Novo secretário de Saúde sofre críticas por não ser médico e pelas origens políticas

Gondim responde a uma denúncia de improbidade administrativa pela suposta negação de informações para o portal de transparência local

Francisco Dutra
Especial para o Jornal de Brasília

Francisco Dutra

Especial para o Jornal de Brasília

Com o discurso de que o remédio para a crise da Saúde Pública do Distrito Federal é a gestão correta, Rodrigo Rollemberg anunciou ontem a escolha de Fábio Gondim para secretário de Saúde. Todavia, a indicação repercutiu negativamente, pois a experiência administrativa de Gondim não ocorreu na área médica e seu passado político se liga ao PT e à família Sarney. Como resultado, servidores da saúde protestaram e na Câmara Legislativa foi possível identificar sinais de insatisfação, inclusive na base aliada.

Consultor do Senado e especialista em orçamento público, o substituto de João Batista de Sousa tem 47 anos e nasceu em Brasília. Gondim participou do governo de Roseana Sarney no Maranhão — e ele mesmo contou que é um dos responsáveis pela regularidade das contas públicas do estado. Responde a uma denúncia de improbidade administrativa pela suposta negação de informações para o portal de transparência local. 

Cunho político

Segundo Gondim, esta denúncia tem cunho político e partiu do atual governo do Maranhão, que é rival da familia Sarney. Ele espera provar que tudo não passa de um “equívoco”. No ano passado, Gondim se candidatou a deputado federal pelo PT, sem êxito. Antes de regressar ao DF, o servidor se desfiliou da legenda. Ciente da péssima avaliação da população em relação ao último governo do PT no DF, o novo secretário afirmou que estará aberto ao diálogo e prometeu uma gestão técnica e apartidária, em nome do “partido da Saúde”.

A despeito das polêmicas, o governador definiu três missões para Gondim. Em primeiro lugar, ele espera a melhoria dos processos administrativos e valorização dos servidores. “O foco tem que ser as pessoas”, sintetizou Rollemberg. A segunda é a descentralização da rede pública. E mesmo diante das dificuldades financeiras, o governo espera uma ampliação expressiva da atenção primária. 

Gondim assume a pasta durante uma série de crises, a exemplo dos casos da bactéria KPC, falta de insumos e a divulgação da gravação de uma tumultuada reunião entre o ex-secretário e servidores. 

Câmara reage com cautela e preocupação

”Vejo com muita preocupação. Não sei quais são os compromissos dele com a saúde de Brasília”, comentou o deputado distrital Raimundo Ribeiro (PSDB) sobre a indicação de Fábio Gondim para a pasta da Saúde. A preocupação do parlamentar governista aumentou ao saber que o novo secretário possui laços com PT. “O PT foi reprovado nas urnas do DF”, cravou.

Nos bastidores, comenta-se que deputados e servidores articulavam fortemente para a indicação de outros nomes para o posto, inclusive do PSB. Por isso, longe dos holofotes, o anúncio de Gondim foi visto como um balde de água fria. “Para nós da oposição, vai sobrar discurso. Será que o governo não conseguiu enxergar nenhum nome técnico ou político do DF?”, declarou o distrital Wellington Luiz (PMDB).

Sindicato reage

A presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues, foi categórica: “Não vejo com bons olhos. Porque é uma pessoa que desconhece a verdadeira história da saúde de Brasilia, não conhece a história do servidores, não sabe como funciona a engrenagem de um hospital. As coisas não são tão simples de se responder só com uma palavra”, disparou. Para Marli, a saúde não apresenta problemas lineares que dependam apenas de gestão.

Mas há vozes públicas favoráveis à indicação de Gondim. O líder do governo na Câmara, deputado Julio César (PRB), defende a escolha do governador. O parlamentar comentou que foi secretário de Esporte no governo passado mesmo sem experiência na área e atingiu resultados expressivos durante sua administração.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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