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As manobras de Suzane von Richthofen na disputa pela herança do tio

Levantamento do GLOBO identificou três imóveis em nome de Miguel Abdalla Netto que se tornaram alvo de disputa com prima após a morte do médico

Por Ullisses Campbell — São Paulo

Suzane von Richthofen e Silvia Magnani — Foto: Reprodução

Um levantamento feito em cartórios de registro de imóveis de São Paulo atestou que o médico aposentado Miguel Abdalla Netto, encontrado morto no dia 9 de janeiro de 2026, mantinha em seu nome ao menos três imóveis na capital paulista no momento da morte. Entre eles estão a casa onde vivia, no Campo Belo, um imóvel recebido por doação do pai e uma sala comercial no Condomínio Bonnaire Office, na região do Butantã e de Santo Amaro. Além dos imóveis, o patrimônio inclui um veículo Subaru XV, ano 2021, que também integra o espólio.

A estimativa é que Miguel tenha deixado um patrimônio próximo de R$ 5 milhões, considerando imóveis, bens móveis e aplicações financeiras. Parte expressiva desse montante teve origem em herança recebida do pai, que incluiu aplicações financeiras e ao menos um imóvel incorporado ao patrimônio do médico.

O médico aposentado Miguel Abdalla Netto, encontrado morto no dia 9 de janeiro de 2026 — Foto: Reprodução

Esse conjunto de bens tornou se alvo de uma disputa judicial que envolve dois lados da família. Miguel é tio de Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os próprios pais. Do outro lado está Silvia Magnani, prima e ex-companheira do médico, que tenta ser reconhecida judicialmente como herdeira. As duas travam uma batalha pelo controle e pela partilha do espólio nas varas da Família e Sucessões.

A disputa ganhou força porque Miguel não deixou testamento, conforme levantamento feito pelo GLOBO em cartórios de São Paulo. Com isso, a sucessão passou a seguir apenas as regras legais, o que abriu espaço para o embate. Andreas von Richthofen, sobrinho de Miguel e irmão de Suzane, poderia integrar a disputa, mas optou por não se envolver e se manteve fora do conflito.

Antes mesmo da definição sobre a partilha, a briga se estabeleceu em torno de quem deve assumir a função de inventariante. Suzane sustenta que tem prioridade por ser parente consanguínea mais próxima de Miguel. Silvia afirma que a administração do espólio deve ficar sob sua responsabilidade por ter mantido com ele uma relação estável por mais de dez anos. Essa divergência passou a orientar as estratégias adotadas por cada uma no processo.

Andreas Albert von Richthofen — Foto: Divulgação

Logo após a morte do tio, Suzane adotou uma atitude considerada polêmica. Ela foi pessoalmente à casa onde Miguel vivia, no Campo Belo, e retirou da garagem o Subaru XV que estava no local. O veículo é avaliado em cerca de R$ 200 mil. A movimentação ocorreu justamente momento em que ainda não há inventariante nomeado e em meio a relatos de invasões e subtração de bens na residência.

No processo, Suzane afirma que retirou o carro como medida emergencial de preservação do espólio. A defesa da assassina sustenta ainda que o veículo foi levado para um local seguro, permanece sem uso e aguarda decisão judicial.

A tentativa de Suzane de acessar a herança do tio expõe uma ironia central na biografia da parricida. Em 2002, quando mandou matar os próprios pais, o objetivo de Suzane era se apropriar do patrimônio da família. Pelo menos foi isso que ela disse em seu julgamento. Foi justamente Miguel quem conseguiu na Justiça que ela fosse declarada indigna de herdar aqueles bens, afastando a sobrinha de um patrimônio estimado em cerca de R$ 10 milhões.

No andamento do processo, a juíza determinou a juntada das certidões de óbito dos pais de Suzane para comprovar formalmente o grau de parentesco dela com Miguel. Quando os documentos forem anexados, constará que Manfred von Richthofen e Marísia von Richthofen, pais de Suzane, morreram assassinados com objetos contundentes. Também haverá a averbação judicial que declarou Suzane indigna de herdar os bens deles. Com base nisso, a defesa de Silvia pretende sustentar que essa decisão deve se estender ao patrimônio deixado pelo tio. No mesmo despacho, a magistrada exigiu que Silvia apresente provas de que manteve uma relação estável com Miguel, com convivência pública e duradoura.

Questionada pelo GLOBO, Silvia afirmou ter um atestado de união estável que comprovaria o relacionamento com Miguel por quase 14 anos. Ao ser solicitada a apresentar o documento, disse não saber onde ele estava e que precisaria procurá-lo. Agora, ela terá de localizar e anexar esse comprovante ao processo se quiser assumir a função de inventariante e sustentar a condição de herdeira.

Miguel morreu no dia 9 de janeiro de 2026, aos 76 anos, dentro da casa onde morava. O atestado de óbito aponta causa da morte como indeterminada e registra a necessidade de exames complementares, razão pela qual o caso passou a ser tratado oficialmente como morte suspeita pela Polícia Civil. O corpo foi encontrado sentado em uma poltrona, já em avançado estado de decomposição, depois que um vizinho, que tinha a chave do imóvel, estranhou a ausência prolongada do médico e entrou na residência. Miguel foi sepultado em Pirassununga, no interior de São Paulo. Suzane não compareceu ao enterro do tio.

Em nota, as advogadas de Silvia, Débora Cristina Vaccari e Marielli Helena Arruda, afirmam que houve medidas unilaterais sem autorização judicial - por parte de Suzane - que colocaram em risco o patrimônio do espólio. Elas dizem haver preocupação com as invasões e a retirada de bens da residência de Miguel. Sustentam que o inventário deve ser conduzido por alguém comprometido com a legalidade e a preservação dos bens. A defesa destaca que Silvia foi responsável pelos trâmites do sepultamento e colaborou com as autoridades na apuração da morte e dos fatos relacionados ao imóvel.

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