Pais de João Roberto se emocionam ao saber de condenação

Pai chorou no corredor do fórum e mãe soluçou em seus braços. Ex-Policial foi condenado a 18 anos de prisão pela morte da criança.



A decisão do júri pela condenação do ex- policial William de Paula emocionou os pais do menino João Roberto. Assim que souberam da decisão do júri, os advogados da família da criança, morta em 2008 durante ação do policial, subiram até o auditório do tribunal pra dar a notícia. O primeiro a saber foi o pai -- que, absolutamente emocionado, ficou chorando no corredor. A mãe, avisada em seguida, abraçou os advogados e depois soluçava nos braços do marido.

“Foi muito difícil, a gente está nessa luta há quase sete anos. Foi uma decisão muito esperada por toda a família. Essa condenação é o reconhecimento de que meu filho existiu, que ele estava ali, de que ele foi morto por alguém e que esse alguém está sendo punido pelo erro que cometeu. Isso para a gente é muito importante, faz toda a diferença para a gente poder prosseguir. Acho que vou chegar em casa e dizer aos meus filhos e dizer que estou muito feliz. Depois de sete anos eu estou muito feliz”, afirmou Alessandra Soares.

O julgamento durou mais de dez horas. Os jurados ouviram e avaliaram as duas versões de uma mesma história. A primeira a falar no tribunal foi Alessandra, mãe do menino João Roberto. Depois, foi a vez do réu. Os advogados de defesa tentaram convencer o júri de que o ex-policial agiu em legítima defesa, imaginando que estava sendo atacado por bandidos. Já o promotor do Ministério Público sustentou que William agiu com intenção de matar, sem saber ao certo quem estava no carro.

O menino João Roberto foi morto em 2008, na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Segundo o inquérito, William de Paula e o ex-soldado Elias Gonçalves da Costa confundiram o carro da mãe de João com o carro de bandidos, que estavam assaltando na região. O menino, que tinha apenas três anos, estava no banco de trás e foi baleado na nuca. De acordo com a perícia, o carro foi atingido por 17 tiros. Após o crime, os dois policiais foram expulsos da PM.

No fim da noite, os sete jurados seguiram pra sala secreta. E Pela maioria dos votos consideraram William de Paula culpado por homicídio doloso duplamente qualificado - aquele em que há intenção de matar -- e por tentativa de homicídio -- já que Alessandra e o filho menor também estavam no carro.

O ex-policial foi condenado a 18 anos de prisão em regime fechado. Na sentença, o juiz Jorge Luis Le Cocq d'Oliveira, disse que William tem perfil desajustado e citou um outro processo que investiga o envolvimento do ex-PM com milícias.

Esse foi o segundo julgamento do caso. O primeiro aconteceu em dezembro de 2008, quando os dois policiais foram absolvidos da acusação de homicídio doloso. O Ministério Público recorreu da decisão, dizendo que a decisão do júri contrariava as provas da perícia. No fim do julgamento, vestindo uma camiseta com a foto do filho, e ainda muito emocionada, Alessandra disse que depois de muito tempo vai conseguir dormir em paz.



Fonte - G1/Rio

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