Massageadores cardíacos do Samu estão sem manutenção há 3 meses

Autopulse substitui massagem cardíaca manual feita por socorristas. Empresa não aceitou revisão de reajuste e do contrato, diz secretaria.

Autopulse com life band utilizado em viaturas do Samu para reanimar pacientes (Foto: Samu/Divulgação)

Por falta de contrato, um tipo de equipamento usado para reanimar pacientes em viaturas do Samu do Distrito Federal – o autopulse – está sem manutenção desde maio deste ano. O Samu tem um equipamento em cada uma de suas 38 ambulâncias e mais 12 de reserva. O aparelho substitui a massagem cardíaca manual feita por socorristas.

De acordo com o diretor do Samu, Rodrigo Caselli, o autopulse é usado duas vezes por dia, em média. Por ano, o Samu atende 740 paradas cardíacas. Ele afirma que o autopulse não é essencial para o atendimento de cardíacos, mas é uma ferramenta mais eficiente do que a massagem manual.

A Secretaria de Saúde afirma que o contrato de manutenção do autopulse não foi renovado porque a empresa prestadora de serviço não aceitou a revisão do reajuste proposto e a redução de 20% no valor do contrato. A pasta não soube dizer quando o serviço será retomado, mas afirma que está trabalhando para iniciar um novo processo de licitação.

A empresa responsável informou ao G1 que aceitou a renovação, mas não a redução de 20% porque o valor de manutenção dos equipamentos estava defasado. A empresa diz que estava sem pagamento há quase um ano e destacou que em quase três anos de contrato o gasto com manutenção não passou de R$ 300 mil anuais, quando contrato previa até R$ 7 milhões.
O paciente que está clinicamente morto, o socorrista tem que realizar aquela manobra e o equipamento faz isso por ele. O aparelho tem mais eficiência, ele pode levar a um atendimento mais rápido. Ele não é essencial, mas o Samu teve oportunidade de comprar e usar, e agora estamos perdendo esse equipamento por falta de contrato de manutenção.
Rodrigo Caselli
diretor do Samu

"O paciente que está clinicamente morto, o socorrista tem que realizar aquela manobra e o equipamento faz isso por ele. O aparelho tem mais eficiência, ele pode levar a um atendimento mais rápido", explicou. "Ele não é essencial, mas o Samu teve oportunidade de comprar e usar, e agora estamos perdendo esse equipamento por falta de contrato de manutenção", disse.

Segundo a Secretaria de Saúde, o contrato com a empresa responsável pela manutenção dos autopulses foi celebrado em 2010 e venceu em 16 de maio deste ano. O contrato era de R$ 7,1 milhões. No entanto, Caselli declarou que o processo começou em 2010, mas o contrato só foi assinado em 2013.

"Teoricamente, esse contrato pode ser renovado por até cinco anos. Ele deveria ter sido renovado mais três vezes e, para nossa surpresa, veio um parecer da secretaria dizendo que ele não poderia ser renovado. Por enquanto não tem nenhum equipamento quebrado."

Além da falta de manutenção, o diretor do Samu disse que as faixas que fazem a compressão no aparelhos – life band – estão quase com estoque zerado. O acessório está sendo reutilizado e, quando cai alguma sujeira nele, a própria equipe faz a higienização.

A empresa contratada para a manutenção informou ao G1 que a falta de troca do equipamento compromete o funcionamento dos motores dos massageadores.

"Estamos com o estoque bastante reduzido e quando falta essa faixa o equipamento fica inutilizado. Há mais de seis meses pedimos a compra dessa faixa e até hoje não saiu", explicou Caselli, do Samu. A secretaria nega que haja falta de acessórios e diz que todos os aparelhos estão completos.

Respiradores usados em unidades avançadas do Samu
(Foto: Samu/Divulgação)
O Samu afirma que os 15 respiradores do órgão também estão sem contrato de manutenção há mais de um ano. Caselli diz que os equipamentos são usados nas oito unidades avançadas e necessitam de menos manutenção. A secretaria declarou que trabalha na contratação para a manutenção de 61 respiradores.

Manutenção garantida
Menos de 20% dos equipamentos da rede pública de saúde do Distrito Federal têm manutenção garantida, embora o gasto com contratos do tipo chegue a R$ 8,5 milhões por mês. Entre os aparelhos que não recebem revisões, correções e reposição de peças estão os usados para hemodiálise e incubadoras. A Secretaria de Saúde estuda como ampliar a cobertura.

De acordo com a pasta, há atualmente 57,5 mil equipamentos na rede. Desses, só 11 mil recebem manutenção – uma média de R$ 7,7 mil por mês com cada um. A pasta afirma que desde o início do ano renovou 12 processos que cobrem diversas áreas, contratou manutenção para oxigênio líquido e para 61 respiradores.

O secretário de Saúde, Fábio Gondim, diz que vai se dedicar "com bastante trabalho" à área de equipamentos. Ele afirma haver falhas de comunicação dentro da pasta e defende que gestão pode resolver parte do problema.

"Tem até um caso emblemático. A gente não arruma mais respirador. Ele estraga, você encosta, compra mais. Estraga, encosta, compra mais. Fiquei sabendo que tem três vezes mais o número de respiradores do que o necessário", declarou em entrevista à TV Globo na semana passada.


Fonte - G1/DF

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