Page Nav

HIDE

Últimas notícias:

latest

Publicidade

Rombo nos Correios expõe crise de gestão no atual governo e força venda de imóveis da estatal


Por Celso Alonso

A decisão dos Correios de colocar imóveis à venda, com valores iniciais a partir de R$ 16 mil, escancara a grave crise financeira enfrentada pela estatal no atual governo. A medida, apresentada oficialmente como parte de um plano de reestruturação, surge para tentar conter um rombo que se formou recentemente e que contrasta com o resultado positivo registrado na administração Bolsonaro.

Os primeiros leilões estão marcados para os dias 12 e 26 de fevereiro e envolvem mais de 20 imóveis espalhados por ao menos 12 estados. O portfólio inclui prédios administrativos, galpões, terrenos e até apartamentos funcionais. Segundo a própria empresa, a expectativa é vender cerca de 60 imóveis e arrecadar até R$ 1,5 bilhão até o fim do ano para recompor o caixa.

A necessidade de se desfazer de patrimônio, no entanto, evidencia o descontrole financeiro da estatal sob a atual gestão. No fim de 2025, os Correios já haviam anunciado a captação de R$ 12 bilhões em crédito para tentar estancar a crise de liquidez, um movimento que, para especialistas, indica dificuldades estruturais e falhas graves de planejamento e administração.

O cenário chama atenção porque ocorre após um período em que a empresa apresentou superávit operacional. Durante o governo Bolsonaro, os Correios registraram resultados positivos e encerraram exercícios com as contas no azul, sem necessidade de endividamento bilionário ou venda emergencial de ativos. A reversão desse quadro, em pouco tempo, reforça críticas à condução atual da estatal.

Em 2021, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, os Correios registraram o maior lucro da história, R$3,7 bilhões. Em 2023, o rombo foi de R$600 milhões, mas houve uma manobra contábil para evitar um prejuízo ainda maior. A empresa pagou R$1 bilhão em indenização e lançou o gasto retroativamente para 2022, o que fez com que a estatal registrasse prejuízo de R$800 milhões.

O histórico recente da empresa também pesa contra o discurso oficial. Durante os governos Lula e Dilma Rousseff, os Correios acumularam prejuízos sucessivos, viram seu caixa se deteriorar e se tornaram alvo de recorrentes aportes e socorros financeiros. O retorno desse padrão de déficits, agora novamente sob um governo petista, alimenta a percepção de que a estatal voltou a ser vítima de má gestão e decisões administrativas ineficientes.

Embora a direção dos Correios afirme que as alienações não afetarão a prestação de serviços à população e que os recursos serão usados para modernização logística e sustentabilidade de longo prazo, críticos apontam que vender patrimônio para cobrir rombos não resolve o problema de fundo. Sem mudanças profundas na gestão e nos critérios administrativos, a estatal corre o risco de apenas adiar uma crise ainda maior.


A situação reforça o debate sobre a condução das empresas públicas no Brasil. Para analistas, o caso dos Correios demonstra que o desequilíbrio financeiro não é inevitável, mas consequência direta de escolhas administrativas. Quando bem gerida, a estatal mostrou ser capaz de gerar superávit; quando submetida a modelos ineficientes de gestão, volta rapidamente ao vermelho.

Com imóveis indo a leilão, crédito bilionário contratado e um discurso que promete sustentabilidade futura, os Correios se tornam mais um exemplo de como a má administração no atual governo tem impactos diretos sobre o patrimônio público, e sobre o contribuinte, que, ao final, acaba pagando a conta.

Latest Articles