
O Diário Oficial da União publicou a nomeação do delegado Fábio Alvarez Shor, da Polícia Federal (PF), para atuar como assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre após solicitação direta de Moraes à presidência da Corte, ocupada pelo ministro Edson Fachin. A transferência do delegado para o Poder Judiciário foi motivada pela proximidade profissional estabelecida durante a condução de inquéritos de grande repercussão nos últimos anos.
Fábio Alvarez Shor ganhou notoriedade ao liderar frentes investigativas sensíveis sob a relatoria de Moraes. Entre as principais atuações do delegado, destacam-se o inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado e as investigações sobre os atos de 8 de janeiro. Shor também foi o responsável por assinar o relatório que pediu o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, apontando a existência de uma organização criminosa com o objetivo de manter o antigo governo no poder de forma irregular.
Trajetória nas investigações e especialidade técnica
Especialista em contrainteligência, o delegado Fábio Alvarez Shor assumiu, em fevereiro de 2024, a chefia da Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da Polícia Federal. Sua equipe foi responsável por identificar planos de monitoramento contra autoridades, incluindo o próprio ministro Alexandre de Moraes. Além das questões políticas, Shor presidiu inquéritos sobre a suposta fraude em cartões de vacinação e o caso das joias sauditas.
A atuação de Shor na PF gerou críticas e embates diretos com parlamentares de oposição e advogados de defesa. Durante o processo de instrução das ações penais, defensores questionaram a precisão de relatórios produzidos pelo delegado, enquanto figuras políticas chegaram a sugerir sanções internacionais contra o servidor em virtude de sua linha de investigação.
Atribuições no gabinete do STF
Com a mudança de órgão, Shor passará a auxiliar Moraes diretamente na análise técnica de processos e inquéritos que permanecem sob a relatoria do ministro. A vinda de quadros da Polícia Federal para assessorar ministros do STF é uma prática fundamentada no auxílio especializado para casos que envolvem alta complexidade probatória e segurança institucional.
