PM dá tiros para o alto ao protestar contra o comando da PM da Bahia


Um soldado da PM (Polícia Militar) mobilizou uma equipe do Bope (Batalhão de Operações Especiais) ontem à tarde ao caminhar em torno do Farol da Barra, em Salvador, e atirar para o alto e contra veículos da corporação. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) baiana confirmou a morte do militar, que foi baleado por policiais após ter um descontrole emocional.

Após 3h30 de negociação, ele disparou um fuzil contra guarnições do Bope. Aproximadamente às 18h35, o soldado Wesley Soares Góes, que trabalhava na 72ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar) há quatro anos, verbalizou que havia chegado o seu momento, fez a contagem regressiva e iniciou os disparos. Após pelo menos dez tiros, o soldado foi baleado e levado para o Hospital Geral do Estado - não foi esclarecido se ele chegou morto à unidade de saúde.

Veja:

Quando o policial chegou em frente ao Farol da Barra, ele desceu do veículo, começou a falar frases, supostamente contra ações da corporação e do governo do estado da Bahia, ao não concordar com sua transferência. Após, efetuou os disparos de arma de fogo para o alto.

O policial gritou palavras de protesto, falando em desonra e violação da dignidade dos policiais. “Comunidade, venham testemunhar a honra ou a desonra do policial militar do estado da Bahia”, gritou.

Circula ainda nas redes sociais uma frase supostamente dita pelo soldado morto, contra as ações do governo do estado da em relação a ações do estado ao enfrentamento ao Covid-19. Nela, o soldado supostamente discorda das ordem para prender trabalhadores.

O soldado invadiu a barreira de proteção pintou o rosto de verde e amarelo, cores da bandeira do Brasil, antes de realizar os disparos para cima. Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) afirmou que o policial sofreu um “surto psicótico”.

As negociações duraram quase cinco horas. Conforme relatos, o homem foi transferido contra sua vontade. “O comandante dele transferiu ele contra vontade. Isso é perseguição. De Itacaré para Valéria. Que absurdo”, aponta um internauta.

O PM chegou em frente ao Farol da Barra, derrubou barricada de ferro, desceu do veículo, começou a falar frases desconexas, pintou o rosto e efetuou disparos de arma de fogo. A ação para desarmar o policial resultou nele indo parar no hospital. Foram muitos tiros disparados contra o homem.

Em vídeos exibidos nas redes social, moradores da Barra registraram o momento exato dos tiros disparados contra o policial. Ele chegou a atirar em direção às viaturas que tinham cercado o perímetro e foi baleado em seguida, após os militares reagirem à agressão. Houve muita comoção nas redes sociais. O tiroteio foi transmitido ao vivo por internautas.
 




Polícia Militar emite nota

A Polícia Militar da Bahia (PM-BA) emitiu nota lamentando o episódio que ocorreu no domingo (28), quando, segundo a corporação, todos os esforços foram feitos por um final pacífico durante o momento de descontrole emocional do PM. De acordo a nota, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) adotou “todos” os protocolos de segurança, até o desfecho trágico que ocasionou no alvejar do policial militar que ferido e em estado gravíssimo, foi socorrido pelo Samu e encaminhado ao Hospital Geral do Estado.

“A corporação tomou conhecimento ainda de um vídeo do momento em que a imprensa acompanha o fato e é interpelada por um policial militar. A instituição ressalta o respeito à liberdade de expressão e ao trabalho dos jornalistas. O fato será devidamente apurado”.

"Os nossos objetivos primordiais são preservar vidas e aplicar a lei. Buscamos, utilizando técnicas internacionais de negociação, impedir um confronto, mas o militar atacou as nossas equipes. Além de colocar em risco os militares, estávamos em uma área residencial, expondo também os moradores", declarou o comandante do Bope, major Clédson Conceição.

Na nota a Polícia Militar (PM) ainda afirmou que “lamenta pela ocorrência crítica envolvendo um integrante da corporação”, e que “não poupará esforços para que todos os protocolos internacionais de gerenciamento de crise sejam adotados”.

De acordo com a PM, a área do Farol da Barra foi isolada, “a fim de manter um espaço para iniciar o processo de negociação, para atingir o objetivo principal, que é a preservação de vidas”. Um especialista em gerenciamento de crise do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) auxiliou nas negociações.


Após a ação que acarretou na morte do militar, vários segmentos emitiram nota repudiando a ação da Polícia Militar em conduzir a operação e ainda, em relação aos motivos que levaram o militar a chegar naquele descontrole emocional, e ameaçaram parar as atividades. Em vídeo gravado durante a manifestação e obtido por jornais locais, é possível ouvir os policiais gritando que “a PM parou”. 

Ameaça de motim

À noite, após o ocorrido, um grupo de policiais militares se reuniu em frente ao hospital onde Wesley esteve internado. Em vídeo publicado no Twitter pelo jornalista Irlan Simões, é possível ouvir o canto: “Ô, a PM parou”.

Há uma pessoa que narra os acontecimentos e chama o governador Rui Costa (PT) de “canalha”.

Tocador de vídeo

O deputado estadual Soldado Prisco (PSC), que foi demitido da PM baiana em 2002, apareceu em um vídeo, ao lado de policiais, fazendo um chamado aos profissionais da segurança para o que diz ser uma “manifestação ordeira” no Farol da Barra e aos que trabalham no interior, uma “assembleia”.

Greve de policiais militares é considerada ilegal no Brasil, conforme entendimento de 2017 do Superior Tribunal Federal (STF). No Ceará, em 2020, ocorreu um motim durante os dias 18 de fevereiro e 2 de março.

No período, o número de homicídios disparou 417% em relação ao mesmo do ano anterior. Ao todo, 312 mortes ocorreram nos 13 dias de movimento.

Motim no ES

Em 2017, um movimento de motim ocorreu no Espírito Santo. Por 21 dias, militares se mantiveram aquartelados. Durante este período, 219 pessoas morreram. Naquele momento, houve mobilização de profissionais que ascenderam à carreira política, como o deputado estadual Capitão Assumção (Patriota).

Confira:

URGENTE: “O barril explodiu”. PM da Bahia começa movimento de greve depois da execução do Soldado Wesley Soares https://t.co/gg9Gv8Ihmp pic.twitter.com/BIKHPk9r3J

— Dezoito22 (@dezoito22) March 29, 2021

Outra manifestação está marcada para esta segunda-feira (29/3), no Farol da Barra, onde ocorreu o caso.

Fonte - Agência Satélite com informações

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