Federação ignora crise no futebol do DF e recria a terceira divisão do Candangão

Presidente promete fazer campeonato "mesmo que haja só dois times"



Serejão em dia de portões fechados: primeira divisão sofre com a precariedade de estádios interditados

A Federação Brasiliense de Futebol (FBF) oferece uma oportunidade única aos clubes desaparecidos das competições do Distrito Federal: disputar a Série C do Candangão. Os interessados em participar de um torneio com estádios fechados ao público devem se apresentar ao conselho arbitral marcado para esta sexta-feira, levando dados cadastrais regularizados. Mas a exigência da FBF em requerer de cada time um local de jogo pode afugentar os cartolas.

Saiba mais
Gama apresenta novidades em primeiro treino de olho na quarta divisãoA ressurreição do campeonato, disputado de 2006 a 2010, surge no auge da decadência do futebol candango, que se arrasta há quase um ano. Em agosto de 2014, Bolamense, Brazlândia, CFZ, Dom Pedro e Planaltina abandonaram a segunda divisão antes mesmo do início do torneio. O motivo? Falta de recursos estruturais e financeiros para a competição, que duraria um mês.

Bandeirante, Botafogo-DF, Cruzeiro, Guará, Paranoá e Samambaia jogaram a divisão de acesso, mas com portões fechados. Em julho, a 4ª Vara de Fazenda Pública proibiu 10 estádios de receberem partidas por não se adequarem ao Estatuto do Torcedor. O veto até hoje afasta o torcedor das arenas. Nem mesmo a primeira divisão deste ano foi aberta ao público: apenas Bezerrão, Mané Garrincha e Serejão — esse último, a partir da 11ª rodada — receberam espectadores, e os laudos que impediram a venda de ingressos ainda estão pendentes.

A retomada do torneio pode reacender a insatisfação dos dirigentes de clubes brasilienses com a participação de equipes goianas e mineiras no futebol local. Times do Entorno do DF — como Atlético Cristalinense, Grêmio Desportivo Valparaíso e Sport Club União, de Paracatu (MG) — têm a chance de disputar a terceirona, caso se interessem e regularizem a situação na FBF. Apesar de inativos em relação à entidade, esses clubes constam do registro da CBF.

O presidente da federação, Jozafá Dantas, minimiza a indefinição sobre a quantidade de clubes participantes da terceirona. “Faremos o campeonato. Mesmo que haja só dois times interessados”, avisa. O mandatário “soube que há clubes que querem retornar”, mas nenhum dirigente manifestou vontade em inscrever equipes até o momento. A competição pode, assim, não passar de um projeto da entidade.

Impasse

A reabertura do campeonato é motivo de uma polêmica que afeta, inclusive, a segunda divisão. Isso porque o clube Aruc, inativo há 10 anos, e o Planaltina Esporte Clube, parado há 19 anos, obtiveram liminares para regressar ao futebol diretamente na Série B candanga. O estatuto da federação estabelece, no entanto, que os clubes ausentes das competições locais por pelo menos dois anos devem retornar na terceira divisão.

O impasse adiou por duas vezes o conselho arbitral da segundona, marcado novamente para esta quinta-feira. A Série B deve começar na última semana de julho, com previsão de 11 times.

“Se esses times inativos há muito tempo voltarem desorganizados, não vale a pena”, ressalta o atacante Cássius, que disputou a elite do Candangão deste ano pelo Ceilândia. O jogador é o único artilheiro das três divisões do DF, por Vinte e Seis, Legião e Ceilândia.


Fonte - Superesportes

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