Corpo de estudante morta a tiros em colégio é enterrado em Alexânia, GO

Raphaella Noviski Romano, 16, foi baleada dentro da sala de aula onde estudava. Atirador foi preso, confessou crime à polícia e disse que não se arrepende.

Por Paula Resende, G1 GO, em Alexânia

Corpo da estudante Raphaella Noviski, 16, morta a tiros em colégio, foi enterrado em cemitério de Alexânia, Goiás (Foto: Paula Resende/G1)

Sob forte comoção, o corpo da estudante Raphaella Noviski, de 16 anos, morta a tiros dentro do colégio que estudava, foi enterrado às 11h15 desta terça-feira (7), no Cemitério Campo da Saudade, em Alexânia, no Entorno do Distrito Federal. Centenas de amigos, colegas de escola e familiares acompanharam o cortejo pelas ruas da cidade até o local de sepultamento.

Durante o trajeto de cerca de 2 quilômetros da Igreja Assembleia de Deus Madureira, onde ocorreu o velório, até o cemitério, integrantes do grupo Mocidade Vida, o qual ela participava, levaram balões brancos que foram soltos no momento do enterro.

"A gente está pedindo paz. Ficamos muito assustados, poderia ser com qualquer um de nós", disse a integrante do grupo Rafaela Roriz, de 14 anos.

Regente do grupo, Euclenes Nunes, 21 anos, conta que Raphaella participava de todas as ações, como visitas ao asilo. Eles cantaram em homenagem às adolescente a música " Verei Jesus". "Nós cantávamos essa música direto. Ela gostava e representa o momento. Esse tanto de pessoas prova o quanto ela era querida", afirmou.

Familiares e amigos de Raphaella levaram balões brancos para o enterro, em Alexânia (Foto: Paula Resende/G1)
O velório começou por volta das 20h30 de segunda-feira (6) na igreja que a vítima frequentava. Funcionários da instituição calculam que cerca de 5 mil pessoas passaram pelo local para prestar as últimas homenagens à adolescente.

Por volta das 8h45 desta manhã, foi realizada uma cerimônia fúnebre, na qual o pastor Heleno Ferreira e o pastor auxiliar Diógenes Adriano pregaram e falaram palavras de apoio para parentes e amigos. O conjunto de jovens, que Raphaella participava, também subiu ao altar para cantar em homenagem à vítima.

Corpo de Raphaella Noviski, 16, morta a tiros em colégio, foi levado em cortejo até cemitério em Alexânia, Goiás (Foto: Paula Resende/ G1)
Raphaella foi morta a tiros no Colégio Estadual 13 de Maio, também em Alexânia, onde ela cursava o 9º ano do ensino fundamental, na manhã de segunda-feira. O jovem Misael Pereira Olair, de 19, disparou 11 tiros contra a estudante, que morreu no local. O rapaz foi preso quando tentava fugir e, na delegacia, confessou o crime e disse que não se arrepende.

Imagens do circuito interno mostram quando momentos de pânico logo após o crime. No registro, é possível ver o autor dos disparos chegando ao local e fugindo em seguida.

Por conta do crime, a Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (Seduce) suspendeu temporariamente as aulas. O colégio só reabrirá no próximo dia 16, quando está previsto um culto ecumênico em homenagem à vítima.
Estudante Raphaella Novinski, de 16 anos, foi morta a tiros no Colégio Estadual 13 de Maio, em Alexânia, Goiás (Foto: Reprodução/Facebook)
Motivação

Segundo a Polícia Civil, o atirador é ex-aluno do Colégio 13 de Maio. A delegada Rafaela Azzi afirmou ao G1 que o suspeito disse ter disparado contra a vítima por "sentir ódio" dela.

"Ele alega que é conhecido 'de longa data' da vítima, e que sentia muito ódio da menina. A partir do depoimento dele entendemos que ele tentou namorar com ela, mas foi rejeitado. Por conta disto resolveu comprar uma arma, adentrar na escola onde ela estava e ceifar a vida dela", revelou.

Segundo a investigadora, o rapaz tentou justificar o motivo de ter efetuado 11 disparos na vítima. "Ele afirmou que atirou várias vezes nela porque queria que ela morresse logo e não sentisse dor".

A delegada explicou que o suspeito planejou o crime por um ano e afirmou ter comprado o revólver calibre 32 de uma pessoa, mas não revelou o nome. Ela explicou ainda que ele sequer tem idade - o mínimo exigido é 25 anos - para ter posse ou porte de arma. Ele deve ser indiciado por feminicídio.

Michael Melo/Metrópoles
Cerca de duas mil pessoas estiveram no enterro da jovem assassinada por Misael Pereira
De acordo com a médica legista Claudina Ramos Caiado, que realizou a necropsia no Instituto Médico Legal (IML) de Anápolis, perfurações nas mãos na vítima apontam que ela tentou se defender do atirador.

"No corpo dela há pelo menos 11 perfurações de entrada, sendo a maioria na cabeça, além de uma no tórax. Também há marcas no antebraço e nas duas mãos, o que caracteriza que ela tentou cobrir o rosto para se defender", disse a médica 

Rapaz de 19 anos mata a tiros menina de 16 após invadir escola
Comparsa

Segundo a Polícia Civil, Misael usou uma máscara para invadir o colégio. A corporação diz que ele teve ajuda do comerciante Davi José de Souza, de 49 anos, que deu carona ao rapaz até a porta do colégio, ficou do lado de fora esperando e depois o ajudou na tentativa de fuga. O homem também foi detido.

Advogado de Davi, Joel Pires de Lima explica que o cliente é amigo da família de Misael e não imaginava que estava levando o jovem para cometer o crime.

Polícia apreendeu máscara, revólver, munição, faca e chumbinho com suspeito de matar estudante em Alexânia, Goiás (Foto: Paula Resende/G1)
Família

Muito desolada, a dona de casa Antônia Afonso Pereira da Silva, de 63 anos, afirmou que ainda não acredita na morte de Raphaella, sua neta. A adolescente morava com a irmã mais velha e a avó, desde criança, no Setor Novo Horizonte.

"Meu coração está doendo. Não quero acreditar, acho que ela vai chegar andando. Só Deus para me dar forças para eu continuar vivendo. Cuidava mais dela e da irmã do que das minhas filhas, faço tudo por elas desde que nasceram", disse.

"Ela era a mais carinhosa. Muito boazinha, meiga. Todo dia ela levantava da cama, me dava um beijo e pedia benção", completou.

Os pais da estudante se separaram quando ela era criança. De acordo com Antônia, a filha se mudou para Brasília, e ela passou a cuidar das netas.

Agente penitenciário Leandro Márcio Romano, pai de Raphaela Noviski, morta em escola de Alexânia (Foto: Paula Resende/G1)
Há dez meses sem ver a filha Raphaella, o agente penitenciário Leandro Márcio Romano, de 40 anos, disse que planejava reencontrar a estudante no dia do crime. Morador de Minas Gerais, ele chegou à cidade um dia antes do crime, para passar as férias e tentar se aproximar da adolescente.

O homem afirma que antes de vê-la, recebeu a ligação informando que ela havia sido baleada. "Sinto de tudo um pouco, é uma mistura de raiva e tristeza. Não deu tempo de falar que eu a amava, de pedir desculpa pela distância", lamentou.


Fonte - Metrópoles

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