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Médica que denunciou filho de Lula por agressão é afastada do trabalho depois de vídeo com ofensas proferidas pela esquerda

Trata-se de uma publicação feita pelo site Brasil 247 patrocinado pela esquerda e que tem apoio da alta cúpula do governo, entre os quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com críticas dirigidas a Natália Schincariol

Por Rayssa Motta e Fausto Macedo *com adaptações da Revista Oeste


A médica Natália Schincariol, que denunciou Luís Cláudio Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por agressões físicas e psicológicas, foi afastada do trabalho depois da publicação de um vídeo com ofensas dirigidas a ela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e foram publicadas neste sábado, 13.

O laudo do psiquiatra menciona “sintomas depressivos” e associa “conflitos conjugais” ao caso. O afastamento é de 14 dias.

Trata-se de um vídeo postado pelo site de esquerda Brasil 247. Na gravação, os jornalistas fazem comentários pejorativos sobre a aparência da médica e a criticam por supostamente levar o caso a público indevidamente. Dizem, por exemplo, que ela faz a “linha BBB”, com “layout” de “bocão, harmonização facial e poses sexy no Instagram”. Comentam ainda que “a pessoa que preserva a sua intimidade tem o caráter melhor”.

Dizem, por exemplo, que ela faz harmonização facial e poses sexy no Instagram. Afirmam, ainda, que “a pessoa que preserva a sua intimidade tem o caráter melhor”.

Ao compartilhar o vídeo dirigido à médica, o filho do Lula dando total apoio às ofensas alí proferidas escreve: “Obrigado pelas sábias palavras”

Ao compartilhar o vídeo, o filho do Lula escreve: “Obrigado pelas sábias palavras”. A publicação foi apagada minutos depois.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a médica teve uma crise de ansiedade depois que viu a publicação. O laudo do psiquiatra menciona “sintomas depressivos” e associa “conflitos conjugais ao caso”.

O Estadão apurou que, depois disso, a médica teve uma crise de ansiedade no trabalho. Procurada pela reportagem, Natália não quis comentar o caso ou conceder entrevista. O blog também pediu um posicionamento da defesa de Luís Cláudio, que ainda não se manifestou.

Até o momento, nem Lula e nem o Partido dos Trabalhadores (PT) se manifestaram sobre a acusação que envolve Luís Cláudio.

Por esse motivo, o grupo Criadores da Esquerda publicou uma nota em repúdio a esse silêncio. No comunicado, os apoiadores de Natália lamentam que a Secretaria Nacional de Mulheres do PT ainda não tenha se manifestado.


“Nós, Criadores da Esquerda, expressamos nossa profunda preocupação e solidariedade à companheira Natália Schincariol, vítima de misoginia e violência por parte de Luis Cláudio Lula da Silva”, diz um trecho da nota.

Médica que denunciou filho de Lula é afastada do trabalho após crise por vídeo com ofensas misóginas
Natália Schincariol, que diz ter sofrido agressões físicas e psicológicas, teve crise de ansiedade depois que Luís Cláudio compartilhou publicação em que ela é criticada por expor o caso e por sua aparência: ‘bocão, harmonização facial e poses sexy no Instagram’; ambos foram procurados, mas não se manifestaram

B.O. registrado pela médica Natália Maria Schincariol sobre o filho do presidente. Foto: Reprodução

Essa não é a primeira polêmica envolvendo o filho mais novo do presidente. Em 2010, Luís Cláudio fez comentários homofóbicos nas redes sociais ao chamar os torcedores do São Paulo de “monte de gay”.

A advogada Marília Golfieri Angella, especialista em advocacia familiar, explica que não é raro que mulheres que expõem episódios de agressão virem alvo de campanhas misóginas.

“Estereotipar uma mulher por sua aparência física, desqualificando seu discurso e colocando-a em uma posição de descrédito, não merecedora de atenção e cuidado, é deslegitimar toda a luta nacional e internacional pelos direitos das mulheres e pela igualdade de gênero”, afirma. “Para a violência doméstica, não existe ‘cara’, nem da parte agressora e nem da vítima.”

A especialista lembra que o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que administra o Poder Judiciário, aponta que “por conta do contexto diferenciado vivenciado por mulheres, os danos à imagem e à honra aparecem de maneiras específicas diversas das do público masculino”.

“Nesse sentido, podemos compreender que as narrativas femininas sobre a violência de gênero são, por vezes, colocadas em xeque. Na dúvida, a mulher é culpada pela agressão que sofreu”, lamenta.

Para a advogada, ao denunciar o caso, inclusive publicamente, as mulheres têm uma chance maior de ver os agressores punidos, mas também de sofrer ataques à sua integridade mental e moral.

“É preciso termos em mente que as investigações dos casos de violência doméstica no Brasil chegam a durar muitos anos com total impunidade dos agressores, que seguem livremente suas vidas, enquanto suas vítimas tentam lutar contra o sistema em busca de justiça e de uma readequação de suas vidas.”

Luis Claudio Lula da Silva, filho do presidente Lula, nega agressões e diz que vai processar a ex por danos morais. Foto: Reprodução/Instagram/@luisclaudioluladasilva

Entenda o caso

Natália e Luís Cláudio tiveram uma relação de dois anos, mas se separaram, segundo ela, após supostas traições do filho do presidente. A médica registrou boletim online Polícia de São Paulo e afirmou que, ao longo da relação, sofreu violência doméstica, ameaça, vias de fato, violência psicológica e injúria. A defesa de Luís Cláudio diz que as declarações são “fantasiosas” e que ele vai pedir reparação por danos morais. Em entrevista ao UOL, ele afirmou que “jamais ergueria a mão pra uma mulher ou faria qualquer tipo de agressão”.

O boletim de ocorrência cita episódios de violência, como uma cotovelada na barriga, e agressões verbais. Ela afirma que foi chamada de “doente mental, vagabunda, louca”. Segundo a médica, Luís Cláudio também fez ameaças para evitar que ela denunciasse as agressões.

A Justiça de São Paulo determinou que ele deixasse o apartamento do casal e concedeu medida protetiva que impede a aproximação da médica. Ela já prestou depoimento à Polícia Civil. O inquérito tramita na 6.ª Delegacia de Polícia Civil, no Cambuci.

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