Comerciantes de Novo Gama protestam após decreto da Prefeitura


Na manhã desta terça-feira (23), vários comerciantes atingidos pelo novo decreto da Prefeitura de Novo Gama, município do entorno do Distrito Federal, promoveram uma manifestação que começou com uma caminhada pela avenida principal da cidade e terminou em frente da sede do executivo novogamense em uma reunião com o prefeito Carlinhos do Mangão.

Os comerciantes argumentam que as medidas adotadas pela prefeitura prejudicam severamente o setor varejista enquanto outros seguem trabalhando sem restrições e com aglomeração de pessoas. “Não queremos que os demais setores fechem; ao contrário, queremos que todos trabalhem seguindo os devidos cuidados”, frisou um empresário do setor higienização automotiva.

Ele completou ainda que não entende o porquê da sua especialidade não ser considerada como sendo essencial. “Eu combato o Covid-19 na minha loja e não posso abrir o meu comercio. Eu tenho produtos certificados e homologados pela Anvisa, trabalhando com higienização de veículos. Todos vocês quando pegam o Covid, entram dentro de um carro e vão para o hospital e esse carro tem de estar higienizado. Eu preciso abrir o meu comercio até mesmo para atender vocês.”

“Fechamento total é um absurdo, temos o exemplo de Brasília, uma cidade com milhões de habitantes que não parou, vem trabalhando em sistema de rodízio. Aí você pega um município como Novo Gama, que tem perto de 150 mil pessoas, e fecha totalmente o comércio? Não faz sentido”, pontuou outro comerciante que atua na área de confecções.

Por sua vez o prefeito Carlinhos do Mangão informou que o decreto no município é muito mais flexível em comparação ao decretado pelo governo estadual. “O decreto do estado veio mais rígido do que o decreto que fizemos ontem, mas se a categoria achar que está no direito, como outra cidade fez, que entre na justiça.”

O prefeito pontuou ainda que “não está com demagogia” ao falar sobre a crise epidemiológica que assola o município. “Todas as categorias que atendem serviços de saúde e que são essenciais que estão no decreto, elas funcionam. Então eu peço que vocês leiam o decreto direito.”

Durante o encontro do prefeito com os manifestantes em frente ao prédio da prefeitura, houve princípio de bate-boca, aonde vários comerciantes tentavam estampar suas indignações ao mesmo tampo, inclusive interrompendo a fala do prefeito.


Outro comerciante não concordando com as explicações de Carlinhos, disse que o decreto não funcionava. “O nosso município está enxugando gelo, mesmo com as lojas fechadas o pessoal está nas ruas. Sábado e domingo, por exemplo, as ruas estavam cheias de gente.”

Diante da fala do comerciante, o prefeito disse que chamou todos os comerciantes para uma conversa prévia antes que fosse editado o decreto. “Eu recebi vocês aqui na Prefeitura e expliquei toda a situação, mostrei toda a documentação para a comissão que esteve aqui explicando que não depende somente do prefeito.”


Carlinhos foi interrompido por outro comerciante que mostrou toda sua preocupação com o fechamento do comercio da forma que estipula o decreto municipal. “Se não morrermos pelo Coronavirus, vamos morrer de fome, pois as pessoas estão nas ruas tentando comprar alimento e não conseguem”.

“Se não morrermos pelo Coronavirus, vamos morrer de fome, pois as pessoas estão nas ruas tentando comprar alimento e não conseguem”.

De acordo com o prefeito, ficou definido durante a reunião com os comerciantes, que antecedeu a edição do decreto e já está em análise, um projeto a ser apresentado na Câmara de Vereadores que estabelece abatimento proporcional na taxa de alvará durante o período de fechamento dos comércios, bem como na taxa relativa a vigilância sanitária. 

O prefeito ainda informou que na tarde dessa terça-feira (23), irá reunir com sua equipe técnica para ajustar “alguma coisa” em relação ao decreto. Ele completou dizendo da diferença do decreto da prefeitura em relação ao do estado. “O nosso está autorizado delivery e drive-thru, diferentemente do estado que decretou lockdown total.”


De acordo com uma comerciante, atualmente os comerciantes estão tendo que “pagar a conta” por erros de governos passados. “Agente teve um ano para se preparar para essa pandemia, por exemplo; no Novo Gama nunca teve hospital, nunca tivemos saúde, sempre dependemos do DF. Se os governos passados não fizeram, não somos nós comerciantes que agora temos que pagar esse preço? Porque nós temos que ficar fechados? Nós temos família e ajudamos outras pessoas. E agora como vamos fazer?”

“Agente teve um ano para se preparar para essa pandemia, por exemplo; no Novo Gama nunca teve hospital, nunca tivemos saúde, sempre dependemos do DF. Se os governos passados não fizeram, não somos nós comerciantes que agora temos que pagar esse preço? Porque nós temos que ficar fechados? Nós temos família e ajudamos outras pessoas. E agora como vamos fazer?”

Outro questionamento dos comerciantes é em relação a falta de diálogo da Prefeitura com a categoria. “A nossa obrigação é cobrar do senhor e a sua parte é cobrar do governador e passar para nós o resultado. Agente está desinformado”. Para responder aos comerciantes sobre as ações da prefeitura com o governo do estado, Carlinhos falou que sempre está reunido com a Associação Comercial da cidade, tratando de assuntos do interesse da categoria. Nesse momento, o prefeito foi interrompido sob a alegação de que os comerciantes não possuem afinidade com a Associação Comercial. “Quem aqui sabe das reuniões que acontecem com os comerciantes aqui? Ninguém sabe.” disse um comerciante se referindo a omissão da associação, que segundo muitos, o órgão só tem afinidade com os grandes empresários e em momentos de interesses, tal como, angariar recursos para festividades.

Setores com grande fluxo estão funcionando

A grande revolta dos comerciantes é que o decreto não atingiu todos os segmentos comerciais e muitos com a mesma especialidade continuam abertos “por serem denominados grandes”. “Acontece que os grandes comércios continuam abertos, massacrando os pequenos que foram forçados a fechar.”

Um dos pontos que faz a categoria questionar a eficiência do decreto municipal, adotado pela prefeitura, é a liberação do funcionamento normal de setores que promovem aglomeração de pessoas. “Se pagar bancos, supermercados e lotéricas, por exemplo, em uma hora há um fluxo de pessoas que corresponde ao mês todo de um pequeno comércio”, argumentou outro comerciante.

“Se pagar bancos, supermercados e lotéricas, por exemplo, em uma hora há um fluxo de pessoas que corresponde ao mês todo de um pequeno comércio”

Perguntado sobre o funcionamento dos comércios durante o decreto, o prefeito reforçou que “todos” podem funcionar no sistema delivery e drive-thru, o que contraria o decreto de que “somente os serviços essenciais podem continuar em funcionamento”. Carlinhos foi interpelado de que essa medida não estava inserida no decreto, mas o prefeito voltou a afirmar da liberação.

Leia a integra do decreto no link abaixo:


Leia a integra do decreto do governo estadual no link abaixo:



Por fim, foi sugerido por um comerciante o revezamento no funcionamento dos comércios. Por sua vez o prefeito informou de que na segunda-feira (21) todos os estabelecimentos do gênero, em especial aos supermercados e empresas de ônibus, foram notificados a permitir a entrada de somente uma pessoa por família e se precisar um acompanhante, afirmando que a fiscalização irá intensificar para que seja cumprido. “Não estamos para beneficiar nem a, nem b, estamos para fazer o correto.”

Fonte - Agencia Satélite

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