Page Nav

HIDE

Últimas notícias:

latest

CAMPANHA - COMBATE A DENGUE


Reparos domésticos custam até o dobro no DF

Levantamento feito pela GetNinjas, plataforma virtual que permite a cotação e contratação de serviços domésticos, mostra que reparos como pintura custam quase o dobro em Brasília em comparação a cidades vizinhas


Ludmila Rocha
ludmila.rocha@jornaldebrasilia.com.br

Apesar de estarem a cerca de 60 km, Brasília (DF) e Luziânia (GO) estão bem distantes quando o assunto são os preços. O valor cobrado por serviços elétricos, hidraulicos, marcenaria e pintura, por exemplo, é muito mais alto em Brasília do que na cidade goiana. Enquanto aqui o preço médio da pintura branca, por metro quadrado, é de R$ 14,30, em Luziânia cai para R$ 9. A instalação de um simples chuveiro elétrico também pode atingir cifras exorbitantes em Brasília: R$ 105,49. Já no município da Região Metropolitana do DF sai em torno de R$ 63,50. 


O levantamento foi feito pela GetNinjas, plataforma virtual que permite a cotação e contratação de serviços domésticos, com 65 mil profissionais cadastrados em todo País. Para a coleta de dados, foram ouvidos mais de 15 mil autônomos, em 300 cidades brasileiras. Deles, 393 trabalham em Brasília, 25 em Luziânia e outros 181 em Goiânia. A pesquisa foi publicada no dia 16 de setembro e já possui mais de 20 mil visualizações. 

Segundo o estudo, Brasília possui o metro quadrado mais caro do Centro-Oeste, dentro na categoria pintura, enquanto Luziânia é a cidade com o preço mais acessível. Mas por qual motivo a capital parece sempre à frente quando se trata de preços? 

Segundo Eduardo L'Hotellier, presidente da GetNinjas, o preço alto dos serviços em Brasília se deve a dois fatores: renda per capita e custo de vida elevados. “É comum cobrar um preço maior em estados ou bairros onde a renda per capita é superior”, explica. Já o alto custo de vida faz com que o profissional gaste mais com o deslocamento (combustível ou passagem) e precise elevar o preço dos serviços. 

L'Hotellier diz que há uma relação entre o tamanho da cidade e o preço dos serviços. “Percebemos que as regiões mais desenvolvidas são as que oferecem produtos mais caros”, conclui. 
Urgência acaba prevalecendo

A advogada Cristiane Caetano, de 35 anos, percebeu a diferença quando se mudou. “Me mudei esse mês, do centro de Taguatinga para Águas Claras. Assim que saímos, uma janela no antigo apartamento quebrou e precisamos trocar. Como eu tinha pressa contratei uma vidraçaria em Águas Claras, que cobrou R$ 160 pelo serviço. Eu já havia pesquisado outras três vidraçarias em Taguatinga que me cobraram R$ 80. Como estávamos com pressa fechamos com ali mesmo, mas fiquei revoltada porque pagamos exatamente o dobro”, disse.

A relações públicas Milka Barbosa, de 34 anos, conta que já chegou a pagar R$ 735 para desentupirem um cano na área externa de sua residência, valor que seria muito superior à média estimada pela pesquisa GetNinjas para este serviço em Brasília, de R$ 67,10. 
“Como era muito urgente tive que mandar fazer. Mas até hoje fico revoltada quando lembro. O serviço era simples e não tivemos mais problemas, mas o valor foi abusivo”, lamenta. 

Preço abusivo foi parar na polícia

A administradora Tatyane Pimentel, 35, passou por sérios transtornos. Depois de receber um orçamento equivocado e se recusar a pagar o valor exigido pelo encanador, ela foi ameaçada e precisou registrar um boletim de ocorrência. “A pia da minha cozinha entupiu, liguei para uma empresa e o atendente informou que o serviço custaria R$ 200. Me interessei e o encanador foi até a minha casa. Acontece que quando ele terminou o trabalho disse que custaria R$ 1 mil. Eu falei que havia um en gano, pois tinham me passado o valor de R$ 200. Então, ele respondeu que R$ 200 era o preço cobrado por metro quadrado desentupido. Desde quando tenho que saber que é por metro?”, disse.

Tatyane entregou os R$ 200 combinados e pediu que o encanador fosse embora. “Ele disse que não aceitaria e me ameaçou. Registrei uma ocorrência e, mesmo assim, ele ficava com o carro parado na frente do meu prédio, a fim de me intimidar. Só depois que a polícia o procurou ele sumiu”, lembra. 

Goiânia



Em Goiânia, a situação não é diferente. Depois da morte de seu pai, o estudante Cristiano Berigo, 21, se tornou o responsável pela casa. Ele ressalta que os valores costumam variar muito. “Tudo depende do bairro em que você mora. Percebo que os profissionais liberais cobram mais barato, mas também não dão garantia do serviço prestado”, diz. “Precisamos contratar um eletricista para trocar a resistência do chuveiro. Ele cobrou R$ 50”.

A dentista Thaís Soares, 24, moradora de Valparaíso (GO) diz que pagou R$ 30 na troca da resistência de seu chuveiro - quase metade do valor cobrado em Goiânia. Ela também precisou consertar o portão “Ele cobrou R$ 70 e se atrasou muito, mas resolveu o problema”, disse. Se os serviços tivessem sido feitos em Brasília, o valor da troca da resistência do chuveiro subiria para R$ 40 e o conserto do portão sairia por R$ 200,47.

Orçamento é variável

O pedreiro José Adriano Silva, 25, faz todo o tipo de serviço - de construção a reparos na parte elétrica e hidráulica. Segundo ele, que mora no Novo Gama, Região Metropolitana do DF, os preços cobrados pelos serviços variam de acordo com o custo da alimentação e deslocamento para a cidade de cada cliente. “Quando estou realizando obras de construção, por exemplo, cobro R$ 140 pela diária em Goiás, R$ 160 no Gama e em Santa Maria e R$ 200 no Guará, Taguatinga, Águas Claras, Asa Sul, Asa Norte, Lago Sul e Lago Norte”, diz.

José explica que, como ele e os ajudantes moram em Goiás, se deslocam de carro até o local dos trabalhos. “Temos gastos altíssimos com gasolina. Isso sem contar os custos com alimentação. Quanto mais nobre é o bairro, mais caro é o quilo da comida”, diz. O pedreiro diz que enquanto cobraria cerca de R$ 70 para trocar a resistência de um chuveiro em Águas Claras, no Entorno o trabalho sairia por R$ 40. 

Antônio Carlos Simões, 52, trabalha de forma diferente. Ele faz serviços de elétrica, marcenaria e pintura, mas não cobra por metro de serviço feito. “Vejo o espaço e dou um orçamento. Por metro, o preço final costuma ficar mais alto”, afirma. Ele mora no Cruzeiro e tem clientela fixa. Por isso, trabalha com os mesmos preços há anos. 
O preço cobrado por Simões para a instalação de um chuveiro, por exemplo, é de R$ 40. “Também trabalho com reparo e construção de móveis”, afirmou.

Saiba mais

Além do levantamento, a GetNinjas criou um Guia de Preços. Pelo sistema, os cliente pode acessar os serviços que deseja contratar - por região, estado e cidade - para obter a média de preço cobrada em cada localidade. Para utilizá-lo basta acessar: blog.getninjas.com.br e clicar na aba Guia de Preços. 



Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Nenhum comentário




Latest Articles