
O presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi exonerado do cargo de assistente na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na quinta-feira (5), conforme publicação no Diário Oficial Legislativo. A demissão foi assinada pelo deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), que exerce interinamente a vice-presidência da Casa.
Palhares ocupava a função de assistente na Comissão de Transportes, vinculada ao gabinete do deputado Dionísio Lins (PP), com salário bruto de cerca de R$ 7,9 mil. Paralelamente, ele presidia a Acadêmicos de Niterói, que definiu para o desfile de Carnaval um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A escola de samba abrirá os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro no dia 15 de fevereiro.
Reações e polêmica
A escolha do enredo gerou reação de setores políticos de oposição, que consideram o uso de recursos públicos vinculados a uma homenagem a um presidente em ano eleitoral como indevido e potencial propaganda política. Parlamentares do partido Novo acionaram o Tribunal de Contas da União (TCU) para solicitar uma medida cautelar que impeça o uso de dinheiro público no financiamento da escola, argumentando desvio de finalidade. O TCU emitiu recomendação de bloqueio do repasse, mas a decisão definitiva ficou a cargo do ministro responsável.
O governo do Rio de Janeiro é um dos principais patrocinadores do Carnaval carioca, tendo liberado R$ 40 milhões às escolas de samba para a temporada, valor distribuído entre as 12 agremiações do Grupo Especial e também destinado ao funcionamento da Marquês de Sapucaí.
A demissão de Palhares intensifica o debate sobre os limites entre manifestações culturais e engajamento político em um período pré-eleitoral, com repercussões no cenário político e jurídico.
