Tatuador conhecido como 'Jack, o estuprador' é preso ao abusar de cliente

Tatuador foi preso Foto: Divulgação
Gabriela Viana

Um tatuador foi preso acusado de abusar sexualmente de clientes em Ceilândia, no Distrito Federal. O homem, de 36 anos, foi preso nesta sexta-feira, em seu estúdio de tatuagem, após uma jovem prestar queixa contra ele. Ao saber da chegada da polícia, o suspeito se trancou no banheiro e pediu para que a secretária dissesse que ele não estava no local. O tatuador já tinha uma passagem pela polícia pelo mesmo crime em 2008 e era conhecido como 'Jack, o estuprador' — em referência ao filme 'Jack, estripador'.

A vítima que o denunciou tem 26 anos. Ela conta que conheceu o tatuador por indicação de um conhecido em comum e que já havia ouvido histórias sobre o comportamento do homem. No entanto, por ter sido indicada por uma pessoa próxima a ele, não acreditou que pudesse se tornar vítima.

— Eu sabia da fama dele, mas não acreditei que pudesse acontecer comigo. Conversei com ele por telefone e marquei uma data. Para garantir, iria levar um amigo comigo. No dia, meu amigo não pode ir e eu resolvi ir sozinha. Quando cheguei e vi a secretária dele, me senti mais segura. Mas poucos minutos depois ela disse que precisava sair e fiquei sozinha com ele. Eu estava com uma calça e de biquíni. Ia fazer um retoque na barriga. Quando deitei, ele puxou minha calça e soltou meu biquini. Disse que era para ficar mais confortável para fazer o desenho. Ele, então, apoiou a mão na minha genitália e fez como se fosse me masturbar. Eu reclamei e falei "pode tirar a mão, por favor?". Ele disse que foi sem querer e pediu desculpas. Eu fiquei com medo e travei minhas pernas. Estava sozinha e não quis fazer um escândalo e ele fazer algo comigo. No fim, ele fez novamente. Eu pedi mais uma vez para ele parar e levantei para ir embora. A secretária já tinha voltado e outras três mulheres aguardavam a vez — contou.


A jovem contou ainda que deixou o local aos prantos.

— Eu saí do estúdio sem acreditar no que tava acontecendo. Comecei a chorar muito. Só desejei que ele morresse. Não queria nem que fosse preso. Liguei aos prantos para o meu amigo que entrou em contato com ele para tirar satisfação. Ele negou tudo e disse que tinha sido "sem querer". Fui na delegacia e denunciei. Não quero que ninguém mais passe por isso — falou a mulher que, quando menor, já havia sido vítima de abuso sexual.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Victor Dan, ao ser encontrado no banheiro do estúdio, o tatuador não ofereceu resistência à prisão e negou o crime.

— Ele negou tudo. Sabemos que não é a primeira vez que ele faz algo deste tipo. Além do registro que temos nesta mesma delegacia anos atrás, já sabemos de, pelo menos, outras três vítimas. Ao que tudo indica, ele já era conhecido no meio por esse comportamento com suas clientes. Agora estamos buscando outras vítimas dele, já que sabemos que muitas tinham medo de denunciá-lo — disse.

A secretária do tatuador, que, segundo a vítima, é ex-namorada dele, também será investigada pela polícia.

— Ele usava a profissão como forma para abusar das vítimas. Também vamos investigar se a secretária estava ciente do que acontecia e acobertava o crime — disse o delegado.

Em depoimento na delegacia, a secretária defendeu o tatuador, afirmando não ter deixado o estúdio enquanto a jovem era atendida.

— Ela disse que eu estava de "showzinho" e insistiu que não tinha me deixado sozinha com ele. Os agentes pressionaram e ela acabou contando que realmente saiu do estúdio. Além disso, quando os policiais chegaram lá, ela fingiu que ele não estava no local e ligou para o celular dele. Mas os policiais o encontraram trancado no banheiro se escondendo — contou a vítima.

No primeiro registro contra o tatuador, em 2008, a vítima relatou que ele chegou a colocar o pênis entre suas nádegas. O homem assinou um termo circunstancial por ato libidinoso e foi liberado. Esta vez, porém, ele responderá por violação sexual mediante fraude (Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima) e pode pegar de 6 a 12 anos de prisão.


Fonte - Extra

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