Ex-ministro afirma ter agido de boa-fé, diz que desconhecia os vendedores e cobra regularização ou rescisão do contrato

Brasília (DF) - 22/05/2025 - Ricardo Lewandowski (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Por Laís Gouveia
O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski adquiriu, em março de 2024, um imóvel no valor de R$ 9,4 milhões que pertenceu a Alan de Souza Yang, conhecido como “China”, alvo de investigações da Polícia Federal por sonegação bilionária no setor de combustíveis. A operação foi realizada por meio de uma empresa familiar mantida por Lewandowski em sociedade com os filhos e, semanas depois, o bem acabou bloqueado pela Justiça Federal de São Paulo, o que abriu uma disputa sobre a validade do negócio.
As informações foram reveladas pelo jornal Estado de S.Paulo, que apurou a cronologia da transação e o contexto judicial envolvendo o vendedor. Meses antes da compra pelo ex-ministro, a casa havia sido vendida à esposa de China por R$ 4 milhões. Um mês após a negociação com Lewandowski, o imóvel foi atingido por ordem de bloqueio judicial no âmbito das investigações, medida que impede a venda e pode levar o bem a leilão em caso de condenação dos investigados.À época da compra, China já era investigado havia anos pela Polícia Federal, tinha condenação por adulteração de gasolina e era alvo de apurações por sonegação em postos de combustíveis. No ano seguinte, passaria a ser citado na Operação Carbono Oculto, que apura a atuação de empresários suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação foi deflagrada durante a gestão do próprio Lewandowski no Ministério da Justiça.
O ex-ministro afirmou que a aquisição ocorreu de boa-fé e que ele não conhecia os vendedores. Segundo ele, a intenção era trocar uma casa de rua por um imóvel em condomínio fechado por razões de segurança, logo após assumir o cargo. A residência teria sido apresentada por um corretor de imóveis durante a visita a outro endereço que não atendia às exigências de proteção desejadas.
Lewandowski sustenta que só teve contato com os proprietários na ocasião da assinatura do contrato e que recebeu certidões e documentos que indicavam situação regular do imóvel. “Eu fui na verdade ver uma outra casa, mas achei que era muito próxima ao muro, não tinha a segurança que eu buscava. Aí o corretor me falou dessa outra casa que estava à venda, e fomos ver.” O ex-ministro também afirma que não havia como saber das investigações, porque os processos tramitavam sob sigilo.Sobre o valor pago, ele argumenta que “O preço pago foi o valor de mercado”. Segundo sua versão, a diferença em relação ao preço anterior decorre do fato de o imóvel ter sido adquirido em leilão pelos proprietários antes da revenda. Lewandowski acrescentou que, diante do bloqueio judicial, tem buscado uma solução para regularizar a situação ou, alternativamente, rescindir o contrato com devolução do imóvel e ressarcimento do montante desembolsado, já que nunca pôde se considerar efetivamente dono da casa
.O ex-ministro enviou nota à reportagem reiterando que agiu de boa-fé e que não tinha conhecimento de qualquer irregularidade relacionada aos vendedores no momento da compra. Procurada, a defesa de Alan de Souza Yang e de seus familiares não se manifestou.
