Operação Drácon. Liliane Roriz depõe à Justiça nesta segunda (19/2)


DANIEL FERREIRA/METRÓPOLES

CAIO BARBIERI

A deputada distrital Liliane Roriz (PTB) deve depor às 14h desta segunda-feira (19/2) para a Justiça, no caso que ficou conhecido como Operação Drácon. Ela será ouvida pelo juiz Osvaldo Tovani, da 8ª Vara Criminal do Distrito Federal, como testemunha de acusação contra Valério Neves, Alexandre Cerqueira e Ricardo Cardoso dos Santos.

O magistrado é o responsável pelo processo, devido ao fato de os envolvidos não terem foro privilegiado. Os três são acusados pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) de operarem um suposto esquema que desviou recursos de emendas parlamentares para beneficiar prestadoras de serviço da Secretaria de Saúde. Em troca, as empresas pagariam propina aos participantes, argumenta a acusação. No entanto, eles negam.

A Operação Drácon teve início em agosto de 2016, depois que vieram à tona os áudios feitos pela deputada Liliane Roriz (PTB), revelando detalhes de como colegas da Câmara Legislativa do Distrito Federal agiam. Liliane teria começado a grampear os distritais no fim do 2015, quando os políticos decidiam sobre o que fazer com uma sobra orçamentária da Casa.

Em um primeiro momento, os recursos seriam destinados ao GDF para custear reformas nas escolas públicas. De última hora, no entanto, o texto do projeto de lei foi modificado, e o dinheiro – R$ 30 milhões, de um total de R$ 31 milhões –, realocado para a Saúde. O valor foi destinado ao pagamento de serviços vencidos em UTIs da rede pública.

Negociação
Na ocasião, Liliane teria questionado a então presidente da Câmara sobre a mudança na votação. No áudio, é possível ouvir Celina Leão (PPS) falando que o “projeto” seria para um “cara”, quem ajudaria os deputados. A presidente da Casa disse ainda que Liliane não ficaria de fora: “Você [Liliane] está no projeto, entendeu? Você está no projeto. Já mandei o Valério [ex-secretário-geral] falar com você.”

As denúncias feitas por Liliane atingiram outros distritais, como o Bispo Renato Andrade (PR) e Julio Cesar (PRB). Segundo as gravações, os dois teriam tentado fazer uma negociação com Afonso Assad, presidente da Associação Brasiliense de Construtores. De acordo com Valério Neves, em um dos áudios, o empresário poderia intermediar contratos com a Secretaria de Educação. Mas Assad não teria levado a cabo o “compromisso”. “O Afonso disse que não poderia garantir nada”, afirmou Neves em um dos trechos.

Com a negativa do empresário de participar do tal “compromisso”, segundo explicou Valério Neves nos áudios, o deputado Cristiano Araújo (PSD) teria conseguido o “negócio” das UTIs. Ao dizer o quanto os “hospitais iam retornar”, Valério sussurrou: “em torno de 7%”. E disse ainda que todos os integrantes da Mesa Diretora tinham conhecimento do acordo. Celina, por sua vez, destacou: se fosse para eles receberem algum tipo de ajuda, teria de ser para todos.


Fonte - Metropoles

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