Governadora reeleita pretende publicar um “decretão” em janeiro, abrindo espaço para reorganizar cargos de confiança e escolher novos integrantes da administração distrital
Por Celso Alonso | BRASÍLIA 06/11/2026
A governadora reeleita do Distrito Federal, Celina Leão (PP), prepara uma ampla reformulação nos cargos comissionados do Governo do Distrito Federal (GDF). A estratégia prevê a publicação de um decreto de exoneração coletiva em janeiro de 2027, quando terá início seu novo mandato.
A informação foi divulgada pela coluna Grande Angular, do Metrópoles. Segundo a apuração, a medida tem como principal objetivo permitir uma avaliação individual dos atuais ocupantes de cargos de confiança e abrir caminho para a formação de uma equipe alinhada ao projeto administrativo e político da governadora.
Celina assumiu o comando do Palácio do Buriti no final de março de 2026, após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB). Na ocasião, optou por preservar boa parte da estrutura administrativa herdada, evitando mudanças profundas no quadro de pessoal.
Com a reeleição, entretanto, a governadora pretende iniciar uma nova etapa de gestão, com maior liberdade para definir os nomes que ocuparão funções estratégicas no Executivo.
Os cargos comissionados são de livre nomeação e exoneração do chefe do Executivo e, tradicionalmente, representam espaços de confiança política e administrativa.
Durante os anos de gestão de Ibaneis Rocha, diversas indicações foram mantidas por influência de aliados, grupos políticos e lideranças que participaram da construção da base governista.
A avaliação agora é que parte dessas indicações poderá não corresponder às prioridades da nova administração. Por isso, a exoneração coletiva funcionaria como uma espécie de reorganização geral da estrutura de confiança do governo.
A medida também poderá abrir oportunidades para novos aliados e apoiadores que participaram do processo eleitoral e deverão integrar a composição política do próximo mandato.
Apesar do alcance da exoneração prevista, a expectativa é que parte dos atuais servidores comissionados seja reconduzida aos respectivos cargos ou nomeada para outras funções.
A diferença estará no processo de escolha: depois da exoneração geral, a governadora poderá avaliar quem permanecerá na estrutura administrativa e quais novos nomes serão incorporados ao governo.
No primeiro escalão, a estratégia também reduz a exposição política das substituições individuais, uma vez que as mudanças ocorrerão dentro de um movimento administrativo coletivo.
A reorganização sinaliza que Celina Leão pretende começar seu novo mandato com uma estrutura própria de governo, ampliando sua autonomia política e administrativa na condução do Distrito Federal a partir de janeiro de 2027.

