Vídeo. Bombeiros apuram excesso em curso de formação: “Divertido?”

As imagens mostram alunos enfileirados, em posição de sentido e rolando em uma vala com lama

REPRODUÇÃO

Um vídeo gravado no curso de formação de praças do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) tem causado polêmica nas redes sociais. As imagens mostram os alunos enfileirados, em posição de sentido e rolando em uma vala com lama. Enquanto a turma executa os movimentos, em obediência ao instrutor, outros militares fazem piada da situação.

Em nota, a corporação informou que apura o caso, mas ressaltou que “a passagem da vida civil para a vida militar, fatalmente, gera uma quebra de paradigma muito forte”.

A gravação tem 49 segundos. Um dos responsáveis pelo treinamento chega a questionar um dos alunos: “E aí, continua divertido?”. “Tá vendo, guarnição, a gente se diverte com vocês também, senhores”, diz outro bombeiro.


Em nota, o CBMDF confirmou que as imagens são de alguns alunos do Curso de Formação de Praças (CFP), Turma 17, durante a instrução inicial de “adaptação à atividade de salvamento em ambiente adverso”.

“A atividade faz parte da semana zero do CFP Turma 17, em que os alunos são colocados em diversas situações de estresse e adversidades. Como exemplo: os alunos são colocados em manilhas, onde, normalmente, os bombeiros militares fazem resgate de animais e pessoas; os alunos são colocados em buracos, onde, normalmente, os bombeiros militares entram para resgatar animais; os alunos são colocados no alto da torre, onde, normalmente, os bombeiros militares realizam salvamento em altura; os alunos são colocados na casa de fumaça, onde, normalmente, os bombeiros militares realizam combate a incêndio urbano”, detalhou a corporação.

Ainda em nota, o CBMDF alegou que o treinamento gera uma quebra de paradigma. “Entendemos que a passagem da vida civil para a vida militar, fatalmente, gera uma quebra de paradigma muito forte. De fato, a vida de bombeiro militar é bastante dura e rústica, porém, todas as atividades executadas no CFP Turma 17 são realizadas respeitando a integridade física e moral dos alunos”, acrescentou.

A corporação pontuou também que todos os alunos do CFP Turma 17 passaram por essa instrução inicial de “adaptação à atividade de salvamento em ambiente adverso”. E assinalou que os alunos receberam orientações e contextualização sobre a natureza de todas as atividades realizadas na semana zero do curso.

“Todos os alunos possuem mecanismos para manifestar sua indignação, caso se sintam ofendidos ou humilhados em alguma atividade realizada durante o curso”, declarou o CBMDF.

Apesar de o treinamento ser considerado normal pela corporação, o Comando do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças iniciou um processo de apuração preliminar para verificar se houve abuso cometido na instrução, e orientou todos os alunos a se manifestarem, caso achem cabível, tanto via denúncia da Ouvidoria do CBMDF como por meio de denúncia no site do Ministério Público do Distrito Federal de Territórios (MPDFT).

O texto enviado pela corporação ao Metrópoles diz ainda que nenhum aluno do CFP Turma 17 será instruído por meio de ofensas nem corrigido por meio de humilhações. “O compromisso do CBMDF e do CEFAP é o de formar o bombeiro militar para servir bem a sociedade do Distrito Federal, e esse compromisso não coaduna com nenhum tipo de comportamento que coloque em risco nem a integridade física nem a moral dos nossos alunos.”

Memória

Em 2018, o curso de formação de outra turma também foi alvo de denúncia. Os crimes investigados estão tipificados no artigo 213 do Código Penal Militar e consistem em expor a perigo a vida ou a saúde dos alunos, privando-os de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-os a trabalhos excessivos ou inadequados, quer abusando de meios de correção ou disciplina.

As acusações foram feitas de forma anônima. Os alunos temiam ser prejudicados. Havia relatos de humilhação por parte de oficiais e de treinamentos em intensidade além da necessária, mesmo para a formação de bombeiros militares, que precisam estar preparados para atuar sob chuva, sol e estresse contínuo.

A pena para a infração, caso os excessos confirmados, é de detenção. Se o fato resultar em lesão grave, a punição pode dar cadeia de até 4 anos. E sobe para até 10 anos de prisão se houver morte.

Fonte - Metrópoles

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