A decisão da Corregedoria-geral da Câmara dos Deputados de pedir a suspensão e advertência de parlamentares da oposição que participaram da obstrução do plenário em 5 de agosto provocou fortes críticas e acusações de seletividade. Para oposicionistas, o corregedor Diego Coronel (PSD-BA) aplica um rigor desproporcional e transforma um ato político legítimo em caso de punição exemplar.
No parecer enviado à Mesa Diretora, Coronel sugeriu suspensão de três meses para Marcos Pollon (PL-MS) — um por “usurpar” a cadeira do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e dois por supostas ofensas — além de 30 dias para Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). Outros dez parlamentares, entre eles Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF) e Carlos Jordy (PL-RJ), podem ser alvo de advertência formal.
A medida foi recebida como excessiva e desigual. Críticos lembram que, em legislaturas passadas, protestos semelhantes ocorreram sem gerar processos disciplinares tão duros. Deputados chegaram a ocupar a Mesa Diretora ou obstruir votações em momentos de tensão política, e os episódios foram resolvidos por vias políticas, sem criminalização interna. “Nunca se viu tanto empenho em transformar manifestação parlamentar em motivo de cassação de voz. Isso não é disciplina, é perseguição”, afirmou um integrante da oposição.
O ato da oposição, chamado pela Corregedoria de “motim”, ocorreu durante a pressão pela votação do chamado “pacote da paz”, apresentado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que incluía anistia aos condenados do 8 de janeiro, pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e a PEC que extingue o foro privilegiado. Para a base opositora, a ocupação foi uma forma legítima de cobrar que a Câmara pautasse matérias de interesse popular.
Outro ponto que gera questionamentos é a seletividade da Corregedoria. Enquanto endurece contra parlamentares alinhados à oposição, raramente avança sobre episódios envolvendo aliados governistas em situações de quebra de decoro. Essa postura reforça a percepção de que a corregedoria estaria sendo usada como instrumento político, minando sua função institucional.
O parecer agora depende da Mesa Diretora, que decidirá se encaminha ou não os casos ao Conselho de Ética. A expectativa é de novo embate, com a oposição prometendo resistir e denunciar a medida como tentativa de silenciamento das vozes críticas ao governo.
Para críticos, a postura da Corregedoria cria um precedente perigoso: se manifestações políticas em plenário passam a ser punidas com suspensões, corre-se o risco de transformar a Câmara em um espaço de silêncio controlado, e não de debate democrático.
