"A voz que ataca juízes é a mesma que silencia sobre os codinomes 'Amante' e 'Lindinho' e atua como escudo para os negócios da família presidencial."
No último sábado, em um evento marcado pela retórica agressiva e pela tentativa de manter a própria imagem de agressividade e ataques infundados, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) oficializou sua pré-candidatura ao Senado pelo Paraná. Ao lado de figuras como Edinho Silva e Requião Filho, a ex-ministra de Lula não poupou ataques a Sergio Moro, chamando-o de "juiz ladrão". Contudo, o que a parlamentar, ao proferir os ataques em defesa da esquerda, deixa pairar é o extenso e controverso currículo que carrega, repleto de codinomes em listas de propina e uma atuação parlamentar que frequentemente parece blindar interesses escusos.
Enquanto Gleisi tenta se vender como a "paladina da justiça" paranaense, a memória política do país não apaga as planilhas da Odebrecht. Nelas, a então presidente do PT figurava com o nada honroso apelido de "Amante", termo utilizado pelo setor de propinas da empreiteira para identificar repasses ilegais.
A "tradição" familiar na lista de pagamentos não para por aí. Seu esposo, o deputado Lindbergh Farias, também foi agraciado com um codinome carinhoso no submundo da corrupção: "Lindinho". O casal, que agora busca renovar mandatos e influências, carrega o peso de ter seus nomes eternizados em esquemas que drenaram os cofres públicos, incluindo o histórico envolvimento no Mensalão, onde o PT institucionalizou a compra de apoio parlamentar para garantir sua permanência no poder.
A atuação de Gleisi Hoffmann no Congresso Nacional também levanta sérios questionamentos sobre suas prioridades. Em um momento em que a segurança pública é o maior clamor da população, a deputada tem se posicionado de forma veemente contra a classificação de organizações criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como facções terroristas, atuando inclusive para judicializar a ação do senador Flávio Bolsonaro de ter intermediado junto ao governo dos EUA para haver a classificação, o que de nada adiantou.
Para muitos, essa resistência em endurecer a legislação contra o crime organizado soa como uma complacência perigosa. Ao impedir que essas facções sejam tratadas com o rigor reservado ao terrorismo internacional, Gleisi e sua base política acabam, na prática, dificultando o combate estatal contra aqueles que aterrorizam as periferias brasileiras.
A coerência de Gleisi também é posta à prova quando o assunto é fiscalização. Embora hoje use o caso do Banco Master para atacar adversários políticos como o senador Flávio Bolsonaro, a parlamentar tem um histórico de atuar como escudo humano para aliados. Recentemente, ela foi uma das vozes mais estridentes contra a CPMI do INSS, que buscava investigar movimentações suspeitas ligadas, principalmente, a Lulinha, filho do presidente Lula, bem como ao seu irmão, popularmente conhecido como Frei Chico.
Na ocasião, Gleisi classificou a quebra de sigilo do filho do presidente como um "golpe", utilizando manobras regimentais para tentar anular as sessões de investigação. Da mesma forma, sua postura em relação à CPMI do Banco Master tem sido vista como seletiva: ela pressiona pela investigação apenas quando esta mira a oposição, mas silencia ou atua para minimizar os encontros, fora da agenda oficial, do próprio presidente Lula com o dono da instituição, Daniel Vorcaro.
Ao se lançar ao Senado, Gleisi Hoffmann tenta apagar com palavras o que seu histórico escreveu com fatos. Entre apelidos de propina, blindagem de parentes de aliados e uma estranha defesa de que facções criminosas não sejam chamadas de terroristas, a "Amante" das planilhas da Odebrecht terá que enfrentar, no Paraná, um eleitorado que, ao contrário do que ela imagina, possui uma memória muito viva.
