Vilma pede perdão a Lia e diz ter pago por roubo de Pedrinho e Roberta

Vilma ainda culpou Lia pela sua condenação, pois a mãe biológica de Pedrinho a apontou, em depoimentos, como a sequestradora do filho

Novas informações sobre o caso foram dados por Vilma em entrevista ao Programa Domingo Show, da Rede Record 

"Eu não sequestrei nenhuma criança. Eu ir lá e pegar, não. Eu comprei." Vilma Martins Costa afirma ter pago pelos roubos de Pedro Rosalino Braule Pinto e Maria Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva. Pelo menino, mais conhecido como Pedrinho e levado de uma maternidade de Brasília em 1986, ela pagou o equivalente a R$ 30 mil. Pela menina, que ela registrou como Roberta Jamilly, foram R$ 6 mil. Condenada em 2003 pelos sequestros das duas crianças, ainda recém-nascidas, e por falsificação de documentos, ela está em liberdade condicional. As novas versões e outras revelações foram dadas em entrevista exibida neste domingo (14/6), no programa Domingo Show, da TV Record.

Para Vilma, os crimes dela são menos graves do que os que a levaram à cadeia porque, segundo a nova versão, ela não pegou as duas crianças dentro da maternidade. Sem dar nomes, ela contou ter contratado uma quadrilha especializada em sequestros de bebês. A moradora de Goiânia pediu perdão, pela primeira vez, à verdadeira mãe de Pedrinho, Maria Auxiliadora Braule Pinto, a Lia, que mora no Lago Norte, no Distrito Federal. “Eu entendo a situação dela totalmente, tenho atá que pedir perdão pra ela. Mas não fui eu”, afirmou,ao mandar um recado à vítima.

Mas, ao mesmo tempo em que dizia ter errado, Vilma tentava justificar o roubo afirmando que era para realizar o sonho do marido, o fiscal da Receita de Goiás Oswaldo Borges, de ter um filho com ela. “A ideia (do roubo de Pedrinho) foi minha e do meu marido. Eu já tinha perdido duas gestações. O Oswaldo me cobrava um filho. Tentamos adotar. Fomos procurar os trâmites, mas como não éramos casados, esbarravamos nessa situação”, alegou Vilma. Ela garantiu que o marido sabia do crime. "Claro que sabia. Um homem que conviveu comigo 23 anos e 7 meses. Ele não dormia na rua. Estava comigo a noite todos os dias. Estão colocando meu marido como um débil. A pessoa, por mais boba que for, entende das coisas", ressaltou ela. Oswaldo morreu em decorrência de um câncer, um mês antes de a Polícia Civil do DF encontrar Pedrinho. Portanto, não deu a versão dele.

Vilma ainda culpou Lia pela sua condenação, pois a mãe biológica de Pedrinho a apontou, em depoimentos, como a sequestradora do filho. “Tinha vontade de falar com ela pessoalmente. (Lia) Você olhou pra mim e acha que eu peguei o seu filho. Não peguei. Eu comprei o seu filho, o nosso filho, nosso Júnior. Agora, me perdoa por eu ter me envolvido nessa situação e o seu filho no meio. Poque quem sofre é ele. Me perdoa.” Ela continuou a acusar Lia. “Não vou falar que ela está mentindo. Ela deve estar confundindo. Se fosse assim (a versão que prevaleceu à Justiça) ela não culparia outras quatro pessoas antes de mim (até os anos 2000, outras três crianças, e não quatro, foram dadas pela polícia de Brasília como sendo Pedrinho). Se ela tivesse certeza que era eu, ela não teria, também, condenado outras pessoas. Eu tenho certeza que ela não pode olhar pra mim e falar: é ela. Porque não fui eu.” Mas Lia nunca acusou outras pessoas de ter sequestrado o filho dela.

Vilma disse estar disposta a reencontrar Lia e o pai biológico de Pedrinho, Jayro Tapajós. Afirmou que a casa dela em Goiânia está aberta ao casal, pois acredita em um perdão de ambos. “Eu acho que ela é uma mulher, pelo pouco que ouvi falar dela, de muito amor no coração. Acho que ela vai me perdoar sim, um dia. Eu cuidei muito bem do nosso filho”, afirmou Vilma, destacando que mantém contato com Pedrinho.

Relação com Pedrinho

Sobre o garoto, hoje um advogado de 29 anos, casado, morador da Asa Norte, pai de um menino de 3 anos, Vilma disse conviver muito bem com ele, mas não conversar sobre os crimes que ela cometeu. “Dentro de mim, é meu filho. O criei por 17 anos, dei todo amor. Mas ele é filho dela (Lia). Mas que ela divida comigo, porque eu o amo, eu dou a minha vida por ele e pelos meus filhos também. Dividir ele, não tem como. Ele tem amor por mim também, como ele tem, lógico, muito amor por você (Lia). Mas eu também cuidei dele, cuidei muito bem do nosso filho. Tenho certeza disso. E que ela me perdoe. Se quiser um dia conversar comigo sobre esse problema, estou de portas abertas. Muito melhor a gente conversar.”

Vilma, sequestradora do bebê Pedrinho em 1986, durante julgamento onde ganhou direito à liberdade condicional

Já sobre Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, Vilma afirmou ter pago a uma pessoa da família da vítima pela criança, tirado da mãe em uma maternidade de Goiânia em 1979. “Ela não foi sequestrada. Inclusive a própria mãe dela não falou que era eu. Foi comprada. A Roberta foi barato. Foi uma pessoa da própria família dela que passou ela pra gente. Era uma mulher que era amante do pai dela. Pagamos R$ 6 mil.” Além de não dar nomes, Vilma não conseguiu explicar porque não contou tal história, como a do roubo de Pedrinho, nos depoimentos à polícia e à Justiça.

A sequestradora de bebês ainda acusou o irmão, Sinfrônio Machado, de assassinato. Ele foi uma das principais testemunhas de acusação no Caso Pedrinho, pois confessou ter dirigido o carro que levou Vilma de Goiânia â maternidade na capital da República, e de onde saiu com um recém-nascido em uma sacola, de volta à Goiânia. “Depois que meu marido morreu, queriam que eu desse a marcenaria pra eles (Sinfrônio e a irmã Rosalina). E ficaram com medo de eu contar que eles tinham matado meu cunhado (não deu o nome nem contou como teria sido tal crime). Eu fui massacrada. Estava sem chão, meu marido morto, a situação do momento que veio a tona (acusação de sequestro) muito grave. Fiquei perdida.”

Condenações

Para a polícia, o Ministério Público e Justiça, se passando por assistente social, Vilma roubou Pedrinho na maternidade de Brasília e o levou para Goiânia com a intenção de forçar o companheiro, que era casado, a ficar com ela. Osvaldo Martins Borges se separou da família e criou Pedrinho com Vilma, na capital goiana, como se fosse seu filho legítimo. O menino cresceu a pouco mais de 200km dos pais biológicos.

A farsa só foi descoberta em 2002, após a morte de Osvaldo. Em 8 de novembro daquele ano, um teste de DNA confirmou a suspeita de crime. Pedrinho tinha sido registrado por Vilma como Osvaldo Martins Borges Júnior. Depois de Pedrinho, por meio de um teste de DNA a partir de saliva colhida em uma bituca de cigarro da então jovem Roberta Jamilly, a Polícia Civil de Goiás descobriu que ela era, na verdade, Aparecida Fernanda Ribeiro. Vilma acabou condenada a 19 anos de prisão. Em 2008, depois de cumprir cinco anos da pena, teve a liberdade condicional concedida pela Justiça de Goiáis

Vilma, porém, se considera uma injustiçada. “O juiz, no dia da audiência, não deu condição de eu falar. Me condenaram. Eu não tive defesa. Eu fui ouvida na polícia. Os médicos já tinham morrido, eram de muitos anos atrás. Não roubei. Fui errada, concordo. Eu estava com filho que não era meu, lógico, meu Deus. Mas por isso eu paguei e continuo até hoje sofrendo”, afirmou ela, na entrevista à Record.

Embora do Brasil

Por fim, se dizendo perseguida por tudo e por todos, Vilma afirmou ter planos de deixar o Brasil. “Eu fui a presa mais presa do mundo. A pena que me impuseram, eu não sequestrei. Eu comprei. E eu pediria ao Brasil, ao mundo, que deixasse pelo meu cumprimento essa pena. Que não me massacrasse tanto. Que eu pudesse sair livremente. Que a décima geração minha, se acontece problema, com um sobrinho, um neto, tem que por de novo o problema do passado, pelo qual já paguei. Estou fazendo 60 anos, será que nunca vou me libertar do passado, disso que já paguei? Você que está aí em casa e fez alguma coisa no passado, vai ter que pagar a vida toda? Eu vou ter que pagar a vida inteira, até vir a óbito? Estou pensando em sair do Brasil".



Fonte - Correio Braziliense

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