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ELEIÇÕES 2026 - Manobra e decisão monocrática de indicado de Lula no TSE derruba candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado na véspera da eleição

Ministro Floriano de Azevedo Marques, indicado ao TSE pelo presidente Lula - PT, anulou o registro do candidato do Novo e determinou que os votos recebidos por Deltan sejam considerados nulos; medida altera o cenário da disputa pelo Senado no Paraná e favorece Gleyci Roffman (PT) que estava praticamente fora da disputa

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto


Por Celso Alonso | BRASÍLIA 03/10/2026

A disputa pelo Senado no Paraná sofreu uma reviravolta na noite deste sábado (3), véspera do primeiro turno das eleições. O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - PT, determinou o indeferimento do registro de candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) e estabeleceu que os votos eventualmente recebidos pelo ex-procurador da Lava Jato sejam considerados nulos na apuração.

A decisão foi tomada de forma monocrática e reverte o entendimento adotado anteriormente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que havia deferido a candidatura de Deltan por 4 votos a 3. O tribunal paranaense havia considerado que fatos posteriores, incluindo o encerramento de procedimentos no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), modificavam o quadro analisado pela Justiça Eleitoral em 2023.

Floriano determinou ainda que o TRE-PR altere imediatamente a situação eleitoral de Deltan para “indeferido”, mesmo que não haja tempo hábil para que a alteração seja processada tecnicamente nos sistemas eleitorais antes da votação deste domingo (4).

Na avaliação do ministro, entendida como manobra jurídica para tirar Dallagnol da disputa, os elementos apresentados pela defesa não seriam suficientes para afastar o entendimento firmado pelo próprio TSE em 2023, quando Deltan perdeu o mandato de deputado federal.

Naquele julgamento, a Corte considerou que Deltan havia deixado o Ministério Público Federal em novembro de 2021 enquanto respondia a procedimentos internos que poderiam resultar em sanções. A interpretação adotada foi de que a exoneração teria ocorrido com o objetivo de evitar consequências que poderiam gerar inelegibilidade.

A defesa, por sua vez, sustentou que a situação havia mudado desde então, principalmente porque procedimentos que tramitavam no CNMP foram posteriormente arquivados. Essa mesma linha de argumentação havia sido acolhida pelo TRE-PR ao reconhecer a elegibilidade do candidato em setembro.

A nova manobra da esquerda acontece poucas horas antes da abertura das urnas e modifica novamente a situação jurídica de Deltan, que até esta semana ainda aparecia formalmente como candidato.

Em 30 de setembro, a própria campanha afirmava que Deltan permanecia com o registro deferido e que seu nome estaria disponível para votação, embora sua campanha já estivesse suspensa por determinação do TSE.

O novo entendimento, porém, determina que os votos atribuídos ao candidato sejam considerados nulos.

A decisão ainda será submetida posteriormente à análise do plenário do TSE.

A retirada de Deltan da disputa também modifica o cenário entre os candidatos que buscam as duas cadeiras do Paraná no Senado.

Entre os nomes diretamente afetados pela mudança está Gleicy Roffman, que vinha enfrentando uma disputa eleitoral em um cenário no qual Deltan permanecia como candidato. Com a decisão do TSE e a determinação de nulidade dos votos destinados ao candidato do Novo, a distribuição das vagas passa a ser apurada sem que esses votos sejam computados em favor de Deltan.

Na prática, a decisão abre uma nova configuração para a disputa e coloca Gleicy novamente na reta final da eleição.

O efeito definitivo sobre a composição das duas vagas, entretanto, dependerá da apuração oficial dos votos e da aplicação das regras eleitorais pela Justiça Eleitoral.

A manobra de Floriano também contrariou manifestação anterior da Procuradoria-Geral Eleitoral, que havia defendido a manutenção do registro de Deltan.

O Ministério Público Eleitoral sustentou que os procedimentos administrativos que fundamentaram a discussão anterior não haviam produzido punições e que os fatos posteriores deveriam ser considerados na análise da candidatura de 2026.

O TRE-PR seguiu essa linha e, em setembro, reconheceu a elegibilidade de Deltan por maioria de votos. A decisão paranaense, entretanto, foi contestada no TSE e acabou sendo revertida neste sábado.

O caso de Deltan Dallagnol atravessa, assim, mais uma mudança às vésperas da votação. Primeiro, o TRE-PR autorizou sua candidatura; posteriormente, o TSE suspendeu os atos de campanha; agora, na véspera do primeiro turno, uma decisão monocrática determina o indeferimento do registro e a nulidade dos votos destinados ao candidato.

A definição sobre os efeitos políticos e eleitorais do episódio dependerá da apuração deste domingo e, posteriormente, da apreciação do caso pelo colegiado do Tribunal Superior Eleitoral.

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