Prisões, muro erguido e vigilância no Torre Palace

REDAÇÃO DO JORNAL DE BRASÍLIA -

A desocupação e limpeza do hotel torre palace - negociador Data:05-06-2016 Foto: Josemar Gonçalves

A paciência acabou e a desocupação dos sem-teto que invadiram o hotel abandonado Torre Palace, no centro de Brasília, foi à força. A estratégia de vencer pelo cansaço não deu certo e uma grande operação na manhã de ontem terminou o impasse que durou 96 horas e custou milhões de reais. Para a Secretaria de Segurança Pública, a operação, que resultou em 12 prisões, foi um sucesso e a promessa é de que novas invasões não aconteçam com a intensificação do monitoramento.



A titular da Segurança Pública garantiu que novas situações de invasões não deverão mais ocorrer, mesmo que haja ameaças por parte do Movimento Resistência Popular (MRP). Ao JBr., coordenadores do grupo chegaram a apontar dois hotéis em vista, além de ter os jogos das Olimpíadas no DF como alvo.

“Eles têm a as estratégias deles e nós temos as nossas, com nossas inteligências integradas”, disse Márcia de Alencar. “Mostramos a eles que o efeito surpresa nesse assunto fez toda a diferença em todos os momentos dessa operação”, completou a secretária, que tem planos para o Torre Palace: “O hotel será um ambiente recuperado, de utilização de espaço público. Ações de cidadania deverão ocorrer no local, para dar à cidade o rosto que tem, de qualidade de vida”.

Segundo o diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba, a operação “não é um movimento social que está sendo criminalizado e, sim, um movimento criminal que está sendo socializado”. Ele considera que Edson Silva, líder do movimento, cometeu crimes suficientes para que fique bom tempo atrás das grades. Os presos devem ser apresentados à Justiça hoje. “Criminal”
“As provas estão robustas e quero acreditar, em nome da aplicação da Justiça, que eles sejam mantidos presos. Edson Silva não mediu esforços para afrontar e enfrentar o poder público. Realmente, é um ultraje”, afirmou.


Pena pode superar 80 anos de prisão

Edson Silva e outros dois integrantes do MRP devem receber pena aumentada por conta da tentativa de homicídio ao atentar contra a vida de sete policiais que estavam na aeronave Fênix, da PM. Mas todo o grupo deve ser autuado por uso das crianças como escudo humano, crimes de desobediência, resistência e dano qualificado.

“As penas somadas de todos os ocupantes superam facilmente 80 anos de prisão, mas é lógico que a fixação vai ficar a cargo da autoridade judiciária. Com certeza essas pessoas vão permanecer longe das ruas por um bom tempo”, explicou o delegado Fernando César Costa, da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF) que presidiu a situação na área criminal.




De acordo com o diretor da PCDF, quatro crianças, sendo duas de colo, foram atendidas no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), depois levadas para a delegacia, entrevistadas pelo corpo técnico e entregues a avós ou tios. Todos possuem residência em Brasília ou no Entorno. Ainda não há estimativa de valor sobre toda a operação.

Alívio depois de um período difícil

O Torre Palace era uma área de risco para seus “moradores”. As escadas não tinham corrimão, o fosso dos elevadores estava completamente exposto, parte do teto estava prestes a cair e as janelas não tinham nenhuma proteção. Quem também não tinha segurança eram os hóspedes do hotel em frente. Durante a operação, vidraças foram quebradas e até uma parte da cobertura do estacionamento ficou danificada.

Segundo um funcionário, nenhum cliente ficou ferido. “Fizemos questão de não hospedar ninguém nos quartos virados para o Torre Palace. Agora, a nossa expectativa é a melhor possível. Antes da desocupação, tivemos de baixar as diárias. Todo mundo chegava assustado com a vizinhança e desistia da hospedagem”, afirmou.

Turistas

A desocupação também foi comemorada pelos turistas. O casal de empresários Marcos Aurélio Masiero, 42 anos, e Adriana Masiero, 44, que veio do interior de São Paulo para conhecer Brasília, parabenizou a ação da polícia. Eles estão hospedados em um hotel próximo ao Torre Palace e contam como foi a manhã no Setor Hoteleiro Norte.

“Vimos tudo da janela do quarto. Parecia cena de filme. Acordamos com tiroteio, barulho de bomba e policiais pulando do helicóptero em cima do prédio. A PM agiu corretamente, fez o dever dela”, relatou Marcos.

O casal foi pego de surpresa. “Não sabíamos que isso estava acontecendo em Brasília. Quando chegamos ao hotel, ficamos assutados com a quantidade de policiais. É uma realidade distante da gente. Foi assustador, mas estamos bem. A cidade é tão bonita, nós adoramos e, inclusive, pretendemos voltar”, completou Adriana.

Depois da desocupação, muro começa ser erguido para cercar Torre Palace


O GDF estima que os gastos com a operação de desocupação do hotel Torre Palace devem chegar a R$ 4 milhões, valor que o governo garante que será cobrado dos proprietários do imóvel. A operação que durou cinco dias e mobilizou as forças de segurança terminou na manhã deste domingo com a retirada de 12 ocupantes que resistiam desde o início dos trabalhos. O prédio abandonado estava tomado por usuários de drogas e manifestantes do Movimento de Resistência Popular (MRP), desde outubro do ano passado. Após a saída dos ocupantes, o terreno começa a ser cercado por um muro, para impedir novas ocupações.

O cercamento começou a ser erguido e deve atingir até a altura do primeiro andar. No período em que ocorre esse trabalho, policiais militares permanecerão no local para garantir a segurança e que o serviço seja realizado sem interrupções adversas. O trabalho está sendo feito por reeducandos da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso, Funap.

Cenário alarmante

O prédio está tomado por ratos e em condições deploráveis de higiene. A Secretaria de Saúde fará uma ação de dedetização e desratização no local para que o prédio não se torne foco de doenças que possam se espalhar por toda a região do Setor Hoteleiro.

O Secretário de Saúde, Humberto Lucena, esteve no local e classifica como alarmante a situação sanitária do prédio. “O prédio está cheio de materiais usados, fezes de ratos e, em todos os andares, e subsolo, realmente é uma condição deplorável que se faz necessário um grande trabalho sanitário”, afirma o secretário que prevê uma ação de até sete dias no local.

Apesar de já estar desocupado, o prédio permanece erguido e sem previsão de implosão, uma vez que o imóvel segue sendo alvo de disputa judicial. Também corre na Justiça um processo que pode levar o prédio a leilão.

Trânsito

Parcialmente fechado durante os dias de operação, o trânsito no Eixo Monumental está sendo liberado aos poucos, enquanto so trabalhos não são finalisados. Na tarde deste domingo, apenas o acesso pela W3 Norte está fechado. A via N1, em frente ao hotel, já foi quase toda liberada.

O GDF vai apresentar o balanço final da operação em coletiva de imprensa no início da noite es
te domingo.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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