defesa da categoria”, relatou.
Entre agentes de investigação, o discurso segue linha semelhante. Um policial ouvido pela reportagem afirma que o desgaste político tem alimentado o debate interno sobre novas alternativas de representação. “O policial quer alguém que saiba o que é trabalhar na ponta. A discussão hoje dentro da corporação é justamente essa: quem realmente representa o policial civil”, afirmou.
Nesse contexto, o nome de Tabanez passou a circular com mais intensidade em conversas internas da categoria. Ele já disputou eleições anteriormente e possui base de apoio entre servidores da polícia civil, o que, segundo colegas, pode fortalecê-lo em um eventual novo projeto político.
Cenário em formação
Ainda é cedo para medir o impacto real desse movimento dentro da PCDF, mas o debate revela um ambiente de reorganização política entre policiais civis do Distrito Federal.
A avaliação entre integrantes da categoria é que, caso a insatisfação se consolide, o próximo processo eleitoral poderá refletir diretamente essa disputa por representatividade dentro da corporação, transformando a segurança pública também em um dos campos de disputa política no DF.
