Josias Nunes de Oliveira foi absolvido pela Justiça em 1978 e, neste ano, teve sua inocência novamente destacada por comissão que revisou o caso envolvendo a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek.
Por Celso Alonso | BRASÍLIA, 2 de julho de 2026
Morreu na última terça-feira (16), aos 82 anos, em Indaiatuba (SP), Josias Nunes de Oliveira, ex-motorista da Viação Cometa que, por décadas, foi apontado como responsável pelo acidente que resultou na morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK), em 1976.
A informação foi confirmada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que lamentou o falecimento e afirmou que Josias foi alvo de uma acusação injusta, sustentando que não havia provas para responsabilizá-lo pelo episódio.
Dois anos após o acidente, Josias foi absolvido pela Justiça. Ao longo dos anos, concedeu depoimentos relatando o sofrimento, o impacto na vida pessoal e profissional e as humilhações enfrentadas em razão da acusação que recaiu sobre ele.
Mesmo após a absolvição, seu nome permaneceu associado ao caso por muitos anos.
Em maio deste ano, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos divulgou um novo entendimento sobre a morte de Juscelino Kubitschek. Segundo a comissão, o ex-presidente teria sido vítima de um atentado durante o regime militar e não haveria elementos que comprovassem a hipótese de uma colisão traseira envolvendo o ônibus conduzido por Josias.
Essa conclusão representa o posicionamento da comissão responsável pela revisão do caso. Ao longo das últimas décadas, diferentes investigações e análises oficiais apresentaram interpretações distintas sobre as circunstâncias da morte de JK, e o tema permanece objeto de debate histórico.
A comissão informou ainda que preparava um pedido público de desculpas a Josias Nunes de Oliveira pelo sofrimento causado pela acusação. Com sua morte, a homenagem será entregue oficialmente aos familiares.
A trajetória de Josias ficou marcada por uma das mais conhecidas controvérsias da história política brasileira, envolvendo o acidente que vitimou o ex-presidente Juscelino Kubitschek e que continua despertando debates quase cinco décadas depois.
