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Lula abandona a liturgia do cargo e repete ofensa que já levou Bolsonaro aos tribunais

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Por Celso Alonso

Luiz Inácio Lula da Silva parece ter jogado definitivamente no lixo o discurso de pacificação que tentou vender ao país após retornar ao Planalto. Ao comparar Jair Bolsonaro a um “cachorro louco preso”, o presidente não apenas escancarou o ódio político que diz combater, como também revelou uma contradição gritante: foi o próprio Lula quem acionou a Justiça quando Bolsonaro o chamou de “cachaceiro”, alegando ofensa à honra.

Na ocasião, Lula se colocou como vítima de um ataque pessoal inaceitável. Agora, investido novamente da Presidência da República, adota a mesma prática, com o agravante de falar do alto do cargo mais poderoso do país, usando linguagem agressiva, desumanizante e incompatível com a liturgia presidencial.

A declaração foi feita em entrevista à TV Aratu, ao comentar a condenação de Bolsonaro e o veto ao projeto de lei que reduzia penas dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Para justificar sua posição, Lula recorreu a uma analogia grotesca, tratando um adversário político como um animal perigoso que deve permanecer enjaulado.

“Você acha que se tiver um cachorro louco preso e você soltá-lo ele vai estar mais manso?”, disse o presidente, sem qualquer pudor institucional. Em seguida, reforçou acusações e defendeu a manutenção da prisão, ao mesmo tempo em que atacou o Congresso Nacional por aprovar a proposta que ele vetou.

O episódio expõe um duplo padrão evidente. Quando Lula é alvo de insultos, o caso vira processo, discurso sobre civilidade e defesa da democracia. Quando é ele quem insulta, transforma-se em “opinião política”, normalizada por aliados e tratada com complacência por setores do Judiciário e da imprensa simpáticos ao governo.

Mais grave ainda é o simbolismo da fala. Um presidente que se apresenta como defensor do Estado Democrático de Direito recorre a ataques pessoais, linguagem de ódio e comparações animalescas para desqualificar um adversário. A retórica não difere em nada daquela que o próprio petista diz repudiar.

Ao invés de elevar o debate, Lula aprofunda a polarização, estimula o ressentimento e demonstra que a defesa da honra, para ele, depende apenas de quem está sendo ofendido. O que antes era crime e motivo de ação judicial, agora vira metáfora aceitável quando parte do chefe do Executivo.

No fim, fica a pergunta que Lula evita responder: por que chamar alguém de “cachaceiro” merece processo, mas chamar um ex-presidente da República de “cachorro louco preso” seria apenas força de expressão? Para muitos brasileiros, a resposta é clara, a régua moral muda conforme o lado do poder.

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