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COMBATE AO TERRORISMO - Lula reage à decisão dos EUA, temendo impacto negativo para o governo depois da classificação do PCC e CV como terroristas

Enquanto governos petistas passaram quase duas décadas sem endurecer efetivamente o combate às facções, articulação liderada por Flávio Bolsonaro levou os Estados Unidos a classificarem PCC e CV como organizações terroristas em uma das maiores pressões internacionais já impostas ao crime organizado brasileiro

Foto: Reprodução coluna do Coppola JP


Por Celso Alonso

A reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas expôs, mais uma vez, o desconforto do Palácio do Planalto diante da pressão internacional sobre o crime organizado brasileiro.

Durante evento em Sergipe nesta sexta-feira (29), Lula criticou duramente a medida anunciada pelo Departamento de Estado americano e afirmou que o Brasil “não é uma republiqueta”. O petista também acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “pedir intervenção estrangeira” após a visita do parlamentar à Casa Branca, onde se reuniu com Donald Trump e integrantes do governo norte-americano.

A indignação do governo, porém, contrasta com uma má vontade histórica das gestões petistas em questão de endurecer o combate às facções criminosas que expandiram poder territorial e financeiro nas últimas décadas. Integrantes do governo admitem preocupação com os efeitos práticos da classificação de PCC e CV como grupos terroristas, principalmente pelo alcance internacional que a decisão pode gerar.

A medida abre espaço para sanções financeiras, cooperação internacional ampliada e até ações mais duras contra empresas, pessoas e organizações que mantenham qualquer tipo de relação ilícita com integrantes das facções. O temor dentro do Planalto é que a decisão americana exponha ainda mais a fragilidade do Estado brasileiro no enfrentamento ao crime organizado.

O episódio também despertou novas críticas sobre a relação permissiva que setores da esquerda, historicamente, mantiveram com áreas dominadas pelo tráfico. Um dos casos mais lembrados ocorreu quando o então ministro da Justiça do governo petista, Flávio Dino, visitou o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, sem agenda e aparato ostensivo de segurança, fator primordial para uma autoridade de primeiro escalão do governo, especialmente por se tratar de ministro da Justiça, em uma cena explorada como símbolo da facilidade de trânsito de autoridades do governo em regiões controladas por facções.

Para uma parcela significativa da sociedade política, a reação de Lula demonstra mais preocupação com a soberania nacional do que com o avanço efetivo das organizações criminosas. Em 17 anos de governos petistas, argumentam adversários, não houve uma política capaz de sufocar financeiramente PCC e CV ou classificá-los juridicamente como grupos terroristas, apesar da expansão das facções para outros países da América Latina.

Outro ponto explorado por adversários do governo é o histórico de comemorações registradas em presídios após vitórias eleitorais do PT. Em diferentes eleições presidenciais vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva, vídeos divulgados nas redes sociais mostraram detentos celebrando os resultados com gritos, fogos improvisados e manifestações de apoio ao petista, cenas que passaram a ser usadas politicamente por setores da direita como símbolo do suposto conforto de integrantes do crime organizado com governos de esquerda.

Veja:


Para opositores, as imagens reforçam a percepção de que facções criminosas nunca enxergaram os governos petistas como uma ameaça efetiva às suas estruturas financeiras e territoriais. A avaliação é de que, ao longo dos anos, faltaram medidas mais duras para sufocar economicamente o PCC e o Comando Vermelho, ampliar o isolamento de lideranças criminosas e endurecer a legislação contra organizações que dominam comunidades em diversas regiões do país.

Partidários de Flávio Bolsonaro afirmam que a articulação internacional feita junto ao governo Donald Trump representa justamente uma mudança de postura no enfrentamento às facções. Segundo esse grupo, enquanto o PT priorizou discursos sobre soberania e críticas à atuação americana, a direita buscou pressionar organismos internacionais para enquadrar PCC e CV como ameaças terroristas globais, ampliando o cerco financeiro e jurídico contra o crime organizado.

A ofensiva americana ganhou força após a viagem do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Segundo o próprio senador, o enquadramento do PCC e do CV como organizações terroristas esteve entre os temas centrais tratados com Donald Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam que o governo Lula foi surpreendido pela rapidez da decisão.

Enquanto o Planalto articulava planejamentos e longas reuniões tidas como emergenciais para discutir uma resposta diplomática, que nunca saíram do papel, opositores destacavam que, em menos de uma hora de conversa com autoridades americanas, Flávio Bolsonaro conseguiu impulsionar uma medida internacional, mostrando que o governo brasileiro evitou discutir durante anos.

Integrantes do Executivo avaliam que a classificação pode aumentar a pressão externa sobre o Brasil em relação ao combate ao narcotráfico e ao financiamento das facções. A preocupação é ainda maior diante da possibilidade de sanções atingirem pessoas físicas, empresas e operadores financeiros suspeitos de ligações ilícitas com organizações criminosas.

Apesar das críticas de Lula, entendedores apontam que a decisão americana possui forte peso simbólico e político, colocando o Brasil no centro das discussões globais sobre segurança pública e combate ao crime organizado transnacional.

Ao reagir à medida, Lula afirmou que PCC e CV “são terroristas para as comunidades brasileiras”, mas insistiu que o combate deve ser conduzido internamente pelo país, o que nunca aconteceu por vontade de governos petistas. A declaração, entretanto, foi recebida como contraditória, já que o próprio governo brasileiro jamais avançou para enquadrar oficialmente as facções na legislação antiterrorismo nacional.

A crise também ampliou o desgaste político do governo em uma área considerada sensível para a população: segurança pública. Com índices elevados de violência e o fortalecimento contínuo das facções, a resposta do Planalto acabou sendo interpretada pela oposição como mais um movimento defensivo diante da pressão internacional.

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