
A indicação de Jorge Messias, conhecido como “Bessias”, para o Supremo Tribunal Federal enfrenta crescente resistência tanto dentro da própria Corte quanto no Senado. O nome, enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso, passou a ser alvo de críticas e desconfiança, levando articuladores políticos a admitir que a aprovação está longe de ser garantida.
Entre ministros do STF, o incômodo é evidente. Integrantes da Corte avaliam que Messias teria alinhamento excessivo ao governo, o que poderia afetar a independência institucional do tribunal. A reação mais dura partiria de magistrados influentes, que veem risco de politização da Corte caso ele seja aprovado.
No Senado, onde a indicação precisa ser avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça e depois pelo plenário, o clima também é desfavorável. A sabatina prevista para dezembro acabou sendo suspensa porque o Planalto não enviou a documentação formal a tempo. Além disso, senadores envolvidos na articulação admitem nos bastidores que Messias não reúne os votos necessários para ser aprovado, mesmo com a atuação direta do governo para tentar reverter o quadro.
Outro fator que contribuiu para o desgaste foi a repercussão negativa em torno de acordos firmados pela Advocacia-Geral da União envolvendo empresas do setor elétrico. Parlamentares e juristas apontaram cláusulas controversas, o que reforçou críticas sobre a atuação de Messias no comando da AGU.
Diante da pressão simultânea do STF e do Congresso, a indicação entrou em rota de colisão. Se não houver mudança significativa no cenário político, aliados já admitem que a nomeação pode naufragar antes mesmo de ir a votação. O episódio representa um revés importante para o governo, que buscava consolidar influência dentro da Corte com a escolha.
