Jogadores sentem demissão de Filipe Luís, assumem responsabilidade, mas querem deixar para trás o que passou e abraçar novo trabalho do português
Por Luiza Sá — Rio de Janeiro
A estreia de Leonardo Jardim não poderia ter sido melhor no Flamengo. Com apenas cinco dias de clube, o treinador levantou a taça do Campeonato Carioca. Agora, espera aliviar os ânimos e encaminhar a virada de página depois de uma saída sentida e conturbada de Filipe Luís.
Os últimos dias foram de altos e baixos dentro do Fla, mas o elenco entendeu que precisava assumir uma parte da responsabilidade pelo momento ruim da equipe. A ideia agora, apesar do entendimento de que a atitude com Filipe não foi a ideal, é bola para frente e união para de fato virar a chave.
Jardim ainda não conseguiu ter tempo para disseminar a filosofia de trabalho. Por isso, as próximas semanas vão ser fundamentais e o treinador vai passar todo tempo que puder com o elenco. Como Filipe Luís teve um trabalho longo e já conhecia boa parte dos atletas dos tempos de jogador, o português entende que, de certa forma, o ex-lateral saía na frente. Sem pré-temporada e com dias curtos de treinos, a concentração voltará ao dia a dia, pelo menos por agora.
— Pelo fato de estarmos começando e a necessidade de jogos de três em três dias, falei com os atletas que pretendia, nessa fase inicial, estarmos concentrados e juntos. É necessário eu conhecer o grupo e eles me conhecerem, definir estratégia. É diferente do Filipe, que todos conheciam a estratégia e os treinos. Os jogadores aderiram e estamos concentrando principalmente nessa série de três em três dias — explicou Jardim.
A ideia é que a transição seja feita aos poucos e sem movimentos bruscos. A partida contra o Fluminense foi uma primeira amostra disso. No entanto, a tendência é que a identidade de Jardim passe a aparecer cada vez mais. Na quarta-feira, diante do Cruzeiro, uma equipe que ele conhece bem, o português poderá dar mais indícios de como pretende armar o Flamengo.
Mais ativo que Filipe, mas longe de parecer com Zubeldía, Leonardo Jardim passou instruções e conversou bastante na estreia. Carrascal e Arrascaeta foram os que mais ouviram ao longo da partida. Assim que o árbitro apitou o fim de jogo, o treinador foi até Danilo e passou um bom tempo conversando. Depois, falou rapidamente com Rossi antes de o goleiro estudar o adversário com um dos auxiliares. Ele se mostrou adepto dos "recadinhos" e mandou um bilhete para o Pulgar através de Jorginho.
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Bap, Leonardo Jardim e José Boto após título carioca do Flamengo — Foto: André Durão
Jardim pedia mais compactação ao time, incentivava nas chances criadas e mostrou certa frustração com os lances que não davam certo. Nos momentos de maior tensão, também ficou agachado no gramado. O Flamengo foi eficiente na defesa, a principal proposta da noite, mas não soube ser perigoso no ataque.
Durante as penalidades, o treinador assistiu entre o presidente Bap e o diretor José Boto. Os dois foram figurinhas carimbadas nos primeiros dias de trabalho do português no Fla e ficaram colados em Jardim depois que entraram no gramado para acompanhar as cobranças.
A noite também ficou marcada por exaltações da torcida a Filipe Luís. Se no campo alguns jogadores dedicaram o título a ele, na arquibancada um bandeirão foi visto ao lado do que leva o rosto de Zico. A despedida, que ninguém sabia, foi marcada por xingamentos, mas a partida seguinte acabou com gritos do nome do ex-lateral antes de o Fla erguer a taça.
O Flamengo já se reapresentou na manhã desta segunda-feira para iniciar a preparação para o jogo com o Cruzeiro. Elenco e comissão técnica não terão tempo para comemorar e, depois de uma semana livre, vão ter cada vez menos tempo para os treinamentos. O título do Campeonato Carioca é o primeiro de 2026, após as derrotas na Supercopa e na Recopa.
