Segundo a Corte de Contas, há indícios de riscos para os motoristas. O DER nega falhas ou prejuízo ao erário na Estrutural
Matheus Veloso/Metrópoles

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) investiga indícios de irregularidades na pavimentação da Via Estrutural, a DF-095. O governo investiu R$ 80 milhões para concretar o trecho. O tempo de vida útil divulgado para o pavimento era de 20 anos. Pouco mais de um ano após a conclusão da obra fissuras extensas surgiram ao longo da pista.
Veja:

Segundo o TCDF, o corpo técnico investiga possíveis falhas de planejamento e eventual uso de insumos inadequados, o que pode comprometer a segurança dos usuários da rodovia. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) negou irregularidades, problemas técnicos e disse que não houve prejuízo aos cofres públicos (leia mais abaixo).
Em 25 de março de 2026, o plenário da Corte determinou o prazo de 60 dias para o DER apresentar informações detalhadas sobre os reparos feitos no via Estrutural, com detalhes dos serviços realizados, cronograma, evolução das fissuras e ações preventivas contra infiltração de água.
O TCDF também cobrou a apresentação de avaliação técnica da proposta de reparo do Consórcio DF-095, contratado pelo DER para a execução da obra, com possível apoio das empresas CRG Engenharia e da ABCPCO, incluindo análise da necessidade de tratamentos complementares para vedar trincas e garantir a durabilidade do pavimento.
Em 2024, o TCDF determinou a suspensão dos pagamentos da obra após constatar “baixa qualidade” do concreto, em razão de irregularidades na pista, como ondulações. Uma inspeção, com auxílio da Polícia Federal (PF), constatou que trechos da Via Estrutural estão em desconformidade com critério técnico.
Outro lado
Segundo o presidente do DER, Fauzi Nacfur, a obra na Estrutural substituiu o asfalto flexível por concreto. De acordo com o gestor, ao final da execução dessa obra apareceram algumas trincas longitudinais em alguns trechos do pavimento.
“Isso é normal. Isso pode acontecer por diversos motivos técnicos. Quando acontece algumas obras de reparo podem ser feitas”, argumentou. A primeira delas, seria o enchimento das trincas com um material apropriado seguido pela selagem do local, como se fosse uma forma de costura. Neste caso, a marca fica sobre o pavimento.
“Não existe prejuízo para o erário. Porque todos esses valores estão sendo reparados pelo consórcio. Ainda está na garantia. E não existe maiores problemas técnicos. Porque as trincas já abriram e não estão evoluindo. Já foi de detectado o motivo. Está tudo sob controle. O único impacto é visual. E realmente é feio”, justificou.
