Dinheiro é arremessado pela janela durante operação da PF no Recife

Polícia investiga crimes em licitações e desvio de recursos na Hemobrás. Flagrou maços de dinheiro sendo arremessados em prédio de investigado.


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (9), uma operação para combater uma organização suspeita de direcionar licitações e desviar recursos públicos da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). Durante o cumprimento de um dos 28 mandados de busca e apreensão realizados, agentes da PF flagraram maços de dinheiro sendo arremessados da janela de um dos apartamentos das Torres Gêmeas, edifício onde vive um dos investigados, o diretor-presidente Rômulo Maciel Filho, no Bairro de São José, na área central do Recife. [veja o vídeo]. A PF apura, no entanto, quem teria arremessado os pacotes antes da chegada dos policiais.

Entre os delitos apurados na operação estão corrupção passiva, infringência da lei de licitação, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo o superintendente da PF no estado, Marcelo Diniz Cordeiro, a investigação já teria verificado desvios de aproximadamente R$ 20 milhões, mas esse valor pode ser ainda maior. "Essas frentes que estamos investigando não dizem respeito só ao superfaturamento da obra, mas também ao superfaturamento do gerenciamento, direcionamento de licitações entre outras coisas", explicou.

Na casa do diretor-presidente da Hemobrás, a PF também encontrou 50 quadros que estariam sendo utilizados para lavagem de dinheiro. As obras são de artistas como Bajado, João Câmara e George Barbosa. "Os quadros foram trazidos porque um dos crimes investigados é o de lavagem de dinheiro. Já comprovamos a prática com algumas dessas obras e vamos aprofundar a investigação para verificar as outras", acrescentou o chefe de comunicação da PF, Giovani Santoro. Os agentes também encontraram R$ 15 mil em um cofre na residência.

De acordo com a PF, durante a "Operação Pulso" ainda foi notado que amostras de sangue coletadas, que deveriam ser transformadas em medicamentos contra a hemofilia e outras doenças, não foram fabricadas devido um armazenamento incorreto do material.

A polícia ainda investiga diversas licitações e contratos de logística de plasma e hemoderivados ilegais. A obra de construção de uma fábrica da Hemobrás em Goiana, Mata Norte do estado, também está sob suspeita.

A operação cumpre 28 mandados de busca e apreensão, 29 oitivas mediante intimação e dois mandados de prisão temporária, expedidos contra empresários que atuam na empresa. Foi autorizado ainda o afastamento de três integrantes da Hemobrás, sendo dois da diretoria. Fora Pernambuco, a ação também ocorre nos estados do Piauí, Paraíba, Minas Gerais e São Paulo.

Fonte - G1/Pernambuco

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