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Anotação apreendida pela PF levanta suspeita sobre continuidade de orçamento secreto, mesmo após decisão do STF proibindo

Documento encontrado com ex-assessora de Arthur Lira cita recursos destinados a órgãos federais; investigação apura se verbas poderiam ser indicadas por parlamentares após decisão do STF sobre transparência nas emendas.

FOTO: UESLEI MARCELINO/REUTERS

Por Celso Alonso | BRASÍLIA, 2 de julho de 2026

Uma anotação apreendida pela Polícia Federal durante investigação envolvendo a ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, passou a integrar as apurações sobre a possível utilização de um mecanismo semelhante ao chamado orçamento secreto após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou maior transparência na destinação de recursos públicos.

A informação foi divulgada pelo portal UOL, que teve acesso aos documentos analisados pela investigação.

Segundo a reportagem, a anotação faz referência à destinação de recursos classificados como RP2 para órgãos como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o Ministério da Cidadania e o Ministério da Agricultura.

Para a Polícia Federal, o material pode indicar a existência de uma reserva de verbas passível de indicação por parlamentares ou grupos políticos, já durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Até o momento, a investigação busca esclarecer o significado da anotação e não concluiu que houve irregularidade na destinação dos recursos.

A apuração teve início em 2025, quando a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Mariângela Fialek.

Segundo os investigadores, a ex-assessora é apontada como uma das pessoas responsáveis por articular a distribuição de verbas parlamentares desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. As circunstâncias dessa atuação ainda são objeto de investigação.

Em nota, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República afirmou que a execução dos recursos discricionários é de responsabilidade dos ministérios e que sua atuação está restrita à gestão das emendas parlamentares, observando as regras de transparência definidas pelo Supremo Tribunal Federal.

A defesa de Mariângela Fialek declarou que sua atuação sempre foi de caráter técnico e administrativo, sustentando que as decisões sobre a destinação dos recursos cabiam exclusivamente às autoridades políticas competentes.

O FNDE informou que desconhece o valor mencionado na anotação apreendida, enquanto a Codevasf declarou que não comenta investigações em andamento.

A Polícia Federal continua analisando o material apreendido para verificar se as anotações representam apenas registros administrativos ou se apontam para um modelo de distribuição de recursos públicos incompatível com as determinações de transparência estabelecidas pelo STF.

Até o momento, não há conclusão definitiva da investigação nem acusação formal decorrente do conteúdo da anotação divulgada.

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