Pesquisa Reuters/Ipsos aponta desgaste do presidente norte-americano, enquanto democratas ampliam vantagem nas intenções de voto e ameaçam maioria republicana no Congresso
Por Celso Alonso | BRASÍLIA 02/11/2026
A popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permanece em 32% a apenas um dia das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para esta terça-feira (3/11). O índice foi apontado pela mais recente pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada nesta segunda-feira (2), e representa um cenário de pressão política para o Partido Republicano.
O percentual repete o resultado da semana anterior e permanece próximo da menor taxa de aprovação registrada por Trump em seu atual mandato. Em 19 de outubro, o presidente chegou a 31%, indicando dificuldades para recuperar a confiança de parte significativa do eleitorado norte-americano.
O levantamento também revela o impacto da rejeição ao presidente sobre a disputa legislativa. Entre os eleitores independentes entrevistados, 50% afirmaram que pretendem votar em candidatos contrários a Trump nas eleições para o Congresso.
Na preferência geral dos eleitores, os candidatos do Partido Democrata aparecem com 46% das intenções de voto, contra 38% dos republicanos, legenda do presidente norte-americano.
A pesquisa ouviu 1.765 eleitores nos Estados Unidos e apresenta margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais.
O resultado reforça a possibilidade de uma mudança na composição política do Congresso, atualmente controlado pelos republicanos desde a vitória de Trump nas eleições presidenciais de 2024.
As eleições de meio de mandato renovam cadeiras do Congresso norte-americano, formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado. O resultado poderá alterar o equilíbrio de forças em Washington e dificultar a agenda política do governo Trump.
Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo jornal The New York Times aponta vantagem democrata nas intenções de voto em quase todos os sete estados considerados decisivos para a disputa pelo Senado.
Caso a tendência se confirme nas urnas, os democratas poderão conquistar a maioria na Casa, retirando dos republicanos uma importante base de sustentação parlamentar.
Na Câmara dos Representantes, o cenário também preocupa os aliados do presidente. Um levantamento da Economist/YouGov, divulgado no fim de outubro, apontou preferência de 51,4% dos eleitores pelos democratas.
A eventual perda de controle das duas Casas representaria um revés político para Trump, com possíveis consequências para a aprovação de projetos, o orçamento federal e as prioridades de sua administração.
O resultado das eleições desta terça-feira será um importante termômetro da popularidade de Trump e da capacidade dos republicanos de manter sua força política após dois anos de governo.
Com a aprovação presidencial próxima de sua mínima histórica e os democratas à frente em levantamentos nacionais, a disputa ganhou dimensão estratégica. Uma vitória democrata poderá impor maior resistência parlamentar à Casa Branca e alterar a correlação de forças na política norte-americana.

