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ESPORTE - Sem calendário, times eliminados das Séries C e D acumulam prejuízos; especialista sugere reformulação

Clubes como Santa Cruz, Remo, Brasiliense, Campinense e Paraná tiveram "férias forçadas" e só voltam a jogar em 2023

Mais uma vez o calendário do futebol brasileiro entra em discussão. Eliminadas de forma precoce nas Séries C e D do Brasileirão, equipes de tradição e massa - que já foram campeãs nacionais - podem ficar até cinco meses sem entrar em campo.

Clubes como Santa Cruz, Remo, Brasiliense, Campinense e Paraná tiveram "férias forçadas" e alguns só voltam a jogar em 2023 nos campeonatos estaduais (veja situação de cada um abaixo). Mas, qual o real tamanho do prejuízo? O ge ouviu especialistas em economia e direito do esporte para mostrar que o déficit financeiro vai muito além das quatro linhas.

Clubes de massa são eliminados das Série C e D e ficam sem calendário — Foto: ge


Prejuízos além do futebol

O economista e comentarista da rádio CBN, Pedro Neves, aponta que os prejuízos com a falta de calendário são financeiros para os clubes e econômicos para a região. Ele afirma que as principais fontes de receitas das equipes ficam zeradas, mas os custos se mantém.

"Basicamente, esses times ficam afastados por meses e perdem até 80% da receita, que vem de patrocínio, de anunciantes, da renda da torcida e da venda de material esportivo", argumenta Pedro Neves.

Para o especialista, a ausência de jogos também impacta toda uma região e vai além do âmbito esportivo, já que os clubes populares movimentam uma cidade inteira durante as partidas.

- Empregos de transporte, restaurantes, hotelaria... São alguns dos setores econômicos afetados pela ausência de jogos. Além dos trabalhadores informais, que também são afetados pela falta de calendário.

Santa Cruz x Tocantinópolis, pela Série D — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Já para Alan Rodrigo, advogado especialista em direito desportivo e vice-presidente da comissão de direito desportivo da OAB Caruaru, os prejuízos também são sociais.

- Os atletas ficam um período sem uma renda salarial, o que por sua vez acaba tendo uma repercussão social nas vidas dos atletas e de alguns funcionários de clubes, prejudicando a continuidade de trabalho, sua preparação física e, em muitos casos, desistindo do futebol e buscando trabalho em outras áreas.

Como melhorar?

Os especialistas também apontam possíveis soluções para sanar ou reduzir os prejuízos. Para Alan Rodrigo, a reformulação dos regulamentos poderia ser uma saída, principalmente para equipes de massa. Ele acredita que equipes como Santa Cruz e Remo, por exemplo, precisam de um calendário maior para ajudar na movimentação econômica.

- Se você tem mais jogos, significa que mais torcedores estarão no estádio, pagando ingresso, consumindo e gerando negócios. A Série D, ao invés de mata-mata, poderia ser por pontos corridos, o que traria mais investimentos para os clubes e mais tempo de contrato para atletas, além de trazer mais equidade para equipes mais regulares. Na parte social, com contratos mais extensos, atletas e funcionários teriam a possibilidade de se dedicar mais ao futebol.

O economista Pedro Neves acredita que pensar em novas fontes de renda também pode ser uma alternativa.

"A saída para os clubes nem sempre é fácil. Quem tem estádio ou Arena pode tentar usar o espaço para eventos, fazer fontes de receita em razão da ausência da principal atividade. A partir da nova legislação, que permite a criação da SAF, podem tentar trazer investidores para reestruturar os clubes e fomentar um crescimento, já que estamos falando de clubes de tradição e popularidade."

A criação de novos torneios e ligas também foi uma saída apontada. Mas, o advogado acredita que esse movimento não seria bem visto pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

- É uma alternativa viável, mas para isso os clubes interessados devem se organizar e elaborar uma proposta junto a CBF ou realizar uma liga própria, independente da CBF, que a depender da organização poderia conseguir mais investidores, mais atrativos e uma divisão melhor dos recursos para quem se encontra participando. Os torcedores também estariam mais atuantes durante o ano.

Santa Cruz

Partida que sacramentou eliminação do Santa Cruz na Série D, contra o Tocantinópolis — Foto: Mr Jhorge/Tocantinópolis

Campeão da terceira divisão em 2013 e com 24 participações na Série A, o Santa Cruz caiu nas oitavas de final para o Tocantinópolis e vai amargar mais um ano no porão do futebol nacional - será a quinta vez, em um intervalo de 17 anos, que o clube disputará a competição. O Tricolor iniciou profunda reformulação no elenco vislumbrando o próximo ano e aguarda posicionamento da CBF sobre a pré-Copa do Nordeste - inclusive para chegar a um acerto com o novo treinador.

A seletiva do Regional, alternativa mais próxima para preencher o calendário coral, não tem data definida para acontecer e, nos bastidores, ventila-se a possibilidade de só ocorrer no início do próximo ano. Ou seja, caso se confirme, o Santa Cruz teria "férias forçadas" por, no mínimo, cinco meses.

Paraná

Pouso Alege x Paraná Clube — Foto: Fotos: Chiarini Jr / Roma Comunicação e Marketing

O Paraná perdeu para o Pouso Alegre por 1 a 0, também nas oitavas de final, e ficará sem calendário nacional até 2024, fato inédito até então. Tendo apenas a Divisão de Acesso do Paranaense para disputar o ano que vem, o presidente do clube, Rubens Ferreira da Silva, revelou provável retorno da Copa Sul-Minas - principal aposta do mandatário para preencher o calendário da equipe.

Remo

Remo foi eliminado da Série C — Foto: Cristino Martins/Oliberal

O Remo é outro que entra no hall de equipes campeãs brasileiras que terão férias forçadas em 2022. Eliminado ainda na fase de grupos da terceira divisão para o Botafogo-SP, o clube paraense vive situação parecida à de Santa Cruz e Paraná. Mas com um alívio grande: a confirmação do retorno da Copa Verde - cuja competição o Remo é o campeão mais recente - para este ano. O anúncio foi feito pelo presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, e pelo diretor de competições da entidade, Júlio Avellar.

Campinense

Floresta x Campinense; Floresta x Campinense Série C — Foto: Ronaldo Oliveira / Floresta

Um ano depois de conquistar o acesso à Terceira Divisão, o Campinense voltará para a Série D em 2023 - amargando a terceira queda de sua história e se igualando ao rival Treze. O time paraibano empatou em 1 a 1 com o Floresta na última rodada da fase de grupos da Série C.

Sem calendário previsto para o restante da atual temporada, a Raposa, campeã do Nordeste em 2013 e atual bicampeã do estado, só volta a entrar em campo no Campeonato Paraibano do próximo ano - está classificada para a fase de grupos da Copa do Nordeste.

Brasiliense

Brasiliense x Nova Venécia Série D 2022 — Foto: Thiago Felix

Outro campeão nacional que ficou longe de garantir uma vaga na Série C foi o Brasiliense. Campeão da Série B em 2004 e da terceira divisão em 2002, o Jacaré ostentou bons números na primeira fase da Quarta Divisão, tendo a segunda melhor campanha - só atrás do Retrô. Porém, já no primeiro mata-mata, terminou eliminado pelo Nova Venécia. Agora, vai ficar no "limbo" até 2023, quando volta a jogar o Campeonato Brasiliense.

Fonte -Globo Esporte

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