Quais são os planos dos políticos do DF que saíram da eleição sem mandato?

São 23 nomes, incluindo o governador, dois senadores, sete deputados federais e 13 distritais

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Rollemberg não definiu o que fará no próximo ano, mas disse que "não deixará de servir a população de Brasília"
O resultado das urnas em 2018 trará grande renovação para o cenário político do Distrito Federal. Ao todo, 23 políticos brasilienses com mandato até dezembro estarão sem cargos eletivos no próximo ano. A conta inclui o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), os senadores Cristovam Buarque (PPS) e Hélio José (Pros), sete deputados federais e 13 distritais. Visando futuros pleitos, a maioria pretende continuar com o nome em evidência, seja atuando em pastas do governo local e federal, garantindo influência nos partidos que participam, seja atuando em espaços com visibilidade, como instituições públicas e privadas.

Dos 24 distritais eleitos em 2014, oito se reelegeram e três garantiram um mandato para a Câmara dos Deputados — Celina Leão (PP) e Julio Cesar (PRB) e professor Israel Batista (PV). Dos oito federais do DF, só Erika Kokay (PT) conseguiu ser reeleita. Alberto Fraga (DEM) e Rogério Rosso (PSD) disputaram o Governo do Distrito Federal, mas saíram derrotados. Izalci Lucas (PSDB) garantiu uma vaga no Senado Federal por oito anos.

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Entre os senadores, Cristovam Buarque (PPS) tentou o terceiro mandato, mas acabou fora do páreo, sendo o terceiro mais votado — havia duas vagas. Hélio José (Pros) não conseguiu vaga como deputado federal. Rollemberg também não conquistou a reeleição. Perdeu a disputa, no segundo turno, para Ibaneis Rocha (MDB).

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Fraga espera reverter condenação para assumir um dos ministérios do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro
Indefinições
Dessa lista, o plano mais ambicioso é o de Alberto Fraga, que espera assumir um dos ministérios do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Ao Correio, o democrata confirmou que o convite foi feito, mas que ainda não está definido. O empecilho é uma condenação na Justiça, que o deputado federal espera ser resolvido em breve.

Em setembro deste ano, Fraga foi sentenciado a quatro anos, dois meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto, além de 14 dias-multa, pela prática do crime de concussão — exigência de vantagem indevida em razão do cargo ocupado. “Estou lutando para que o processo possa ser levado para a segunda instância e tenho plena consciência e convicção de que haverá reforma na sentença”, explicou o deputado.

Fraga diz que, na conversa com Bolsonaro, não foram definidos detalhes do cargo, e que ele está aberto para assumir a pasta “que o presidente precisar”. “Quando conversamos, disse que estaria disposto em ajudar no que fosse preciso, não falei mais nada sobre uma escolha”, afirma o deputado. Pelo Twitter, Bolsonaro afirmou que usaria as redes sociais para anunciar oficialmente os nomes que farão parte do governo, e que “qualquer informação além dessa é mera especulação maldosa e sem credibilidade”.


Rollemberg não definiu o que fará no próximo ano, mas informou que “não deixará de servir a população de Brasília”. No momento, o socialista diz estar focado em concluir o mandato. Já o deputado federal e ex-governador tampão Rogério Rosso se reunirá na próxima semana para definir os futuros planos. O pessedista quer fortalecer o partido no DF e garante que terá como objetivos nos próximos anos “apoiar os servidores, jovens e pequenos empresários”, grupos que tiveram espaço de destaque dentro do plano de governo de Rosso.

Da mesma forma, o vice-governador Renato Santana (PSD) é servidor concursado, mas do próprio GDF. Candidato derrotado à Câmara dos Deputados, o pessedista ficará lotado na Defensoria Pública do Distrito Federal e já se prepara para retomar as funções administrativas. “Paguei o preço de ser vice do Rollemberg, mas não me arrependo de nada. Tudo aquilo que eu anunciava há três anos aconteceu. E todos que foram eleitos na chapa do Rollemberg tiveram o mesmo fim nestas eleições”, disse.

Mesmo sem seguranças e o protocolo do cargo de número dois do Palácio do Buriti a partir do ano que vem, Santana garante que continuará trabalhando pela comunidade. “Tem gente que só consegue trabalhar se tiver mandato. Mas tem gente que trabalha sempre. Essa é a minha visão e minha decisão”, afirmou.

Resultado de imagem para eliana e alirioDois fortes nomes da Câmara Legislativa também ficarão de fora do Executivo e do Legislativo pelos próximos quatro anos. Três vezes eleita deputada distrital, Eliana Pedrosa (Pros), que chegou a liderar a corrida pelo Palácio do Buriti neste ano, não tem planos para a vida política. A família da candidata é dona de empresas de prestação de serviços, inclusive com contratos vigentes com o GDF. Eliana quer focar na vida profissional e pessoal, tendo em vista que, nos últimos meses, a ex-distrital garante ter focado toda energia na composição do plano de governo e na campanha ao GDF.

Número dois da chapa de Eliana, Alírio Neto (PTB) também não decidiu qual será seu futuro político. Três vezes eleito deputado distrital, ele garante que o resultado negativo não o afastará da vida pública. “O PTB está fazendo uma avaliação, e em meados de janeiros decidiremos nosso novo projeto”, afirma.

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Cristovam Buarque diz que voltará a publicar artigos de opinião
e que retomará alguns livros que estava escrevendo
Longe do poder
Após 16 anos no Senado Federal, Cristovam Buarque não voltará ao Congresso Nacional em 2019. Ex-governador do DF e ministro da Educação no governo Lula, ele garante que não pensa em disputar uma eleição, nem assumir cargos públicos. “Vou continuar fazendo o que faço, mas fora do Senado. Vou estudar e escrever sobre economia, desenvolvimento sustentável e lutar para que, neste país, a educação seja de qualidade e igual para todos”, comenta.

O senador diz que está voltando a publicar artigos em jornais e que retomará alguns livros que estava escrevendo. “Não deixarei a política totalmente de lado. Vou aproveitar que moro em Brasília para continuar lutando para aprovar alguns dos 109 projetos de lei que deixei, principalmente o da federalização da educação. Já estou conversando com alguns deputados que entram agora, para que os adotem”, conta. Cristovam acrescenta outro desejo: fazer mais cursos de línguas. “Falo português, espanhol, francês e inglês, mas quero continuar aprendendo cada vez mais.”

16 anos 
Tempo que Cristovam Buarque exerceu os mandatos de senador pelo DF
"Minha questão era contribuir neste momento, me coloquei à disposição e não obtive êxito, mas foi uma votação muito recompensadora"General Paulo Chagas, candidato a governador derrotado

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Novatos também se articulam
Dos 11 nomes que concorreram ao GDF neste ano, cinco eram novatos na disputa por um cargo eletivo. Um deles, Ibaneis Rocha (MDB), saiu vencedor. Os demais voltaram aos trabalhos que ocupavam, mas garantem que não desistiram da vida política. O herdeiro da rede de lanchonetes Giraffas, Alexandre Guerra (Novo), assegura que continuará na liderança da luta pela renovação política. “Infelizmente, não obtivemos sucesso agora, com a volta das velhas oligarquias ao poder do DF, mas vou continuar lutando por essa mudança pelos próximos anos.”

Resultado de imagem para alexandre guerraA partir da experiência de campanha, Guerra deu início ao Clube dos Líderes Empreendedores, que pretende servir de apoio para empresários de todo Brasil. “Vi, na campanha, que existe uma grande quantidade de empreendedores no DF, que dependem apenas deles mesmos para garantir os seus sustentos, mas essas pessoas muitas vezes ficam sozinhas. Nosso grupo trará união e força para aumentar a representatividade da categoria”, explica.

Resultado de imagem para paulo chagasQuarto lugar nas eleições, com mais de 100 mil votos para governador, o general Paulo Chagas (PRP) não tem planos, mas garante que não atuará no governo de Ibaneis. “Minha questão era contribuir neste momento, me coloquei à disposição e não obtive êxito, mas foi uma votação muito recompensadora”, ressalta. Apoiado por Jair Bolsonaro, o general afirma que está à disposição do presidente eleito para assumir um cargo no governo federal, mas diz que o convite ainda não ocorreu.

Resultado de imagem para Fátima SousaA professora Fátima Sousa (Psol) estará de volta às salas de aula da Universidade de Brasília. A candidata do PSol destaca que continua à disposição do partido e que dará continuidade a uma série de pesquisas, comparando as práticas dos agentes da saúde na atenção primária. Júlio Miragaya (PT) voltou a atuar na presidência do Conselho Federal de Economia (Cofecon).

De volta ao MP
Resultado de imagem para chico leiteCandidato derrotado ao Senado Federal, o deputado distrital Chico Leite (Rede) é um dos mais veteranos parlamentares da Câmara Legislativa. Integrante da Casa desde 2003, pela primeira vez desde então o jurista ficará sem mandato efetivo. Por ser concursado do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), é para o órgão que o parlamentar se prepara para retornar, a partir de 1º de janeiro.

“Sou procurador de Justiça e minha sala sempre esteve lá. Agora, voltarei para o Ministério Público até que saia a minha aposentadoria. Estarei trabalhando pela cidade, mas de outro local. Eu tenho compromisso com o que acredito e com a melhoria do Distrito Federal”, disse.

Resultado de imagem para wasnyEleito deputado distrital pela primeira vez em 1990, Wasny de Roure (PT) é considerado por muitos como o decano da Câmara Legislativa. Parlamentar atuante no Legislativo local, o petista ficará de fora da Casa a partir de janeiro, por ter sido derrotado na disputa por uma vaga ao Senado Federal. Apesar disso, garante que manterá o trabalho de fiscalizar o bom uso dos recursos públicos.

“Temos compromisso com a cidade, independentemente de ter mandato. É claro que ter o respaldo dos eleitores acaba sendo uma ferramenta que potencializa mais o nosso trabalho. Porém, quando se tem problemas como os das nossas cidades, temos que continuar fiscalizando os pontos que são de interesse da população. Pretendo continuar atento a tudo durante os próximos anos”, assegurou.

Fora da CLDF e do Congresso
Na Câmara dos Deputados, apenas Erika Kokay (PT) manteve o mandato. Augusto Carvalho (SD), Roney Nemer (PP), Laerte Bessa (PR), Ronaldo Fonseca (sem partido), além de Fraga e Rosso, ficarão fora dos mandatos federais. Roney, Bessa e Augusto tendem a permanecer na política, mesmo sem mandato.

Resultado de imagem para laerte bessaO progressista não deve assumir cargos públicos por responder a processo no episódio conhecido como Caixa de Pandora, fato que o impediu de concorrer a um novo mandato. Bessa chegou a ter o nome ventilado para ocupar uma pasta no futuro governo Ibaneis Rocha (MDB), mas não há confirmação oficial da equipe emedebista. Da mesma forma, Carvalho aguarda uma sinalização do futuro gestor para integrar o futuro governo.

Dos atuais 24 deputados distritais, apenas oito conseguiram se reeleger – uma renovação de 66%. Nomes com tradição na Casa, como Cristiano Araújo (PSD), ficaram de fora do próximo mandato.

Nove parlamentares não conquistaram votos suficientes para permanecer na CLDF: Bispo Renato Andrade (PR), Cristiano Araújo (PSD), Juarezão (PSB), Lira (PHS), Luzia de Paula (PSB), Raimundo Ribeiro (PPS), Ricardo Vale (PT), Sandra Faraj (PR) e Wellington Luiz (MDB).

Outros distritais disputaram cargos diferentes. Celina Leão (PP), Julio Cesar (PRB) e Professor Israel (PV) foram eleitos para a Câmara dos Deputados. O presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), e Liliane Roriz (Pros) não concorreram nas Eleições 2018. Joe retomará a vida empresarial: a família dele é dona da Fazenda Malunga, que investe na produção agrícola no DF.


Cristiano Araújo ficou de fora da próxima CLDF e deve investir na participação, mesmo que informal, no governo Ibaneis Michael Melo/Metrópoles
Também não reeleito, Bispo Renato ficará de fora no Legislativo em 2019Rafaela Felicciano/Metrópoles
Servidor da Secretaria de Saúde, Juarezão não foi reeleito para a CLDF e não deve participar do próximo governo Facebook/Reprodução
Lira encerrará o primeiro mandato no dia 31 de dezembro Bruno Pimentel/Metrópoles
Principal aliada de Rollemberg, Luzia de Paula também não conseguiu renovar o mandato Michael Melo/Metrópoles
Aposentado da AGU, Raimundo Ribeiro é do MDB e pode ter participação no governo Ibaneis Rafaela Felicciano/Metrópoles
Ricardo Vale foi derrotado no projeto de renovação de mandato Michael Melo/Metrópoles
Sem conseguir reeleição, Sandra Faraj tem se aproximado do futuro governadorMichael Melo/Metrópoles
Aliado de Ibaneis e com votação expressiva, Wellington Luiz deve ser contemplado no novo governo local Michael Melo/Metrópoles
Liliane Roriz não concorreu à renovação do mandato Rafaela Felicciano/Metrópoles
Da mesma forma, o presidente da CLDF, Joe Valle, não concorreu este ano e retomará a carreira empresarial Michael Melo/Metrópoles
Servidor do Senado Federal, Rollemberg pode ter de se reapresentar ao órgão de origem Ricardo Botelho/Especial para o Metrópoles
Também servidor público, o vice-governador Renato Santana retornará ao GDF com lotação na Defensoria Pública Igo Estrela / Metrópoles
Rogério Rosso encerrará o mandato em fevereiro do ano que vem como deputado federal e quer se dedicar ao fortalecimento do PSD JP Rodrigues/ Especial Para Metropoles
Alberto Fraga: derrotado ao Buriti, tem o nome ventilado para trabalhar com Bolsonaro Igo Estrela/Metrópoles
Com 16 anos de mandato, Cristovam ficou em terceiro na disputa ao Senado e estuda deixar o país para dar aulas Rafaela Felicciano/Metrópoles
Procurador de carreira, Chico Leite terá de se reapresentar ao MPDFT a partir de janeiro Acervo CLDF
Também derrotado ao Senado, Wasny de Roure garante que permanecerá ativo na defesa de interesses da comunidade Rafaela Felicciano/Metrópoles
Bancário aposentado, Augusto Carvalho ficou fora da próxima bancada da Câmara dos Deputados Arquivo pessoal/Reprodução
Um dos principais aliados do futuro governador Ibaneis Rocha, Roney Nemer deve participar da nova gestão como conselheiro informal Michael Melo/Metrópoles
Sem renovar o mandato na Câmara dos Deputados, Laerte Bessa é ventilado a ocupar um cargo na gestão Ibaneis Igo Estrela/Metrópoles
Atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Ronaldo Fonseca não quis enfrentar a campanha para a reeleição Gabriel Pereira/Metrópoles

Fonte - Metrópoles / CorreioWeb
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