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Ato da esquerda em Brasília tem baixa adesão mesmo com shows artísticos

Por Celso Alonso - Agência Satélite

Imagem da Rede Globo mostra a quantidade de manifestantes no ponto alto da manifestação em Brasília - Imagem telejornal G1

Brasília 21 de setembro de 2025 - O Museu da República, em Brasília, foi palco neste domingo (21) de manifestação organizada por partidos de esquerda, movimentos sociais e artistas contra o PL da Anistia e a PEC da Blindagem. Apesar da grande expectativa, pouco mais de 5 mil pessoas, participaram do ato, número considerado baixo diante da mobilização e da estrutura montada, que contou inclusive com apresentações musicais.

Além da baixa adesão, os organizadores também promoveram momentos polêmicos, com músicas ofensivas a parlamentares e até mesmo menções de apoio ao grupo terrorista Hamas. Entre as frases entoadas estavam: “vou comprar um opala azul e quem votou no Bolsonaro vai tomar no c...” e “eu não falo besteira, então é pau no c... do Nicolas Ferreira”.

O contraste nas reações a ofensas políticas evidencia um duplo padrão. Quando ataques ou palavras de baixo calão são dirigidos por membros do governo, ou pessoas ligadas à extrema-esquerda, como ocorreu nos atos deste domingo, essas manifestações costumam ser tratadas como "legítimas e parte do exercício democrático". No entanto, quando políticos de direita ou mesmo cidadãos comuns fazem comentários considerados ofensivos, eles são frequentemente enquadrados como extremistas, terroristas e proliferadores de atos antidemocráticos e passivos de responsabilização criminal. Um exemplo recente foi a declaração do ministro Flávio Dino, que afirmou não admitir ser chamado de “ladrão” e prometeu responsabilizar quem o fizesse, posição que recebeu apoio de outros ministros do STF e autoridades do governo. Casos semelhantes ocorreram quando parlamentares ou apoiadores do governo Bolsonaro foram alvo de denúncias por críticas em redes sociais, ou em manifestações públicas, muitas vezes resultando em processos judiciais e censura midiática.

Mesmo em imagem em angulo feito por baixo (ati típico da esquerda para mostrar volume), o esvaziamento dos atos em Brasília foi evidente - Foto G1


Para os atos deste domingo, ainda circulou a informação de que vários ônibus foram fretados por grupos ligados à esquerda, entre eles centrais sindicais e principalmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de distribuição de lanche, visando inflar a participação nas ruas. Ainda assim, mesmo com a mobilização organizada e recursos direcionados para o transporte de militantes, o número de manifestantes ficou muito abaixo do esperado.

Manaus — Foto: Michel Castro/Rede Amazônica

A falta de engajamento não se limitou ao Distrito Federal. Em outros estados brasileiros, os protestos também registraram público abaixo do esperado. Mesmo nas capitais onde tradicionalmente a esquerda imagina possuir maior influência, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com média de 20 mil manifestantes em cada uma, as adesões foram tímidas em comparação com a mobilização anunciada previamente.

O contraste entre os atos da esquerda neste domingo e as manifestações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro é evidente. Enquanto protestos recentes organizados por partidos de esquerda, mesmo com shows de artistas renomados como Chico César, Caetano Veloso e Daniela Mercury, não conseguiram atrair grandes multidões, os eventos bolsonaristas mostraram justamente o oposto. Sem qualquer apoio de celebridades, os atos em prol de Bolsonaro chegaram a lotar a Avenida Paulista em São Paulo, a orla de Copacabana no Rio de Janeiro e a Esplanada dos Ministérios em Brasília, reunindo centenas de milhares de pessoas em demonstrações espontâneas de mobilização popular, isso sem qualquer custeio ou ajuda para deslocamento, ou permanência dos manifestantes nos locais dos eventos.

As estatísticas mostraram que os atos ficaram aquém do que projetou os organizadores. O maior público registrado aconteceu em Salvador que teve show artístico, entre os quais o da cantora Daniela Mercury, onde mais de 40 mil pessoas participaram dos atos.

Em São Paulo, a concentração ocorreu somente em frente ao museu de artes com cerca de 20 mil manifestantes - Imagem G1

O cenário reforça a dificuldade da esquerda em transformar engajamento virtual em presença física nas ruas, contrastando com a força de mobilização da oposição, que segue reunindo multidões em defesa de pautas ligadas à liberdade e à revisão das condenações do 8 de janeiro.

O resultado do ato deste domingo deixa claro que, apesar de toda a estrutura, shows de artistas renomados e transporte organizado de militantes, a esquerda enfrenta dificuldades crescentes para mobilizar o público nas ruas. Enquanto tentava mostrar força, acabou revelando fragilidade, contrastando com a oposição, que mesmo sem grandes apoios artísticos consegue reunir multidões expressivas em defesa de pautas políticas. O episódio evidencia que a capacidade de mobilização real depende cada vez menos de aparatos midiáticos ou celebridades e mais do engajamento espontâneo da população.

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