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Luiz Inácio encena combate à corrupção para tentar se livrar do escândalo do Banco Master

 Presidente petista tenta posar de caçador de “magnatas”, mas ignora aliados e relações políticas que cercam o caso

Por Celso Alonso

Em mais uma tentativa de confundir a opinião pública e se afastar do desgaste político provocado pelo escândalo do Banco Master, o presidente petista Luiz Inácio lançou mão de um discurso ensaiado, repleto de frases de efeito e contradições históricas. Durante evento em São Paulo, nesta segunda-feira (9), o chefe do Executivo afirmou estar travando uma “briga” com o banco comandado por Daniel Vorcaro, numa encenação que mais parece cortina de fumaça do que enfrentamento real.

Ao citar um suposto desfalque de quase R$ 80 milhões, Luiz Inácio buscou vender a narrativa de que seu governo estaria finalmente enfrentando os “magnatas da corrupção”. O problema é que o discurso não resiste a uma análise minimamente crítica. A fala ignora deliberadamente o fato de que o escândalo do Banco Master envolve personagens com trânsito político, relações institucionais e proximidade com setores que orbitam o atual governo, vínculos que o presidente faz questão de não mencionar.

“É a primeira vez na história do Brasil que estamos perseguindo os magnatas da corrupção”, declarou Luiz Inácio, numa afirmação que soa menos como ignorância e mais como má-fé política. A frase apaga da história investigações e operações que atingiram grandes empresários em governos anteriores e tenta reposicionar o petista como protagonista de uma moralidade que ele próprio ajudou a relativizar ao longo dos anos, especialmente quando aliados são citados ou indiretamente alcançados por escândalos.

O discurso ganha contornos ainda mais reveladores quando o próprio presidente admite que o caso se transformou numa “briga pública”. Se há, de fato, uma disputa, ela parece ser menos contra irregularidades e mais contra o desgaste político que o escândalo impôs ao Palácio do Planalto. Luiz Inácio fala em enfrentamento, mas silencia sobre quais aliados, operadores políticos ou figuras com acesso ao poder foram beneficiados, tolerados ou simplesmente ignorados enquanto o problema crescia.

Na tentativa de mudar o foco, o presidente petista recorreu ao velho expediente populista: atacar operações policiais em comunidades e contrapor o “pobre da favela” ao “rico de terno e gravata”. A estratégia é conhecida e funcional, cria aplausos fáceis e desvia a atenção do essencial. O que se cobra, porém, não é retórica ideológica, mas respostas objetivas sobre o papel do governo, seus aliados e suas relações institucionais no entorno do Banco Master.

O roteiro se repete quando Luiz Inácio evoca um suposto diálogo com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo criminosos brasileiros que vivem em Miami. Mais uma vez, o presidente prefere a narrativa épica, quase cinematográfica, a esclarecer fatos concretos. Enquanto fala de bandidos no exterior, evita olhar para dentro de casa, onde o escândalo envolve conexões políticas reais, nacionais e incômodas.

Ao final, o discurso presidencial cumpre um papel claro: tentar blindar o governo e dissociar Luiz Inácio de um escândalo que não surgiu no vácuo. Ao posar de perseguidor de “magnatas”, o presidente petista deixa exposta outra realidade: a de um governo rápido para discursar e lento para explicar, especialmente quando o caso envolve aliados, relações políticas sensíveis e o risco de atingir o próprio núcleo do poder. Para a opinião pública, resta a sensação de que, mais uma vez, o combate à corrupção ficou no palanque, enquanto a verdade segue sendo empurrada para debaixo do tapete.

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