Deputado federal disse que “acordo” com STF é “indecoroso e infame” e que anistia “não está sob negociação”
Por Celso Alonso - Agência Satélite
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) elevou o tom contra o relator do projeto da anistia, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), e contra a articulação conduzida em sintonia com o Supremo Tribunal Federal (STF). Para Eduardo, qualquer tentativa de transformar a proposta em mera redução de penas representa um ataque direto à essência da anistia, além de um “acordo indecoroso e infame” com ministros da Corte.
Segundo o parlamentar, a anistia ampla, geral e irrestrita não está sob negociação, e qualquer alternativa que não contemple esse princípio será vista como traição à base que representa milhões de brasileiros. “Muito cuidado para você não acabar sendo visto como um colaborador do regime de exceção”, alertou Eduardo, em referência direta ao relator.
O deputado também criticou duramente o encontro de Paulinho da Força com Michel Temer e Aécio Neves para discutir o projeto. Para ele, confiar em velhos acordos políticos, especialmente quando costurados em sintonia com Alexandre de Moraes, é dar as costas ao clamor popular. “Vocês não irão impor na marra o que chamam, cinicamente, de pacificação, que nada mais é do que a manutenção de todos os crimes praticados por Alexandre de Moraes”, disse.
Eduardo lembrou ainda que a Lei Magnitsky prevê sanções internacionais para quem colabora com agentes acusados de violações de direitos humanos, colocando em evidência o risco de parlamentares se alinharem a decisões que ele classifica como autoritárias.
Para aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, as falas do deputado resumem o sentimento de indignação com a tentativa de esvaziar o projeto de anistia. Eles defendem que qualquer negociação que não inclua o perdão pleno seria uma afronta àqueles que sofreram, segundo eles, perseguição política em processos conduzidos pelo Supremo.
Com a votação se aproximando, a pressão da oposição aumenta. Eduardo Bolsonaro reforçou que a anistia ampla não é apenas uma pauta política, mas um compromisso moral com todos os que, na visão dele, foram injustiçados.
A declaração ecoa entre os apoiadores do ex-presidente e expõe a resistência a qualquer manobra que busque reduzir o alcance do projeto. Para a oposição, não há espaço para acordos de bastidores — apenas para a aprovação da anistia em sua forma plena.
